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No passado dia 30 de Janeiro, dinamizamos no Colégio “O Parque do Falcão” a Formação sobre “As Regras na Infância- Birras”.

Muito bem acolhidos foi notória a preocupação da própria instituição em planear este tipo de atividades e fazer com que os Encarregados de Educação venham até à escola dos seus filhos e partilhem experiências e troquem conhecimentos. A presença de educadores e funcionários do próprio colégio na formação também facilitou a passagem de conhecimentos e informação acerca das crianças em questão.

Os momentos de interação existentes entre o grupo foram muito positivos e produtivos, sentimos que o tema da importância das regras logo desde tenra idade, quer em contexto escolar, social ou familiar, foi um bastante emotivo, incluindo os jogos como forma de incutir mais facilmente a regra, as implicações que a ausência de regra na infância pode ter, e as estratégias que se podem utilizar para facilitar a introdução da regra e do limite numa primeira infância.

Também discutimos em conjunto o que é uma Birra, o porquê da Birra e o que fazer perante uma Birra, em que a partilha de informação foi mútua e é sempre uma óptima sensação quando sentimos que podemos ajudar e crescer com as experiências uns dos outros.

sexualidade-jovensideiais1

sexualidade-jovensideiais1A adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição da infância para a idade adulta e é caracterizada por mudanças a diversos níveis: alterações do corpo, dos pensamentos, dos ideais, um período de descoberta de si próprio e dos outros que o rodeia, momentos onde as expectativas que recaem sobre cada um dos jovens se tornam maiores e onde, na realidade, palavras como “responsabilidade” e “independência” se tornam presentes no dia-a-dia.

De uma forma optimista, poderíamos cair na tentação de sentir que é uma fase fácil, onde tudo acontece da melhor forma, onde se começa a ter mais liberdade, existindo a hipótese de fazer o que se quer e onde as palavras do adulto não fazem muitas vezes sentido. Na realidade, toda a liberdade acarreta consequências, escolhas, responsabilidades, e deste modo, esta fase de desafios é por si só complexa e delicada.

A descoberta de si próprio, o lidar com as alterações do corpo, o descobrir o interesse no sexo oposto, o lidar com opiniões diferentes das nossas, o vivenciar situações em que nos sentimos diferentes dos outros e por vezes mesmo rejeitados, torna esta conquista da adolescência uma etapa árdua e em diversas ocasiões bastante dolorosa.

Se dedicarmos um pouco da nossa atenção aos meios de comunicação, constatamos que desde as revistas às telenovelas, toda esta vivência da adolescência é quase como que representada diariamente. Os jovens tomam contacto com temas como a droga, o álcool, o sexo, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez na adolescência, etc.. Esse contacto é feito muitas vezes de uma forma quase que leviana, e sem se aperceberem da importância de cada um deles, das suas consequências e principalmente da forma como se podem proteger e avançar para novas experiências de uma forma segura.

Conhecendo as mudanças que estão presentes neste período das nossas vidas, e sabendo que muitas das vezes se fazem coisas para as quais ainda não se está preparado, torna-se também difícil para os pais lidar com os filhos adolescentes. Como se sentem os pais quando os filhos pedem para ir a uma festa na próxima 6ª feira à noite? Mil pensamentos lhes ocorrem e a realidade de que não os podem proteger para sempre é assustadora. No entanto, proibir ou tentar esconder o jovem destes contextos revela-se muitas vezes ineficaz e prejudicial.

É durante a adolescência que os jovens dão o primeiro beijo, têm o primeiro namoro, iniciam a sua vida sexual. E desenganem-se se ainda pensam que até então é algo que os jovens nunca pensaram nem nunca se questionaram, simplesmente a vontade de ser a vez deles de começar tornou-se presente.

É a altura de se sentirem apaixonados, atraídos pelo outro, de sentirem vontade de estar com o elemento do sexo oposto, de se sentirem aceites, de dar significado às sensações físicas que passaram a sentir e de iniciar realmente a sua vida sexual. É nesta descoberta do outro, nas brincadeiras de ambos, nas “curtes” que cada jovem se sente mais seguro, mais aceite, mais confiante de si e que percebe quais as suas capacidades. Começa a entender que é algo que se partilha a dois, e principalmente que tem a oportunidade de ver que a vontade própria, por si só, já não é suficiente.

