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A Clínica da Educação efectuou uma parceria com o ACP – Automóvel Clube de Portugal. Através desta parceria os sócios do ACP têm um desconto nas nossas consultas de Psicologia, Terapia da Fala, Pedopsiquiatria, Apoio Terapeutico-Pedagógico, Gabinete de Apoio Família, Avaliação Psicológica de Condutores e das nossas formações.

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Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer… O sono é um tempo de crescimento e desenvolvimento, durante o qual é secretada a hormona que é responsável pelo crescimento das crianças (hormona de crescimento (GH)). A secreção de GH ocorre em pulsos ou picos, em que o maior e mais importante ocorre uma hora após o adormecer.

A hormona que induz o sono, a melatonina, é produzida pela glândula pineal e ajuda a regular o ciclo sono-vigília. Assim como uma boa ou má higiene alteram o risco de ter uma doença infecciosa, também uma boa ou má “higiene do sono” condiciona o desenvolvimento de perturbações do sono. De facto a perturbação mais frequente nas crianças, entre os 6 meses e os 6 anos de idade é a insónia infantil por hábitos incorrectos, ou seja, por má higiene do sono.

As perturbações do sono são muito comuns nas idades pré-escolares (um terço das crianças até aos 3 anos de idade tem uma perturbação do sono) e são muito variáveis quanto à sua origem. Vários estudos indicam que os problemas do sono em crianças e adolescentes têm uma prevalência entre 25% e 40%, sendo esta prevalência maior em crianças com perturbações psiquiátricas.

Os problemas do sono podem ser divididos em: parassónias e dissónias. As parassónias são definidas como “intrusões” durante o sono mas sem redução da duração total do sono. São exemplos de parassónias os pesadelos, os terrores nocturnos, o sonambulismo e o somnilóquio (falar durante a noite). As dissónias correspondem a alterações na duração do sono, ou por défice, como ocorre na Apneia Obstrutiva do Sono e nas Perturbações do Ritmo Circadiano do Sono, ou por excesso, a denominada hiperssónia que é muito rara (ocorre no Síndrome de Kleine-Levin que é muito raro e na narcolepsia, que geralmente não ocorre antes da puberdade),

 

Parassónias
Pesadelos 

  • Sonhos intensos e assustadores.
  • Ocorre na maioria das crianças, geralmente entre os 3 e 5 anos. Ocorre na segunda metade do sono.
  • A criança lembra-se do sonho e precisa de ser acalmada e reconfortada pelos pais para voltar a adormecer.
  • Podem estar associados a eventos traumáticos ou filmes e programas de televisão assustadores.

 

Terrores Nocturnos

  • A criança parece estar acordada (tem os olhos abertos), com medo, inconsolável e frequentemente chora e geme. Dura apenas uns minutos. Deixar a criança acalmar por si e ela retorna a dormir tranquilamente.
  • Não responde quando se chama ou responde só parcialmente.
  • Não se recorda de nada de manhã.
  • Ocorre nas primeiras horas do sono.
  • Geralmente entre os 6 e 12 anos (3% das crianças), mais em rapazes e por vezes há história familiar
  • Tratamento: ocorrem geralmente sempre à mesma hora. Acordar a criança 15 a 30 minutos antes.
  • Tende a diminuir e desaparecer com a idade.

 

Sonambulismo

  • Ocorre geralmente entre os 4 e 8 anos (17% das crianças). Ocorre nas primeiras horas do sono.
  • Semelhante ao terror nocturno mas a criança não está em pânico; levanta-se da cama e deambula e no dia seguinte não se recorda do episódio.
  • Tentar acordar ou parar a criança pode piorar. Evitar que a criança se magoe (impedir o acesso a escadas, fechar portas e janelas)
  • Tende a diminuir e desaparecer com a idade.

 

Somnilóquio

  • Pode existir com os anteriores ou isoladamente
  • Por si só sem qualquer risco e pode permanecer até á idade adulta
Dissónias
Défice de Sono 

Apneia Obstrutiva do Sono

  • Apneia é definida pela falta de ar pelo menos durante 5 segundos, apesar do esforço para respirar.
  • Hipertrofia dos adenóides e amígdalas é a causa mais comum. Também pode ocorrer em alterações estruturais e na obesidade.
  • Consequências: sonolência durante o dia, alterações do humor, irritabilidade, impuslsividade e falta de atenção.

