PRIMEIRAS FÉRIAS NA PRAIA

A primeira vez que pensamos levar o nosso filho à praia, é um momento de grande entusiasmo e também alguma expectativa, uma vez que não temos ainda qualquer referência sobre o seu comportamento em relação à areia, à água do mar e a todo aquele novo ambiente que é a praia: novos sons, novos cheiros, novas texturas….

 


Mas…E se o meu filho não gostar de entrar na água do mar?

…e se o meu filho não quiser pôr os pés na areia?

 

Os adultos nem sempre lidam da melhor maneira com este tipo de situações e, com a melhor das intenções, chegam mesmo a repreender a criança ou obrigá-la a enfrentar o “medo” (obrigá-la a entrar na água, deitá-la na areia…), principalmente quando não encontram uma razão que justifique aquela reação. Este tipo de atitude pode provocar desequilíbrios psicológicos e emocionais, tornando as situações ainda mais complicadas; expor a criança a situações nas quais ela se sinta insegura só vai causar mais medo, ansiedade e insegurança. Todos nós tivemos em alguma fase da nossa vida, alguns medos, sem qualquer razão aparente, que acabámos por ultrapassar. O medo é uma emoção básica, que nos coloca em alerta e nos prepara para nos defendermos perante a percepção de perigo.

 

É natural que uma criança que vai à praia pela primeira vez se sinta pouco à vontade neste ambiente que, para ela, é completamente novo. O cérebro recebe toda a informação através dos sentidos e é esta integração sensorial que permite a criança adaptar o seu comportamento às novas situações com que se depara. Não podemos esquecer que a praia é um ambiente extremamente rico em estímulos sensoriais, aos quais a criança não está habituada.

 

Comece por “deixar” a criança conhecer e sentir as diferentes texturas que irá encontrar na praia; em casa, num ambiente que lhe é familiar e lhe transmite segurança, mostre-lhe a areia, deixe-a tocar, sentir…o mesmo com a água, no banho, no lavatório…

 

Quando têm medo do mar
Em primeiro lugar, tenha sempre presente que é necessário respeitar a criança. Vá devagarinho e tenha muita paciência; se a obrigar, estará a agravar o problema. Por vezes estes receios tornam-se mais graves, devido a situações de pânico em que as crianças foram forçadas a mergulhar ou a pôr os pés na água quando ainda não se sentiam preparadas para isso.

 

Algumas ideias:

– Em casa, tente recriar o som do mar, num ambiente que normalmente seja calmo e confortante para a  criança (pode utilizar um CD de relaxação com sons de mar, vento…);

– Ao lavar a cara, deixe a água escorrer normalmente; não passe a mão imediatamente para secar os olhos;

– Na hora do banho, use um regador de praia para brincar e deitar água devagarinho no corpo da criança, para que ela se acostume aos “salpicos”;

– Acostume a criança com água em movimento, seja no chuveiro ou mesmo na banheira, simulando pequenas ondas; pode até utilizar espuma de banho para simular a espuma das ondas do mar;

– Na praia, não vá para o mar assim que chega; deixe a criança acostumar-se com a areia molhada primeiro;

– Use uma piscina insuflável para brincar: o nível de água é baixo, o que permitirá que a criança se sinta mais segura;

– As bóias ou braçadeiras são apoios que transmitem alguma segurança, mas é importante que a criança aprenda a equilibrar-se com elas; pode utilizá-las mesmo que a criança fique apenas à beira-mar.

Água é diversão, não é obrigação! Nunca force uma criança que tem medo da água a mergulhar; ela tem de se sentir segura e estar convencida de que a água não oferece perigo. Todas as crianças são diferentes e cada uma tem o seu ritmo próprio para enfrentar os desafios!
Quando não gostam da areia
Há crianças que simplesmente não gostam de sentir a areia. Não só pela sua textura, mais ou menos áspera, mas também pela falta de solidez no contacto com os pés, que condiciona o equilíbrio estático e dinâmico; a areia é mole e para a criança parece que o “chão está a fugir”. Mais uma vez é necessária muita paciência e nunca forçar a criança.

– Em casa, deixe a criança experimentar pisos diferentes (chão de madeira, alcatifa, azulejo…) e, se tiver oportunidade, vá a parques ou ao campo e deixe-a experimentar e sentir a relva, a terra…;

– Deixe-a escolher os seus brinquedos preferidos para levar à praia;

– Utilize uma toalha grande e sente a criança no meio, de forma a não tocar na areia; faça algumas brincadeiras e aos poucos vá introduzindo jogos com areia;

– Experimente calçar-lhe umas meias, minimizando assim o contacto dos pés com a areia;

– Prepare algumas brincadeiras para fazer na praia, como fazer desenhos com um pauzinho, depois desenhar com o dedo, construir castelos na areia, fazer bolinhos…deixe-a fazer buracos, “esmagar” construções, gatinhar/andar para chegar a alguma coisa.

Aos poucos, e com a sua ajuda, a criança vai descobrir que a areia é divertida!.

CONCLUSAO
A paciência e a compreensão são fundamentais para acompanhar o seu filho nestas situações de medo.

Brinque com o seu filho! Com experiências divertidas é mais fácil enfrentar as situações onde surge o sentimento de medo.

O melhor é mesmo começar por caminhar na areia molhada, sentir a água a molhar os pés, fazer desenhos na areia, ouvir o som do mar, ver as gaivotas, apanhar conchas para brincar… e acima de tudo, divertir-se com o seu filho!!

 

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