É uma fase com duas caras! Quando as coisas correm bem, sentem-se amados e valorizados, começando a criar uma auto-imagem segura e confiante. Se por outro lado, estas coisas correm menos bem e se sentem desvalorizados, iniciam também as dúvidas sobre si próprio, tendem a sentir-se rejeitados, inferiores e a desenvolver mesmo uma imagem errada de deles mesmos acompanhada por uma baixa auto-estima.

Mas se toda esta experiência da sexualidade é algo recheada de coisas boas e más, se é algo que faz parte da auto-descoberta e do desenvolvimento como pessoas, se é algo que marca o futuro de cada jovem, não só ao nível da própria identidade, mas na forma como se irão relacionar com os pares daí em diante, podemos deixar os nossos jovens sozinhos neste processo? É fundamental existir um apoio para estes jovens, criando-lhes oportunidades de falar/conhecer as mudanças físicas que vão ocorrer, de ouvir experiências de outros pares, de desenvolver conceitos, como sendo, o da paixão, o do amor, e de enraizar questões como amizade, respeito, relação e compromisso.

Quando abordamos o tema da sexualidade não é apenas falar da parte biológica, falamos do início do contacto com os outros, falamos também de expectativas que cada um cria sobre si próprio, sobre a forma como vai ser aceite, como vai ser capaz de conquistar o que pretende. Pensamos ainda na pressão sentida relativa ao desempenho, à desilusão se algo corre mal, ou simplesmente ao sentimento de rejeição quando não se é correspondido.

Estes aspectos acabam muitas vezes por passar mais despercebidos, pois falar sobre os contraceptivos já vai sendo algo mais casual, falar dos receios e preocupações do momento, falar da experiência menos boa, do que sentimos quando o outro não nos escolhe, é algo mais complicado. É assim importante, ajudar os adolescentes a aprenderem a lidar com as próprias emoções, a perceber o que estas lhes dizem, levando-os a falar sobre as mesmas. Uma ideia importante a passar-lhes é que, quando iniciamos uma etapa nova, quando nos deparamos com algo que queremos muito, ou apenas quando algo é importante para nós, é natural sentirmos ansiedade. É também frequente as coisas acontecerem diferente do desejado sendo comum por vezes fecharmo-nos dentro de nós porque tudo aconteceu de forma “errada”.

A adolescência é caracterizada por sentimentos ambíguos, por dúvidas, por medos, por expectativas… nem sempre quando se é adolescente, temos aquele corpo que desejamos, ou não temos aquele à vontade para conquistar o grupo, nem sempre conseguimos despertar a atenção do outro como gostaríamos… por isso, é importante manter a calma se de repente tudo parece correr mal, provavelmente, o amigo que se encontra ali ao lado, sente precisamente o mesmo, apenas também não consegue falar sobre isso.

Assim, a adolescência e toda a descoberta que é feita por cada um, tanto ao nível da sexualidade, como ao nível da pessoa que se quer tornar, não tem de ser algo tão difícil, nem tem de ser um percurso solitário. Os amigos sentem o mesmo! E podem sempre encontrar alguém com quem falar sobre o assunto.

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Estímulos para o poder do cérebro ou danos para a mente? Será que os videojogos proporcionam às crianças a agressividade ou será que treinam capacidades de atenção vitais? Ou será que ambas as situações?

 

Para distinguir os benefícios dos malefícios, a prestigiada “Revista Nature”, com a ajuda de especialistas, defende que tudo depende do tempo que se utiliza nos videojogos e do tipo de videojogo, ou seja, se fizermos uma comparação com a alimentação mais adequada a ter, diríamos que existem alimentos mais nutritivos e outros que em excesso podem ser prejudiciais à saúde.

 

Jogos com corridas de automóveis de alta velocidade e jogos de batalhas e de disparos constantes revelam aumento da atenção visual, velocidade do processamento de informação e a mudança rápida de uma tarefa mental para outra. Foi verificado que vários jogos podem melhorar a acuidade visual e a perceção espacial, a mudança da atenção, a tomada de decisão e a capacidade de seguir objetos.