 

Perturbações do Ritmo Circadiano do Sono

  • Corresponde a alterações do ritmo sono-vigília (deitar e acordar demasiado cedo ou tarde).
  • Causas: má higiene do sono, jogar computador ou ver televisão até horas tardias.
  • Tratamento: higiene do sono, melatonina.

 

Hipersónia

Narcolepsia

  • Geralmente não ocorre antes da puberdade e é muito raro.
  • Ocorre durante a vigília: ataques de sono súbitos, por exemplo durante a refeição, cataplexia (perda súbita de força muscular), perda da capacidade de falar ou se mover e alucinações antes de adormecer ou ao acordar.

 

Síndrome de Kleine-Levin

  • Muito raro
  • Excesso de sono, comer em demasia, desinibição sexual, alterações do humor, comportamentos estranhos, alternados com períodos de normalidade.
  • Ocorre geralmente em rapazes adolescentes.

Fazer um diagnóstico exige uma história clínica detalhada e, por vezes, pode exigir investigação adicional como polissonografia e simultaneamente o registo da actividade cerebral através do electroencefalograma, registo da actividade muscular e dos movimentos oculares durante o sono.

 

Como podem os pais e educadores ajudar a minimizar os problemas do sono da criança

Há certas medidas que os pais podem tomar (higiene do sono):

– A hora de deitar e de acordar deverá ser aproximadamente a mesma todos os dias. Não deverá haver mais de uma hora de diferença entre a hora de deitar e acordar dos dias de escola e os dias em que não há escola.

– Deverá existir uma rotina na hora de ir para a cama que dure cerca de 20 a 30 minutos, que deverá ser a mesma todas as noites. A rotina deverá incluir actividades calmas como ouvir uma música relaxante, ou um momento especial que inclua a leitura de histórias.

– O quarto da criança deverá ser suficientemente confortável, calmo e escuro.

– Evitar comer ou beber produtos que contenham cafeína, principalmente à noite, como refrigerantes com cafeína (coca-cola), café; evitar chá e chocolate.

– Não ter televisão, telemóveis, computador no quarto.

– Todos os dias ter actividades ao ar livre e fazer exercício físico.


Devo-me preocupar com o problema de sono do meu filho?

O Diário do Sono (Figura ao lado) é um bom auxiliar dos pais que têm filhos com problemas do sono. Um Diário do Sono típico inclui informação acerca da hora de ir para a cama, tempo decorrido entre a hora de ir para a cama e o adormecer, número e duração dos despertares nocturnos, hora de acordar, duração e tempo de sestas ao longo do dia. Os pais fazem este registo durante duas semanas e caso continuem preocupados com o sono do seu filho deverão ir ao seu médico de família e fornecer este diário. Um sistema de recompensa pode ser usado fazendo um “quadro de estrelas” em que as estrelas são ganhas de acordo com comportamentos específicos como ir para a cama a horas, não se levantar da cama durante a noite e não chamar os pais durante a noite.

Felizmente à medida que crescem, as crianças ultrapassam os problemas do sono mais comuns. No entanto há problemas do sono que podem estar associados a outras patologias como nas alterações do humor, na Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção e na ansiedade.

Alguns sinais de alarme a que os pais devem estar atentos são:

– A criança sentir-se sempre cansada quando acorda de manhã.

– A criança nota que tem dificuldade em estar acordada na sala de aula ou adormece na sala de aula ou quando se faz um percurso de comboio ou carro de menos de 30 minutos; faz sestas quando regressa da escola.

– Ressonar (pode ser indicativo de apneia obstrutiva do sono).

– Tem dificuldade em adormecer ou tem vários despertares nocturnos.

– Tem comportamentos durante a noite que mantêm os elementos da família acordados.

Se após uma boa higiene do sono, os problemas do sono persistirem, ou se começarem a provocar alterações do humor, do comportamento e da aprendizagem, os pais devem contactar o seu médico de família. Este avaliará a situação e se indicado orientá-lo-á para uma consulta de Psiquiatra da Infância e da Adolescência.

