birras

No passado dia 30 de Janeiro, dinamizamos no Colégio “O Parque do Falcão” a Formação sobre “As Regras na Infância- Birras”.

Muito bem acolhidos foi notória a preocupação da própria instituição em planear este tipo de atividades e fazer com que os Encarregados de Educação venham até à escola dos seus filhos e partilhem experiências e troquem conhecimentos. A presença de educadores e funcionários do próprio colégio na formação também facilitou a passagem de conhecimentos e informação acerca das crianças em questão.

Os momentos de interação existentes entre o grupo foram muito positivos e produtivos, sentimos que o tema da importância das regras logo desde tenra idade, quer em contexto escolar, social ou familiar, foi um bastante emotivo, incluindo os jogos como forma de incutir mais facilmente a regra, as implicações que a ausência de regra na infância pode ter, e as estratégias que se podem utilizar para facilitar a introdução da regra e do limite numa primeira infância.

Também discutimos em conjunto o que é uma Birra, o porquê da Birra e o que fazer perante uma Birra, em que a partilha de informação foi mútua e é sempre uma óptima sensação quando sentimos que podemos ajudar e crescer com as experiências uns dos outros.

sexualidade-jovensideiais1

sexualidade-jovensideiais1A adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição da infância para a idade adulta e é caracterizada por mudanças a diversos níveis: alterações do corpo, dos pensamentos, dos ideais, um período de descoberta de si próprio e dos outros que o rodeia, momentos onde as expectativas que recaem sobre cada um dos jovens se tornam maiores e onde, na realidade, palavras como “responsabilidade” e “independência” se tornam presentes no dia-a-dia.

De uma forma optimista, poderíamos cair na tentação de sentir que é uma fase fácil, onde tudo acontece da melhor forma, onde se começa a ter mais liberdade, existindo a hipótese de fazer o que se quer e onde as palavras do adulto não fazem muitas vezes sentido. Na realidade, toda a liberdade acarreta consequências, escolhas, responsabilidades, e deste modo, esta fase de desafios é por si só complexa e delicada.

A descoberta de si próprio, o lidar com as alterações do corpo, o descobrir o interesse no sexo oposto, o lidar com opiniões diferentes das nossas, o vivenciar situações em que nos sentimos diferentes dos outros e por vezes mesmo rejeitados, torna esta conquista da adolescência uma etapa árdua e em diversas ocasiões bastante dolorosa.

Se dedicarmos um pouco da nossa atenção aos meios de comunicação, constatamos que desde as revistas às telenovelas, toda esta vivência da adolescência é quase como que representada diariamente. Os jovens tomam contacto com temas como a droga, o álcool, o sexo, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez na adolescência, etc.. Esse contacto é feito muitas vezes de uma forma quase que leviana, e sem se aperceberem da importância de cada um deles, das suas consequências e principalmente da forma como se podem proteger e avançar para novas experiências de uma forma segura.

Conhecendo as mudanças que estão presentes neste período das nossas vidas, e sabendo que muitas das vezes se fazem coisas para as quais ainda não se está preparado, torna-se também difícil para os pais lidar com os filhos adolescentes. Como se sentem os pais quando os filhos pedem para ir a uma festa na próxima 6ª feira à noite? Mil pensamentos lhes ocorrem e a realidade de que não os podem proteger para sempre é assustadora. No entanto, proibir ou tentar esconder o jovem destes contextos revela-se muitas vezes ineficaz e prejudicial.

É durante a adolescência que os jovens dão o primeiro beijo, têm o primeiro namoro, iniciam a sua vida sexual. E desenganem-se se ainda pensam que até então é algo que os jovens nunca pensaram nem nunca se questionaram, simplesmente a vontade de ser a vez deles de começar tornou-se presente.

É a altura de se sentirem apaixonados, atraídos pelo outro, de sentirem vontade de estar com o elemento do sexo oposto, de se sentirem aceites, de dar significado às sensações físicas que passaram a sentir e de iniciar realmente a sua vida sexual. É nesta descoberta do outro, nas brincadeiras de ambos, nas “curtes” que cada jovem se sente mais seguro, mais aceite, mais confiante de si e que percebe quais as suas capacidades. Começa a entender que é algo que se partilha a dois, e principalmente que tem a oportunidade de ver que a vontade própria, por si só, já não é suficiente.