Mudanças cerebrais mais positivas podem ser obtidas através de jogos que ofereçam desafios cognitivos progressivamente mais difíceis, que exijam uma atenção completamente focada, o que leva a períodos de memória de trabalho cada vez maiores.

Segundo Douglas Gentile, Cientista Cognitivo no Media Research Lab, na Universidade de Iowa, quando temos de percorrer o ecrã para detetar pequenas diferenças e depois orientar a ação para essa área, melhoramos a capacidades de atenção, no entanto, acrescenta que estas capacidades não são transportadas com facilidade para outros contextos, ou seja, jogos com ritmos muito acelerados podem habituar algumas crianças a níveis de estimulação exagerados.

Embora os videojogos possam fortalecer a capacidade de atenção, pouco ajudam na capacidade para a aprendizagem, como o ter atenção nas aulas e compreender o que se lê e como essa aprendizagem se interliga com o que se aprendeu na semana passada ou no ano anterior.

 

Segundo autores como Craig A. Anderson, (2004) e John L. Sherry (2007), existe uma correlação negativa direta entre as horas que uma criança passa a jogar e o seu desempenho na escola, a dar início pelo tempo que a criança perde sem estudar. Um estudo efetuado em Singapura a 3034 crianças e adolescentes, acompanhados durante dois anos, concluiu que as crianças que jogam em excesso mostram aumento de ansiedade, depressão, fobia social e queda de resultados escolares. Quando essas crianças interrompiam o hábito de jogo, as situações diminuíam. O facto de as crianças estarem muitas horas a jogar faz com que o cérebro fique sintonizado para uma reação rápida e violenta.

Para evitar que as crianças cheguem aos psicólogos depressivas e ansiosas, com tendência a se isolarem e a sofrerem de fobia social, e, mais tarde, terem de ser medicadas para o efeito, é imperativo apostar mais na prevenção e permitir que as crianças se envolvam com as novas tecnologias, de uma forma gradual, ponderada e saudável, sem com isso perderem a noção da realidade.

É muito importante também esclarecer que muito depende da educação adequada ou não que se transmite à criança, visto que, embora os jogos violentos possam levar a criança a uma maior agressividade, os mesmos só por si, não transformam uma criança. É necessário que a educação e os valores transmitidos sejam os mais adequados, logo, cada criança é uma criança, pois cada uma vive uma realidade diferente, ou seja, uma criança vítima de maus tratos, sem uma noção plena do conceito de família, sem uma estrutura sólida do seu EU, pode ficar mais agressiva quando exposta constantemente e por tempo alargado à prática de videojogos, do que uma criança não vítima de maus tratos, com uma noção estruturada do conceito de família e mais segura de si.

Igualmente importante e preocupante são os jogadores violentos mostrarem menos preocupação quando testemunham pessoas a serem violentas a vários níveis, como no caso de intimidação em contexto escolar. Muitas crianças e jovens parecem, cada vez mais, deixar de se importar com o bem estar do outro. Além de estarem focados em si próprios, permitem que a violência e a agressividade ganhem cada vez mais espaço entre si. O Bullying muito falado nos nossos dias, é prova disso mesmo.

Os neurocientistas, em Foco de Daniel Goleman (2013), colocam a seguinte questão: “A longo prazo, o que provocarão estes jogos quanto às suas ligações neuronais e à malha social?”

Interessa acrescentar algumas outras questões: “Será que daqui a uns anos vamos ter as nossas crianças a festejarem os seus aniversários e a festejarem o final do curso através da internet, sem se olharem nos olhos, sem se tocarem e sem interagirem pessoalmente? Será que os videojogos vão conseguir que os nossos jovens deixem de se encontrar e ouvir a voz do outro?

Temos de ser nós, pais, professores e educadores a olhar pelos nossos filhos e alunos e a dar-lhes o necessário “com peso e medida”.

 

 

Artigo de opinião – Drª Inês Tapadas

(Psicóloga Clínica- Clínica da Educação)

Angry Mother Scolding Son At Home

Participação da nossa psicóloga Mónica Nogueira num artigo da revista Família Cristã, que passamos a transcrever.

 

Insegurança, fraca autoestima e autoconfiança em baixo. Estas são apenas algumas das consequências de um controlo excessivo por parte dos pais. Quisemos saber porque o fazem e quais os verdadeiros riscos, a longo prazo, deste comportamento tão usual nos dias de hoje.

