Porque se perdem as crianças


É quase impossível não perder de vista uma criança por breves instantes que seja. Em todas as famílias já aconteceu algum episódio onde, por breves momentos, deixaram de saber onde está a sua criança, seja no supermercado, na rua, na praia… Geralmente, é uma ocorrência de segundos ou breves minutos mas para os pais estes momentos parecem uma eternidade! O mais importante é tentar prevenir estas situações e preparar-nos para lidar com elas quando acontecem.

As crianças são estimuladas constantemente, principalmente quando estão em locais onde tudo é novo e parece interessante para explorar e conhecer melhor. É muito fácil para a criança se entusiasmar, acabando por ir atrás de algo que viu perdendo a noção do tempo, da segurança parental e da distância, acabando por se perder.

Estas situações ocorrem em situações de segundos, basta uma distracção, um olhar mais prolongado numa estante de supermercado, ou no saco da praia enquanto se procura o protector solar.

As crianças necessitam de uma atenção quase a 100%, o que muitas vezes é difícil de conseguir. Desta forma existem várias estratégias para tentar lidar com estas situações. Temos por exemplo os localizadores, que podem ser uma solução, mas também as conversas prévias e a responsabilização das crianças são um mecanismo fundamental antes de sair com as crianças à rua.

É importante conversar com a criança em casa e explicar-lhe os comportamentos que deve ter, explicar as como deve lidar caso aconteça sentir-se perdida. É importante dizer à criança que não se deve afastar dos pais, que pode perder-se e que se fica triste caso algo lhe aconteça. Depois, é fundamental explicar que, caso não encontre o pai ou a mãe, deve procurar algum polícia, algum funcionário da loja ou o nadador salvador, consoante esteja na rua, na praia ou num centro comercial por exemplo.

Este trabalho de prevenção deve ser feito desde logo, pois as crianças conseguem interiorizar estas regras e aprender a responsabilizar-se, tornando mais fácil as saídas e os passeios com elas.

Mas não existem só aspectos referentes às crianças. Os pais e familiares, para além de uma atenção constante devem também  aprender algumas estratégias para conseguir manter a calma e lidar com a situação de forma a ser um “desaparecimento” rápido.

Assim, é importante ter em conta algumas orientações:

– Primeiro tentar manter a calma e respirar fundo.

– Olhar em volta e tentar perceber quais os sítios que seriam mais interessantes para a sua criança.

– Fazer o percurso inverso e tentar aferir se a criança não ficou retida com alguma distracção no caminho

– Se estiver dentro de um estabelecimento, dirigir-se aos vigilantes ou aos funcionários e pedir apoio, de forma a chamarem pelo altifalante ou tentarem ajudar na procura.

– Geralmente, quando a criança percebe que está perdida, pára e chora. Por isso, tentar encontrar pessoas que ajudem na procura, separando-se por diferentes direcções.

– Quando encontrar a criança é importante dar-lhe segurança e conforto em vez de se zangar. A criança está angustiada e ansiosa, é fundamental recuperar a estabilidade emocional.

– Posteriormente, em casa ou num sítio acolhedor e de forma tranquila deve explicar à criança que também ficou preocupado e que é importante não se afastar para que não volte a acontecer. Consoante a idade, é importante explicar os perigos mais ou menos pormenorizados. Por um lado, referindo que nem todas as pessoas são de confiança, mas ao mesmo tempo, as figuras de autoridade são uma boa fonte de apoio.

Outros aspectos a ter em consideração são por exemplo, ter a criança identificada com o nome e um contacto dos pais (pode ser na etiqueta da roupa por exemplo), sempre que possível ter a criança pela mão, na praia ter brinquedos por perto para manter a criança entretida, ter roupa colorida ou que se destaque quando está no meio das outras crianças ou em situações de grande confusão.

É nas férias que acaba por se perder mais crianças. Isto prende-se bastante com o facto de as crianças estarem em locais que não conhecem, as rotinas são diferentes, existem mais estímulos que atraem as crianças e as fazem dispersar, mas é também a altura de “férias” para os pais onde estes ficam mais descontraídos.

A realidade de que as crianças se perdem é irredutível, assim como muitas se encontram nos minutos seguintes a um valente susto. Assim, o fundamental é conseguir trabalhar com as crianças possíveis situações bem como estratégias de como actuarem, e tentar estar sempre atenta e preparado para agir com alguma tranquilidade, caso aconteça.

Se por um lado, os localizadores permitem uma segurança, pois é possível encontrar a criança através de um sistema de GPS, a qualquer hora em qualquer momento, por outro lado, não devem ser vistos como solução única pois podem tornar-se demasiado invasivos não dando a possibilidade à criança de, uma forma mais autónoma, aprenderem a lidar com os imprevistos e a responsabilizarem-se pelos seus comportamentos. Este carácter mais positivo dos localizadores, que descansam os pais, podem, à medida que a criança vai crescendo, ser visto por ela como uma punição ou ausência de confiança neles próprios.

 

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