 

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Desde crianças sentimos uma grande curiosidade por tudo o que nos rodeia: o ver, tocar, saborear. Mas também desde pequenos sabemos que há coisas que nos são proibidas. A adolescência é um tempo propício para a descoberta de novas coisas e novas sensações e, por vezes, ultrapassam-se as regras.

A experimentação de droga durante a adolescência é comum e é uma das grandes preocupações dos pais e educadores. Infelizmente os adolescentes não conseguem muitas vezes estabelecer a relação entre as suas acções hoje e as consequências de amanhã. Muitos inicialmente pensam que têm o consumo de droga sobre controlo, mas esta pode começar a controlá-los a eles.

Afinal o que é a droga e quais os tipos?

A droga é o termo vulgarmente usado para o mau uso de substâncias (legais ou ilegais) que alteram o funcionamento do cérebro (por isso se chamam psicoactivas) e que podem causar danos a quem as consome. Há uma grande variedade de substâncias usadas como droga ou substâncias psicoactivas. Estas podem ser classificadas de acordo com o seu uso, que pode estar ou não aprovado pela lei, e portanto serem legais ou ilegais, ou classificadas segundo o efeito que provocam quando consumidas, e serem classificadas em estimulantes, perturbadoras ou sedativas:

  • Estimulantes: Legais – cafeína, nicotina, fármacos antidepressivos; Ilegais – cocaínas (cocaína e crack), anfetaminas (speed), Ecstasy.
  • Perturbadoras: Legais – inalantes (éter, gasolina, acetona); Ilegais – derivados de Cannabis (marijuana ou erva, haxixe e óleo de haxixe), LSD.
  • Sedativas: Legais – fármacos ansiolíticos (tranquilizantes), hipnóticos (soníferos) e neurolépticos; Ilegais – opiáceos (heroína).

Há substâncias que podem ter vários efeitos simultaneamente, como o álcool, que pode ser um estimulante e causar euforia, depressor do sistema nervoso central e causar sedação e ser um perturbador da actividade psíquica, podendo causar alucinações. Mas atenção, legais ou ilegais todas elas podem provocar consequências graves para a saúde.

Como sei que o meu filho está a consumir drogas?

O consumo ocasional pode ser difícil de detectar. Se houver um consumo regular, o comportamento pode-se alterar. Os sinais de alarme podem ser: físicos – fadiga, queixas de saúde frequentes, olhos vermelhos e brilhantes e tosse persistente; emocionais – alterações de personalidade e do humor, irritabilidade, irresponsabilidade, baixa auto-estima, depressão e perda de interesse generalizada; familiares – não cumprir regras, conflitos ou afastamento da família; escolares – perda de interesse, faltas às aulas e problemas disciplinares; problemas sociais – mudança nos seus hábitos estéticos e de gostos musicais, ter novos amigos que estão desinteressados na escola e com problemas de adaptação social.

Mas não se esqueça que nenhum destes garante que o seu filho está a usar drogas e até podem ser sinais de outros problemas. Os pais devem reconhecer os sinais mas não fazer diagnósticos, se suspeitarem recorram aos especialistas.

Quais os riscos e perigos de consumir droga?

O consumo de drogas pode levar a problemas mentais muito graves como psicose ou depressão, e outros problemas graves de saúde, como a transmissão de infecções graves como HIV e hepatite através da partilha de seringas; pode também alterar a autocrítica o que pode levar a acidentes, discussões, lutas e a comportamentos de risco (sexo não planeado e não seguro, suicídio, entre outros). É perigoso misturar álcool e outras substâncias psicoactivas pois pode-se potenciar os efeitos das substâncias, por exemplo, o Ecstasy e o álcool juntos podem levar a desidratação, e causar coma e morte. Para além disto, as drogas não passam por um controlo, pelo que não se pode saber ao certo o que está no produto que se compra.

Como sei que o meu filho se vai tornar dependente?

A dependência é um estado psíquico e/ ou físico causado pela interacção que se estabelece entre o organismo, a substância e o meio, provocando uma grande vontade para o consumo da substância. Os factores de risco para a dependência de substâncias psicoactivas incluem: família com história de abuso de substâncias, adolescentes com depressão, baixa auto-estima e que se sentem pouco integrados e sem amigos. Todas as substâncias droga provocam dependência psicológica.