 

A superproteção pode favorecer a obesidade nas crianças. A conclusão é de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), divulgado em 2012, segundo o qual os pais demasiado protetores e zelosos, e que passam aos filhos a ideia de um mundo ameaçador, tendem a causar-lhes ansiedade e stresse. Nesses casos, e sobretudo em relação às meninas, pode levá-las a procurar sensações de segurança e conforto, por exemplo, na comida. A lição que vamos poder tirar daqui é a seguinte: se desejamos o seu bem, devemos prepará-los para o futuro ao invés de nos tornarmos superprotetores.

Com base na sua experiência profissional, Vanda Ribas, educadora de infância há 16 anos, explica como se reflete esse «excesso de zelo» no dia-a-dia das crianças na escola: «Pouca autoestima, falta de autonomia, duas coisas que lhes farão falta na sua vida futura», exemplifica: «A autoestima reflete-se na sua relação com os outros e a autonomia (como estão sempre à espera que alguém faça as coisas por eles)» no facto de «não aprenderem a fazer as coisas, a fazer as suas próprias escolhas…» Na creche onde Vanda leciona usam o chamado Movimento Escola Moderna (MEM), o qual incentiva a participação das crianças na gestão da vida da sala e da escola. Mas muitas demonstram algumas dificuldades em assimilar esse tipo de práticas mais individualistas: «Ao ir brincar para a casinha (uma rotina do quotidiano da creche), ficam parados, à espera que lhes digam que podem ir», realça a educadora.

O bom senso não abunda e, por vezes surgem casos de pais que se assumem como «donos dos filhos». Segundo a opinião da psicóloga clínica Mónica Bento Nogueira, psicóloga clínica da Clínica da Educação, «não podemos assumir-nos, nos diferentes papéis que desempenhamos, como donos de ninguém». Pelo que afirma convicta de que «os nossos filhos não são nossos». Para a especialista em mediação familiar os pais «serão os facilitadores do seu crescimento e voo de autonomia, primeiro dirigindo, posteriormente orientando, apoiando e finalmente delegando». De acordo com a psicóloga clínica, «esta estratégia serve tanto para olharmos cada desafio diário da criança como o próprio desafio do desenvolvimento e crescimento».

Preparar a vida

Segundo a especialista em psicologia da educação Teresa Paula Marques, «o papel dos pais deverá ser no sentido de os preparar para a vida, permitindo que corram riscos (ainda que controlados). Um filho não é um bem material! Os pais deverão apoiar, ensinar, dirigir… Mas nunca viver a vida dos filhos. Só assim estes se poderão tornar adultos equilibrados», defende.

Também apologista dessa ideia é Luís Ferreira, 42 anos, pais de três filhos com 5, 6 e 11 anos, cujas palavras coincidem quase na íntegra com as da especialista. Segundo Luís, «os pais devem ser mais orientadores e não se sentirem como proprietários dos filhos». Caso contrário, segundo o próprio, «irá levar a que (as crianças) nunca consigam desenvolver as suas próprias capacidades, quer físicas quer mentais», frisa. Ainda de acordo com Luís, os pais devem orientar, sim, mas deixando alguma liberdade para que os filhos possam fazer de tudo, até mesmo «algumas asneiras controladas».

Mas nem sempre aquilo que se ambiciona para ser o mais perfeito como pai é fácil de conseguir. «Nunca se consegue concretizar tudo o que se idealizou, porque eles são seres vivos com vida e ideias próprias…e não vivemos num mundo perfeito.» Daí que, apesar de se ter uma ideia do que é a educação mais indicada, por vezes há a necessidade de nos adaptarmos à personalidade ou situação ambiental dos filhos. Como o Gonçalo, o primeiro filho de Luís, que, «enquanto filho único, foi muito mais protegido», confessa. Mas com isso (com os erros) aprenderam como lidar com os seguintes: a Susana, de 6 anos e o Guilherme de 5. Com os mais novos «acabámos por não ter tanta preocupação, ou melhor, não estar tão obcecados com um só e deixamos que estejam mais à vontade», diz. «No fundo, abrimos mais os seus horizontes.»

