Jogos de trazer por casa para desenvolver o seu filho

O crescer de uma criança no seio familiar equilibrado, estimulante e afectuoso é fundamental para o seu desenvolvimento saudável. Cabe aos pais, na interacção com os filhos, permitir à criança uma descoberta de si e do seu meio envolvente de uma forma diversificada e securizante.

Enquanto bebés, até ao 1º ano de vida, as interacções pais-filhos focam-se muito no contacto físico, no olhar, nos sons, no experienciar as diferentes texturas, no tomar contacto com o mundo pela primeira vez. Por esta altura é importante os pais falarem muito com as crianças, interagirem de modo a que a criança se vá habituando a diferentes contextos, diferentes tons de voz, e principalmente vá conhecendo as pessoas que cuidam dela.

É durante a primeira infância que se adquirem as bases para todas as aprendizagens na medida em que, é até aos 6 anos que, se estimula e inicia o crescimento cognitivo, o desenvolvimento da linguagem, das capacidades motoras, das competências sociais e emocionais. É o modo como estas se vão desenvolver que, muitas vezes, prevê o bom sucesso escolar e social futuro. Assim, nesta fase os jogos devem ser mais estimulantes e evoluídos de forma a que estes sejam o suficientemente desafiantes para aumentar a sua adesão. Jogos como o faz de conta, as construções e os encaixes das peças, o canto e a dança, a bola, as corridas, o jogo da apanhada e das escondidas, os jogos das cordas, o desenho, o brincar com as cores, o começar a andar de triciclo, o brincar aos pais e às mães, as plasticinas e o barro, etc., são tudo jogos que vão estimulando ao nível das competências cognitivas e motoras que vão permitir à criança aprender a relacionar-se com os seus pensamentos e com o seu corpo.

Quando estamos reunidos em família a peça fundamental é então a disponibilidade de estar com a criança, pois a partir daí as brincadeiras surgem. Podemos utilizar os brinquedos existentes como os puzzles, os legos, as bonecas, as ferramentas, os encaixes, os carrinhos, as histórias, a música, etc., ou pegar numa folha e criar uma história por desenhos, por palavras, ou fazer um concurso de mimica ou de canto. É possível ainda jogar com o alfabeto e ver quem sabe mais nomes próprios, frutas, países, marcas, ou pegar na plasticina e brincar aos cozinheiros.

Nos jogos do faz de conta toda a família pode tornar-se actor/ actriz e desempenhar um papel diferente, podemos ser médicos, pais, jardineiros, cozinheiros, professores, agricultores… com este jogo ensinamos às crianças novas realidades, novos pormenores de cada profissão, ensinamos que todas as pessoas são importantes e que todas as actividades são importantes.

Estimular a criança começa na relação e no afecto que é transmitido, passando pelos limites e regras que ensinam a criança a lutar pelas coisas, a tolerar a frustração, a dar valor a si e aos outros! Permite desenvolver o espírito crítico, o pensamento abstracto e as competências cognitivas.

Nos tempos que correm, muitos pais encontram grandes dificuldades em conseguir ter tempo disponível para estar com os filhos, pois com o excesso de trabalho e com a pressão da sociedade diária torna-se difícil fazer grandes planos. Contudo, é possível despender tempo de qualidade interagindo com os filhos, partilhando bons momentos, sem ser necessário muitos recursos ou um tempo muito prolongado.

Para o desenvolvimento abrangente das crianças, é fundamental que estas sejam estimuladas, não só ao nível cognitivo, mas também na relação com os outros, sejam eles os irmãos, pais, avós, ou mesmo os amigos, ao nível físico,…. É enquanto crianças que todos se deparam pela primeira vez com as dificuldades dos jogos, com a frustração de não saber, de não conseguir e com o perder. Estas experiências podem ser difíceis, e os pais podem, vivenciá-las com os filhos, de forma a serem modelos na gestão emocional destas dificuldades, transformando-as na alegria das conquistas e aprendizagens.

Ao falarmos com as crianças e lhes perguntamos o que gostam de fazer nos tempos livres, estes focam-se em jogos electrónicos como o computador, playstation, Wii, etc., acabando os pais por estarem mais ausentes de partilhar estes momentos com os filhos. No entanto, este tipo de jogos também pode ser uma boa forma de passar tempo com os seus filhos, até porque, muitas vezes, os papeis invertem-se e são os filhos a ensinar estratégias aos pais de como ganhar os jogos. Isto dá aos filhos um papel de destaque o que os faz sentir reconhecidos e confiantes.

As actividades são diversas e os jogos electrónicos não são de todo a única resposta, jogos como as cartas, jogos de tabuleiro (damas, xadrez, 4 em linha, pictionary, part&co, monopólio, etc), puzzles, legos, palavras cruzadas, sudokus, são tudo jogos didácticos que estimulam os seus filhos e permitem passar um tempo de lazer e de qualidade em família.

Também as brincadeiras típicas das bonecas, dos carrinhos, dos desenhos são também actividades que vão estimular a criança na forma como interagem com o jogo e com o adulto.

Existem ainda uma vasta gama de jogos que todos nós adultos jogámos na infância e que não necessitam propriamente de material, sejam eles os jogos dos países, dos nomes, da memória, etc., são tudo jogos que vão potencializar a capacidade da criança de elaborar informação, trabalhar a memória, a atenção e a criatividade.

As crianças adoram poder passar tempo com os seus pais sentindo-se desafiados e valorizados em cada conquista e aprendizagem nova que realizam. No fundo, o que importa é encontrar momentos onde pais e filhos consigam estar entregues uns aos outros de uma forma tranquila, afectuosa, aceitante e estimulante.

 

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