É uma fase com duas caras! Quando as coisas correm bem, sentem-se amados e valorizados, começando a criar uma auto-imagem segura e confiante. Se por outro lado, estas coisas correm menos bem e se sentem desvalorizados, iniciam também as dúvidas sobre si próprio, tendem a sentir-se rejeitados, inferiores e a desenvolver mesmo uma imagem errada de deles mesmos acompanhada por uma baixa auto-estima.

Mas se toda esta experiência da sexualidade é algo recheada de coisas boas e más, se é algo que faz parte da auto-descoberta e do desenvolvimento como pessoas, se é algo que marca o futuro de cada jovem, não só ao nível da própria identidade, mas na forma como se irão relacionar com os pares daí em diante, podemos deixar os nossos jovens sozinhos neste processo? É fundamental existir um apoio para estes jovens, criando-lhes oportunidades de falar/conhecer as mudanças físicas que vão ocorrer, de ouvir experiências de outros pares, de desenvolver conceitos, como sendo, o da paixão, o do amor, e de enraizar questões como amizade, respeito, relação e compromisso.

Quando abordamos o tema da sexualidade não é apenas falar da parte biológica, falamos do início do contacto com os outros, falamos também de expectativas que cada um cria sobre si próprio, sobre a forma como vai ser aceite, como vai ser capaz de conquistar o que pretende. Pensamos ainda na pressão sentida relativa ao desempenho, à desilusão se algo corre mal, ou simplesmente ao sentimento de rejeição quando não se é correspondido.

Estes aspectos acabam muitas vezes por passar mais despercebidos, pois falar sobre os contraceptivos já vai sendo algo mais casual, falar dos receios e preocupações do momento, falar da experiência menos boa, do que sentimos quando o outro não nos escolhe, é algo mais complicado. É assim importante, ajudar os adolescentes a aprenderem a lidar com as próprias emoções, a perceber o que estas lhes dizem, levando-os a falar sobre as mesmas. Uma ideia importante a passar-lhes é que, quando iniciamos uma etapa nova, quando nos deparamos com algo que queremos muito, ou apenas quando algo é importante para nós, é natural sentirmos ansiedade. É também frequente as coisas acontecerem diferente do desejado sendo comum por vezes fecharmo-nos dentro de nós porque tudo aconteceu de forma “errada”.

A adolescência é caracterizada por sentimentos ambíguos, por dúvidas, por medos, por expectativas… nem sempre quando se é adolescente, temos aquele corpo que desejamos, ou não temos aquele à vontade para conquistar o grupo, nem sempre conseguimos despertar a atenção do outro como gostaríamos… por isso, é importante manter a calma se de repente tudo parece correr mal, provavelmente, o amigo que se encontra ali ao lado, sente precisamente o mesmo, apenas também não consegue falar sobre isso.

Assim, a adolescência e toda a descoberta que é feita por cada um, tanto ao nível da sexualidade, como ao nível da pessoa que se quer tornar, não tem de ser algo tão difícil, nem tem de ser um percurso solitário. Os amigos sentem o mesmo! E podem sempre encontrar alguém com quem falar sobre o assunto.

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A Clínica da Educação efectuou uma parceria com o ACP – Automóvel Clube de Portugal. Através desta parceria os sócios do ACP têm um desconto nas nossas consultas de Psicologia, Terapia da Fala, Pedopsiquiatria, Apoio Terapeutico-Pedagógico, Gabinete de Apoio Família, Avaliação Psicológica de Condutores e das nossas formações.

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A ideia de que ser mãe é algo intuitivo e acontece instantaneamente desde o momento em que se recebe a notícia que se está grávida, é um pré-conceito que após o parto pode causar alguma angústia às mulheres que, demoram o seu tempo a sentirem “aquela” tão falada ligação entre mãe e filho.

Na sociedade, e apesar das diferentes culturas, o papel materno está muito enraizado na ideia que cada mulher é dotada para ser mãe e que naturalmente se responde às necessidades do bebé e se ama incondicionalmente.

Ao longo dos nove meses, com esta ideia marcada de que para activar este instinto materno, basta ser-se mãe, muitas expectativas vão sendo criadas e um turbilhão de sentimentos invade cada mulher num misto de grande felicidade e alguma ansiedade pelo momento em que podem ter o seu bebé nos braços.