Há alguns sinais de dependência como a necessidade de consumir mais para ter o efeito desejado, consumo durante mais tempo do que o que se queria inicialmente, esforços, sem êxito, para parar de consumir, gastar muito tempo em actividades necessárias à obtenção e utilização da substância, diminuição do tempo gasto na participação em importantes actividades sociais ou recreativas devido à utilização da substância.

Como e onde posso procurar ajuda?

Inicialmente pode falar com o médico de família para este orientar no diagnóstico e no despiste de causas orgânicas que possam estar na origem dos sinais de alarme. Caso se confirme o uso e abuso de substância, o adolescente deverá ser referenciado para uma consulta de Psiquiatria da Infância e da Adolescência.

Não há um manual para prevenir o consumo, nem a garantia que o consumo de droga pelo seu fillho(a) nunca irá acontecer. Tudo começa por prevenir e o prevenir começa pela informação, por saber dar o exemplo e é um esforço continuado por parte dos pais e educadores e que exige a responsabilidade dos jovens para fazerem as escolhas certas.

 

As dependências patológicas sem consumo de droga

Há também outras dependências em que não há o uso de substâncias psicoactivas, mas onde também se verifica a obsessão constante pela actividade em causa, com um impacto negativo em termos sociais. São os exemplos: jogo patológico, o abuso do uso da internet, da televisão, dos jogos de vídeo, do telemóvel, o sexo patológico, as compras patológicas e a alimentação patológica. Estas dependências, no entanto, estão muitas vezes associadas ao consumo de droga.

 

Para Saber Mais…

drogaparaquesaiba.blogspot.com

www.appia.com.pt

www.rcpsych.ac.uk/mhgu/ (mental health and growing up – fact sheets for parents and teachers)


 

Psicologia Clinica – Aconselhamento e apoio psicológico face a situações pessoais e familiares que afectam o quotidiano.

Avaliação Psicológica – Avaliação e diagnóstico de personalidade, inteligência, aptidões,…

Terapia da Fala – Prevenção, avaliação e tratamento das perturbações da comunicação humana.

Gabinete de Apoio à Família – Um espaço de reflexão e de estratégias sobre problemas causadores de desconforto escolar.

Pedopsiquiatria – Avalia e intervem nas perturbações emocionais e do comportamento na infância e na adolescência

Nutrição -  Avaliação, aconselhamento e acompanhamento nutricional

Psicologia Educacional – ramo da psicologia dedicado às problemáticas da educação e do processo ensino-aprendizagem de crianças e adultos.

Orientação Escolar e Vocacional – Avaliação de aptidões e interesses com vista à orientação escolar socioprofissional.

Educação Especial – Elaborar formas de trabalho para compreender e encontrar soluções nas dificuldades escolares.

Psicomotricidade – Intervenção para transtornos psicomotores que objetivam desbloquear a livre expressão dos movimentos infantis.

Terapia Familiar – Compreender  e intervir nos problemas  entre os membros de uma família

Neuropsicologia – Perturbações de escrita e leitura, percepção, atenção e memória. Dislexias, Disgrafias, hiperactividade, Discalculias, Afasias,…

Estimulação Cognitiva – Estimulação de áreas intelectuais com vista à recuperação de áreas lesadas ou situações deficitárias.

Psicoterapia & Ludoterapia – Acompanhamento e apoio psicológico de diversas situações de problemas de comportamento, hiperactividade, dificuldades de aprendizagem, enurese, fobias (medos), stress, problemas familiares…

Intervenção Precoce – Intervenção em Necessidades Educativas Especiais com crianças até aos 7 anos .

Mediação Familiar – Indicada para resolução amigável em situações de divórcio. A presença de uma terceira pessoa que possa mediar o diálogo pode ser um facilitador e ajudar a encontrar soluções que sejam aceitáveis para ambos e que, acima de tudo, possam trazer alguma serenidade aos pais e logo um aumento para o bem estar da vossa filho, com aconselhamento profissional.