Por seu turno, a mãe, Natália Osório, 42 anos, apesar de numa maneira geral se demonstrar muito descontraída na forma como lida com os filhos, assume que «protege-se sempre mais o primeiro, estamos mais inseguros em termos de educação». E, ao que parece, essa insegurança é consciente. «É uma preocupação tentar saber como fazer as coisas bem, pois não temos tanta experiência» e isso talvez tenha provocado o facto de o Gonçalo, o mais velho do três, ser aos olhos da mãe «um pouco mais imaturo» comparando com outras crianças da sua idade.

Educar com bom senso

Os especialistas em educação são unânimes quando o assunto é proteção desmesurada. «Muitas vezes os pais remetem para si toda a responsabilidade pela manutenção da felicidade dos seus filhos e baseiam as suas ações na crença de que se as crianças forem protegidas das dificuldades são mais felizes», explica Mónica Bento Nogueira. Nada mais errado, segundo a especialista. «Toda a criança tem e deve passar por frustrações para poder encontrar e desenvolver em si as competências necessárias para as superar.» E a psicóloga vais mais longe lembrando o ditado “temos de cair para aprender a levantar…”. Uma opinião ainda mais contundente tem o pediatra Mário Cordeiro que afirmou recentemente numa entrevista que «se não os frustrarmos vão ficar detestáveis».

Mas, afinal, são os pais atuais demasiado protetores em relação aos filhos? «Sem dúvida alguma. Os pais temem muita coisa que não faz sentido algum», defende a psicóloga clínica Teresa Paula Marques. E explica: «Um dos maiores erros que os pais cometem é temerem que ao impor regras vão traumatizar os mais pequenos. Mas uma criança que cresce sem regras é que vai ser condenada a uma vida de inadequação a todos os níveis. Um pai que não impõe regras está a proteger o filho da experiência da frustração e com isso a prejudicá-lo!»

Na opinião de Mónica Bento Nogueira, «hoje temos famílias mais informadas e mais conscientes de um sem-número de situações que podem influenciar ou colocar em risco o crescimento dos seus filhos». Neste prisma, quase que se pode afirmar que mais conhecimento traz mais receio pois, de acordo com esta especialista «os pais mais cautelosos nas experiências de crescimento que proporcionam aos seus filhos» são os que encontramos em «ambientes mais desenvolvidos e urbanizados». De acordo com Teresa Paula Marques, «esta proteção desmesurada tem a ver com diversos fatores, entre os quais o facto de a maioria dos casais ter apenas um filho». A especialista não tem dúvidas de que o modelo de sociedade atual potencia esse excesso de zelo. «Esta sociedade de filhos únicos cresce superprotegida pelos pais, que os tratam como se de pequenos príncipes se tratassem. O problema é que este modo de tratamento acaba por condicionar negativamente o seu processo de autonomia, não os preparando para a vida.»

O segredo para evitar essa superproteção parece estar em tentar alcançar um meio-termo entre o controlo excessivo e a permissividade. «Existem diferentes estilos de educação parental, que variam entre o permissivo, o sufocante e ainda o negligente ou o autoritário», diz Mónica Bento Nogueira. «Creio que todos os pais num ou noutro momento optam por comportamentos que podem roçar qualquer um destes estilos. Parece-me que a fórmula está no equilíbrio: pais que controlam moderadamente, apoiam moderadamente e confiam no processo de erro aprendizagem – pais que educam com bom senso», afirma.

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A Clínica da Educação efectuou uma parceria com o ACP – Automóvel Clube de Portugal. Através desta parceria os sócios do ACP têm um desconto nas nossas consultas de Psicologia, Terapia da Fala, Pedopsiquiatria, Apoio Terapeutico-Pedagógico, Gabinete de Apoio Família, Avaliação Psicológica de Condutores e das nossas formações.

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A ideia de que ser mãe é algo intuitivo e acontece instantaneamente desde o momento em que se recebe a notícia que se está grávida, é um pré-conceito que após o parto pode causar alguma angústia às mulheres que, demoram o seu tempo a sentirem “aquela” tão falada ligação entre mãe e filho.

Na sociedade, e apesar das diferentes culturas, o papel materno está muito enraizado na ideia que cada mulher é dotada para ser mãe e que naturalmente se responde às necessidades do bebé e se ama incondicionalmente.