No entanto, a realidade é bastante diferente. Por um lado, o período da gravidez é rico em grandes mudanças, tanto ao nível físico e hormonal da mulher, como das dinâmicas relacionais que estabelece ou mantém com companheiro ou seio familiar. Durante esta altura, os medos de que algo possa correr mal, e a ansiedade de garantir que se cuida o melhor, desde logo, da criança que aí vem, torna esta fase por vezes bastante intensa. A forma como a mulher vai gerindo cada etapa vai ajudar a prepará-la para quando der à luz o seu filho. No entanto, da idealização que se cria na mente de cada mulher, ao impacto de quando se vê e se pega nos braços o próprio bebé, vai um longo caminho de emoções na sua maioria indiscritíveis.

Se por um lado, automaticamente se pode sentir um preenchimento interior, um encher de felicidade, quase um ter cá fora um pedaço de si… por outro lado, por vezes a angústia de não se sentir logo tudo isto pode deixar a mãe com sentimentos de culpa e de incompetência que poderá tornar toda a adaptação entre mãe-bebé mais difícil.

Seja num caso ou no outro, a aprendizagem da relação mãe-bebé vai ocorrendo à medida que os dias vão passando e a mãe vai dando resposta às necessidades básicas da criança (seja alimentação, do sono, do colo, do afecto, da higiene…).

O tão chamado instinto materno, com o qual todas as mulheres pensam nascer, trata-se apenas de uma das partes da relação mãe bebé. Responder às necessidades básicas de sobrevivência é um aspecto que se vai aprendendo e desenvolvendo à medida que se vai conhecendo o bebé e se vai compreendendo o seu choro, a sua calma ou irrequietude. Por outro lado, o amor de mãe, a ligação forte e inquebrável que também se idealiza que se sente logo, vai sendo construído na partilha de cada momento entre mãe-bebé. Mesmo o amor por um filho, apesar de para algumas pessoas surgir mais rápido e parecer que sempre esteve lá, será sempre alimentado num cuidar e num amar diário que permitirá fortalecer a relação e o vínculo que se irá prolongar o resto da vida.

Desta forma, percebemos que tanto o instinto como o amor de mãe, que para algumas pessoas parece existir logo, não tem de acontecer sempre. E quando não acontece, isso não significa que estamos perante más mães ou más mulheres. Apenas implica que a aprendizagem seja mais completa ao longo do tempo. Não é a existência ou não de uma ligação desde o primeiro momento em que se olha para um filho, que vai determinar uma melhor ou pior relação, ou um maior ou menor amor, ou um melhor ou pior cuidar.

Cada bebé é único, cada mãe é única, e cada relação mãe-bebé é especial e individual. É impossível comparar relações, sendo o sentimento após o nascimento de cada filho (no caso de mulheres que já vão no segundo ou terceiro filho) diferente e a relação que se vai criar, o laço, o amor que se vai construir será também diferente.

O mais importante é que a mulher / mãe que não sente logo esta conexão com o seu bebé, não se julgue nem se critique, e apenas olhe para a nova relação como um desafio onde os dois vão crescer muito e vão aprender muito na partilha de cada momento, de cada interacção.

Ser mãe é mais do que carregar um bebé dentro de si durante nove meses, ter um instinto maternal apurado ou sentir uma ligação imediata com o seu bebé. Ser mãe e amar um filho é construir uma relação forte, segura, com cuidados, com limites, com valores, onde é possível educar a criança valorizando o seu esforço em fazer e aprender, onde o tentar é valorizado, onde as conquistas são celebradas, onde as dificuldades não são esquecidas mas vistas como desafios a ultrapassar…

Ser mãe é começar por pegar ao colo, depois caminhar de mão dada, em seguida lado a lado e por fim, caminhar por perto relembrando que estará sempre lá de braços abertos para celebrar, para apoiar e para amar incondicionalmente!

 

Babies play with toys

O que devemos oferecer ao bebé para que se entretenha e estimule o seu desenvolvimento?

 

As brincadeiras e os brinquedos são essenciais para o desenvolvimento das crianças desde tenta idade. É de forma lúdica e interativa que vão assimilando as suas primeiras aprendizagens e que vão dando significado às várias vivências do seu dia-a-dia.

As brincadeiras são a base do crescimento e do desenvolvimento dos bebés e é desde o seu nascimento que começam a desenvolver a sua perceção (visual, auditiva e tátil), de acordo com os estímulos que recebem e da forma como interagem com eles. O seu primeiro brinquedo é o próprio corpo e é através dele que vão conhecendo o mundo, procurando outros brinquedos a explorar e adquirindo competências que lhe vão permitindo, progressivamente, experienciar melhor o seu entorno: começa por conseguir manipular os objetos, vai adquirindo a capacidade de se locomover e seguidamente consegue mexer e manusear, não só os objetos que lhe estão próximos como também os que lhe estão distantes. As suas brincadeiras permitem-lhe também estimular as suas várias capacidades, progressivamente e ao seu ritmo, complexificando as suas competências globais e a forma como resolve os problemas com que se depara.

Ao longo dos últimos anos, vários investigadores têm vindo a demonstrar a importância do jogos e das brincadeiras para o desenvolvimento cognitivo dos bebés desde tenra idade. Tal facto é explicado porque a aquisição do conhecimento deriva da interação da criança com o sei meio. Durante as brincadeiras o bebé vai incorporando o mundo à sua maneira e vai interpretando a realidade que a circunda  de forma ativa, agradável, envolvente e interativa, fomentando o seu desenvolvimento intelectual.

Durante as brincadeiras, as crianças exploram regras e definem limites, ao mesmo tempo que estimulam a sua capacidade criativa e a imaginação. É também através das brincadeiras que as crianças vão desenvolvendo a sua capacidade empática, isto é, que vão aprendendo a colocar-se no lugar dos outros e a perceber os seus pontos de vista.

As brincadeiras são também a forma preferida do bebé desenvolver as suas habilidades cognitivas umas vez que lhe permitem estimular o seu imaginário infantil, ampliar a perceção de si, dos outros e do mundo, fomentar a sua curiosidade e a sua autonomia, ao mesmo tempo que proporcionando o desenvolvimento da linguagem, do pensamento, da concentração e da atenção”.

A escolha dos brinquedos ideais para cada bebé vária de acordo com a idade, com o grau de maturidade e com os gostos apresentam desde pequenos. Estes devem permitir treinar as suas habilidades e suscitar o seu interesse pelo brinquedo, proporcionando ao bebé o prazer de o explorar. Os primeiros brinquedos (extra corporais) a chamar a sua atenção, são os que estimulação a sua perceção sensorial – nestas idades os brinquedos com diferentes cores, sons, texturas são habitualmente os seus preferidos e permitem, respetivamente, estimular a sai visão, audição o seu tato.

Um brinquedo bem escolhido permite aperfeiçoar a coordenação motora, estimular a fala e a inteligência e desenvolver habilidades gerais potenciando um bom desenvolvimento afetivo, cognitivo e social de cada criança. Durante as brincadeiras as crianças estimulam também as suas capacidades simbólicas e, desta forma, através dos jogos do faz de conta, testam e experimentam diferentes papéis sociais, exprimem a agressividade, aumentam as experiências e elaboram as experiências traumáticas vividas. É também nas suas brincadeiras que exteriorizam os seus medos e angústias e encontram estratégias para lidar com as suas emoções.

Na hora de escolher um brinquedo

Ao pensar em adquirir um brinquedo é fundamental pensar nele como uma ferramenta útil para potenciar o desenvolvimento da criança a quem o vai oferecer. Neste sentido, é fundamental que ele se adeque à sua idade, aos seus gostos e que seja apropriado para o seu nível de desenvolvimento. No entanto há que considerar que os brinquedos também têm limitações, que vão desde os materiais com que são feitos, ao tamanho das suas peças e às suas especificidades próprias.

Muitos dos brinquedos preferidos das crianças são objetos caseiros, que estão habituadas a ver os adultos utilizar e que, por isso mesmo, vão despertando a sua curiosidade e vontade de os explorar.

Quando a opção é adquirir, a primeira regra está em perceber o valor real dos brinquedos, comparando o prazer que eles vão suscitar à criança comparado com o custo envolvido. Há que ter em consideração que nem sempre os brinquedos mais caros são os mais satisfatórios.

A segunda regra está relacionada com a resistência do brinquedo. Por muito interessante e estimulante há que considerar se podem ser explorado pela criança sem quebrar minutos depois – para além de ser uma mau investimento, poderá ser frustrante para a criança ter brinquedos com os quais não pode brincar ou que se estragam com facilidade nas primeiras brincadeiras.

Há também que ter em conta que cada criança tem o seu tipo de brinquedo preferido. Embora não se deva cingir apenas aos seus gostos e lhe deva proporcionar experiências variadas, se a criança não se interessar pelo brinquedo, não o irá explorar.