Ao longo dos nove meses, com esta ideia marcada de que para activar este instinto materno, basta ser-se mãe, muitas expectativas vão sendo criadas e um turbilhão de sentimentos invade cada mulher num misto de grande felicidade e alguma ansiedade pelo momento em que podem ter o seu bebé nos braços.

No entanto, a realidade é bastante diferente. Por um lado, o período da gravidez é rico em grandes mudanças, tanto ao nível físico e hormonal da mulher, como das dinâmicas relacionais que estabelece ou mantém com companheiro ou seio familiar. Durante esta altura, os medos de que algo possa correr mal, e a ansiedade de garantir que se cuida o melhor, desde logo, da criança que aí vem, torna esta fase por vezes bastante intensa. A forma como a mulher vai gerindo cada etapa vai ajudar a prepará-la para quando der à luz o seu filho. No entanto, da idealização que se cria na mente de cada mulher, ao impacto de quando se vê e se pega nos braços o próprio bebé, vai um longo caminho de emoções na sua maioria indiscritíveis.

Se por um lado, automaticamente se pode sentir um preenchimento interior, um encher de felicidade, quase um ter cá fora um pedaço de si… por outro lado, por vezes a angústia de não se sentir logo tudo isto pode deixar a mãe com sentimentos de culpa e de incompetência que poderá tornar toda a adaptação entre mãe-bebé mais difícil.

Seja num caso ou no outro, a aprendizagem da relação mãe-bebé vai ocorrendo à medida que os dias vão passando e a mãe vai dando resposta às necessidades básicas da criança (seja alimentação, do sono, do colo, do afecto, da higiene…).

O tão chamado instinto materno, com o qual todas as mulheres pensam nascer, trata-se apenas de uma das partes da relação mãe bebé. Responder às necessidades básicas de sobrevivência é um aspecto que se vai aprendendo e desenvolvendo à medida que se vai conhecendo o bebé e se vai compreendendo o seu choro, a sua calma ou irrequietude. Por outro lado, o amor de mãe, a ligação forte e inquebrável que também se idealiza que se sente logo, vai sendo construído na partilha de cada momento entre mãe-bebé. Mesmo o amor por um filho, apesar de para algumas pessoas surgir mais rápido e parecer que sempre esteve lá, será sempre alimentado num cuidar e num amar diário que permitirá fortalecer a relação e o vínculo que se irá prolongar o resto da vida.

Desta forma, percebemos que tanto o instinto como o amor de mãe, que para algumas pessoas parece existir logo, não tem de acontecer sempre. E quando não acontece, isso não significa que estamos perante más mães ou más mulheres. Apenas implica que a aprendizagem seja mais completa ao longo do tempo. Não é a existência ou não de uma ligação desde o primeiro momento em que se olha para um filho, que vai determinar uma melhor ou pior relação, ou um maior ou menor amor, ou um melhor ou pior cuidar.

Cada bebé é único, cada mãe é única, e cada relação mãe-bebé é especial e individual. É impossível comparar relações, sendo o sentimento após o nascimento de cada filho (no caso de mulheres que já vão no segundo ou terceiro filho) diferente e a relação que se vai criar, o laço, o amor que se vai construir será também diferente.

O mais importante é que a mulher / mãe que não sente logo esta conexão com o seu bebé, não se julgue nem se critique, e apenas olhe para a nova relação como um desafio onde os dois vão crescer muito e vão aprender muito na partilha de cada momento, de cada interacção.

Ser mãe é mais do que carregar um bebé dentro de si durante nove meses, ter um instinto maternal apurado ou sentir uma ligação imediata com o seu bebé. Ser mãe e amar um filho é construir uma relação forte, segura, com cuidados, com limites, com valores, onde é possível educar a criança valorizando o seu esforço em fazer e aprender, onde o tentar é valorizado, onde as conquistas são celebradas, onde as dificuldades não são esquecidas mas vistas como desafios a ultrapassar…

Ser mãe é começar por pegar ao colo, depois caminhar de mão dada, em seguida lado a lado e por fim, caminhar por perto relembrando que estará sempre lá de braços abertos para celebrar, para apoiar e para amar incondicionalmente!