É fundamental que os brinquedos sejam adequados à idade e à maturidade de cada criança. Para além das sugestões dos fabricantes há que pensar se o brinquedo em questão pode desafiar o bebé e suscitar a sua curiosidade (e não frustrá-lo). Por muito interessante que seja o brinquedo, se não estiver ajustado às habilidades da criança, por ser demasiado infantil ou exigente, será um mau investimento.

Os brinquedos devem também ser seguros, de materiais adequados e com tamanhos que não impliquem qualquer tipo de perigo para as crianças. Os brinquedos devem ser inquebráveis e atóxicos, de preferências fáceis de lavar e sem contornos pontiagudos. Devem ter um tamanho suficiente para que a criança não os introduza no nariz ou nos ouvidos e não o tente engolir. Em caso de dúvida deve inspecionar o brinquedo antes de o dar à criança e observar as primeiras vezes em que ela brinca com este.

Os brinquedos devem ser dados à criança com moderação, sem excessos. Ter demasiados brinquedos ou receber muitos de uma vez provoca atitudes de menosprezo e de falta de interesse pelas brincadeiras.

 

Brinquedos ajustados a cada idade

 

– dos 0 aos 12 meses os brinquedos devem procurar estimular a perceção visual, auditiva e tátil dos bebés. Neste sentido os jogos devem ser coloridos, com diferentes formas e com sons, ritmos e musicas e com texturas distintas. Os brinquedos devem ter cores vivas, sons melódicos e atraentes, texturas interessantes e variadas. Nestas idades os bebés ficam também fascinados com objetos que se movem e que dão vontade de tocar, segurar e manipular. De entre os possíveis exemplos salientam-se: os chocalhos, os peluches e os bonecos, os móbiles (excelentes para desenvolver a capacidade de atenção e a habilidade de seguir visualmente os objetos) e as bolas (com diferentes texturas).

 

– a partir do primeiro anos é fundamental estimular a motricidade global, o equilíbrio e a linguagem. Os jogos de encaixe e de emparelhamento de formas e as histórias são duas das atividades adequadas a esta faixa etária. Pode ainda recorrer-se a brincadeiras em que a criança tenha que imitar ritmos e sequências de gestos simples. Os jogos que envolvam habilidades motoras, tais como empilhar objetos, encher carrinhos com blocos, saltar e equilibrar-se são muito importantes, principalmente a partir dos 2 anos. Durante este período começam também a apreciar livros com ilustrações de objetos familiares.

 

– a partir dos 3 anos é fundamental estimular a motricidade fina e as pre-competências académicas, as brincadeiras de grupo e as pré competências de leitura e de calculo. Os vários jogos devem permitir começar a trabalhar a noção de numero (o loto),  a memória (pares de imagens), a motricidade (plasticina e legos)

 

– a partir dos 5 anos é fundamental estimular a capacidade de leitura, a motricidade fina, e a logica. Devem estimular-se as habilidades psicomotoras, incluindo a coordenação entre o olho e a mão e o desenvolvimento da habilidade dos dedos e das mãos, através de brinquedos de montar e desmontar mais complicados, blocos de tamanhos e formas diferentes e jogos e quebra-cabeças simples. Nesta faixa etária é frequente que muitas das brincadeiras das crianças espelhem o seu interesse por imitar o mundo dos adultos (as cozinhas, os médicos são algumas das atividades habituais deste período)

 

No entanto é importante salientar que o mais importante não é a quantidade de brinquedos que cada criança tem mas o tempo que os pais passam a partilhar com eles as suas brincadeiras.

 

maninho

O nascimento de um bebé no seio de uma família é sempre um momento de mudança, onde o casal deixa de ser apenas marido e mulher, namorado e namorada, companheiro e companheira… e passa a ser pai e mãe. Todas as atenções são focadas no novo elemento que entra na família… amor, expectativas, sonhos, cuidados, experiências, sustos e alegrias, são alguns dos aspectos com que os pais se deparam quando o bebé chega.

E depois desta criança ser o centro das nossas vidas, como prepará-lo quando o desejo de ter mais uma criança surge e a mulher engravida? Muitos medos e dúvidas surgem nos pais: como é que ele vai reagir? Como é que ela se vai sentir? Será que ele vai ficar com muitos ciúmes? E agora, o que fazemos de diferente? Vamos sempre gostar dos dois, como fazer para ele não se sentir triste? Nem excluídos?…

A primeira regra é respirar fundo, ter calma e normalizar a situação. Vem mais um bebé a caminho, mais um momento de felicidade, mais um elemento para preencher o seio familiar com novas aprendizagens, novas partilhas. Quanto mais tranquilos os pais estiverem e quanto mais integrarem o primogénito em todo o processo, mais fácil será para este quando o novo irmão chegar.

E como fazer esta integração? O primogénito será sempre o irmão mais velhos, será o braço direito dos pais, o que vai também ajudar os pais nesta nova integração. Ele pode participar na escolha dos brinquedos, das roupinhas, no que quer partilhar das suas coisas com o novo bebé, pode ajudar a preparar o quarto da nova criança que vem a caminho, etc. A criança deve assumir um papel de irmão mais velho que vai ajudar a cuidar, vai proteger e em quem nós confiamos porque amamos muito.

Outro aspecto muito importante prende-se com as rotinas e as regras de casa. Não é por nascer um novo bebé que agora o primogénito vai ter regras diferentes. Podemos e devemos ser flexíveis mas as rotinas básicas são para manter, as regras. A criança pode participar na hora do banho, do amamentar, do mudar a frald, pode e deve estar presente em todos os momentos, receber na mesma muito colo, muito mimo, mas as regras são para manter.

Ao chegar uma nova criança, estamos em grande mudança, o primogénito precisa de sentir segurança e de que o medo que ele tem de que tudo mude e perca os pais, não aconteça. Para isso, tem de sentir que o essencial não mudou, apenas há mais uma criança para amar. Por isso se antes não permitiam birras, não é agora que se vai aceitar birras só porque está com ciúmes do bebé. Precisa de mais atenção, de sentir que ele terá sempre o seu lugar naquela família, que há espaço para os dois e que nenhum é substituível, mas precisa ainda de manter a estrutura com que tem crescido, com os valores e as ideias bases da sua educação.

Muitas vezes este processo é mais complicado pelo sentimento de responsabilidade dos pais, pelo receio de estar a falhar ao filho mais velho, por sentir algo como se o tivesse a trair obrigando a partilhar o seu tempo com mais uma criança, quando antes era o centro do seu mundo. Isto são medos, receios, ansiedades dos pais que estes têm de ir gerindo, tentando ao máximo não transmitir ao pequeno, pois na realidade, as crianças espelham em grande medida os próprios sentimentos dos pais, e se a carga emocional negativa se torna muito presente, estas também vão partilhar o mesmo sentimento.

Assim, o processo tem de ser simples e natural. Durante a gravidez, o primogénito vai acompanhar a mãe e o pai em todos os momentos. Nos preparativos da sua chegada, na escolha do nome, no sentir dos pontapés, na organização do cantinho do bebé, na escolha dos brinquedos, da roupa, de tudo. Claro que tudo isto é adequado à idade da criança. Quanto mais velha for, mais responsabilidade lhe pode ser incutida, não no sentido do adulto se desresponsabilizar, mas para lhe dar a ele um lugar de destaque, de confiança e de segurança.

Depois vai-se explicando o que está a acontecer ao longo da gravidez, vai-se falando de como vai ser, explicando de que ele próprio já esteve na barriga da mãe, que quando nascem são muito pequeninos, que só dormem e comem, mas que depois à medida que vão crescendo vão ser companheiros de brincadeiras, de jogos, de partilhas.

E quando nasce? Aí é tão desejado por pais como pelo irmão/irmã. E é integrar a nova criança na rotina já existente. Deixar o primogénito aproximar-se, tocar, “pegar” ao colo, dar beijinho, ver e ajudar a tomar conta, tornando-o parte dos momentos do bebé. Para além disso, é importante continuarem a existir momentos dos pais com o primogénito, continuar a fazer as coisas que sempre fez e que gosta, momentos em que todos estão reunidos, mas momentos individuais. As brincadeiras que sempre se tiveram entre mãe e filho, entre pai e filho… a hora do dormir e a história da noite, a hora do banho e a hora da comida. Estes momentos que sempre foram únicos devem continuar a existir.

Quando chega uma nova criança, esta passa a fazer parte da família mas a individualidade de cada criança deve ser mantida, e se as rotinas se mantiverem, se os momentos especiais e únicos da relação do primogénito com os pais se mantiverem, será muito mais fácil que o novo bebé seja aceite de forma plena, sem birras, sem ciúmes, sem grandes complicações.

A chegada de um novo bebé é uma nova fase de mudança para pais e irmãos, mas no fundo, tudo reside na naturalidade com que este é aceite, com que se gere as expectativas, os medos, as ansiedades, e se consegue manter uma relação de harmonia, paz, bem-estar e muito amor entre todos.