a alimentacao como recompensa

Será que a alimentação deve servir como castigo ou recompensa? “Se te portares bem hoje comes um chocolate”, ou, “a agir assim hoje comes sopa comes!” A convite da revista Zen o pedagogo Renato Paiva e a Nutricionista Daniela Duarte escreveram sobre os impactos pedagógicos e nutricionais de quando se usa a alimentação como recompensa ou castigo.

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Aquando da entrada no primeiro ciclo é esperado que cada criança tenha adquirido um conjunto de competências que lhe permitam enfrentar os primeiros anos de escolaridade e fazer deles uma experiência de sucesso. Para tal foram estipuladas as metas de aprendizagem para a educação pré-escolar – conjunto de diretrizes que estipula as competências mínimas a serem desenvolvidas até à entrada no primeiro ano da escola básica, “que os habilite a compreenderem o mundo onde estão inseridos”. (in Introdução – Metas de Aprendizagem, Ministério da Educação).

 

Pode parecer estranho como é que uma criança que ainda não aprendeu a ler possa trabalhar competências de Tecnologias de Informação e comunicação. De facto as crianças não são ainda capazes de fazer uma pesquisa no Google mas já fazem pesquisa do seu jogo favorito numa listagem de jogos por exemplo. São pequenas raízes de processo que deveremos encarar no pré-escolar de competências que se vão fortalecer e fomentar a partir do 1º ciclo.

Encarar as TIC no pré-escolar como uma área de exploração natural, orientada e pensada deve ser uma realidade de pais e educadores. Fomenta o gosto natural que as crianças têm pela tecnologia, levando-as a uma estimulação propícia e adequada à sua faixa etária.

A estimulação da percepção visuo-espacial, do raciocínio lógico-matemático, da memória de trabalho são alguns dos benefícios, entre muitos que poderíamos enumerar.

 

A proposta de metas que a seguir se apresenta não pretende esgotar ou limitar as oportunidades de aprendizagem que se podem proporcionar a crianças em idade pré-escolar, constitui-se antes como um quadro de referência que permite clarificar e situar as aprendizagens que asseguram à criança condições para abordar com sucesso a etapa seguinte. Neste sentido, decidiu-se organizar as metas em articulação estreita com as quatro áreas de competência em TIC:

• Informação – Capacidade de procurar e de tratar a informação de acordo com objectivos concretos: investigação, selecção, análise e síntese dos dados.

• Comunicação – Capacidade de comunicar, interagir e colaborar usando ferramentas e ambientes de comunicação em rede como estratégia de aprendizagem individual e como contributo para a aprendizagem dos outros.

• Produção – Capacidade de sistematizar conhecimento com base em processos de trabalho com recurso aos meios digitais disponíveis e de desenvolver produtos e práticas inovadores

• Segurança – Capacidade para usar recursos digitais no respeito por normas de segurança.

 

 

Metas de Aprendizagem (existem 9)

Domínio: Informação

  • Cód: TIC001
  • Cód: TIC002
  • Cód: TIC003
  • Cód: TIC004
  • Cód: TIC005
  • Cód: TIC006
  • Cód: TIC007
  • Cód: TIC008
  • Cód: TIC009
Meta Final 1) No final da educação pré-escolar, a criança explora livremente jogos e outras actividades lúdicas acedendo a programas e a páginas da Internet a partir do ambiente de trabalho, disponibilizadas pelo educador.
Meta Final 2) No final da educação pré-escolar, a criança identifica informação necessária em recursos digitais off-line e on-line (jogos de pares, de sinónimos e contrários, de cores e tamanhos, etc.), disponibilizados pelo educador a partir do ambiente de trabalho.
Meta Final 3) No final da educação pré-escolar, a criança categoriza e agrupa informação em função de propriedades comuns (jogos sobre tipos de alimentos, objectos, actividades, etc.), recorrendo a fontes off-line e on-line disponibilizadas pelo educador a partir do ambiente de trabalho.

Domínio: Comunicação

Meta Final 4) No final da educação pré-escolar, a criança identifica as tecnologias como meios que favorecem a comunicação e o fortalecimento de relações de reciprocidade com outras pessoas (família/escola; comunidade/escola; escola/escola).
Meta Final 5) No final da educação pré-escolar, a criança interage com outras pessoas utilizando ferramentas de comunicação em rede, com assistência do educador.

Domínio: Produção

Meta Final 6) No final da educação pré-escolar, a criança representa acontecimentos e experiências da vida quotidiana ou situações imaginadas, usando, com o apoio do educador, ferramentas digitais que permitam inserir imagens, palavras e sons.
Meta Final 7) No final da educação pré-escolar, a criança utiliza as funcionalidades básicas de algumas ferramentas digitais (e.g. programas de desenho) como forma de expressão livre.

Domínio: Segurança

Meta Final 8) No final da educação pré-escolar, a criança participa na definição de regras, comportamentos e atitudes a adoptar relativamente ao uso dos equipamentos e ferramentas digitais, incluindo regras de respeito pelo trabalho dos outros.
Meta Final 9) No final da educação pré-escolar, a criança cuida e responsabiliza-se pela utilização de equipamentos e ferramentas digitais, observando as normas elementares de segurança definidas em grupo (e.g. ligar/desligar computador; cuidado com as tomadas).


 

pais

Os filhos são o melhor do mundo. O sorriso de um filho, para além de contagiante é confortante. Ser mãe e pai é um desafio de vida eterno em que as preocupações, desejos e anseios são permanentes. Desde sempre, são inúmeras as preocupações dos pais sobre os seus filhos. Desde que chega a boa nova, um turbilhão de sensações, emoções, anseios e desejos. Inicialmente a espectativa recai sobre a sua saúde. Se será um bebé perfeitinho, se crescerá e se desenvolverá sem sobressaltos, …. O tempo vai passando as preocupações vão mudando. Já tranquilizados por um bom desenvolvimento dos seus filhos, os pais começam a dedicar mais atenção à educação e à sua felicidade. Começam a preocupar-se a quererem que os seus filhos tenham amigos, que sejam bom na escola, bem sucedidos no desporto, educados e que se saibam comportar. Filhos bem sucedidos é o desejo de todos os pais! Queremos que sejam bons no que fazem, que sejam reconhecidos, valorizados e aplaudidos. Bons estudantes, bons desportistas, bons amigos, bem educados, bem comportados, limpinhos, arrumadinhos e sorridentes. É bom que os pais tenham espectativas e desejos para os seus filhos. Funcionam como metas e objectivos a cumprir e mobilizam esforço ao longo do tempo para concretizar esses desejos. Os bons pais preparam os seus filhos para os aplausos, para que sejam bem recebidos, bem acolhidos e valorizados. Fará aumentar a auto-estima dos mais pequenos mas também o ego dos papás grandes. Contudo os excelentes pais preparam os seus filhos não para os aplausos mas para os fracassos. Saber reagir quando fracassamos é tão ou mais importante que atingir o sucesso. Para conseguir ter um sucesso consistente e duradoiro, o fracasso e a frustração devem de fazer parte do processo de crescimento dos seus filhos enquanto pessoas.  É nesses momentos de maior angústia que reflectem sobre o que correu menos bem e que aprendem com os erros. Os aplausos chegarão mais tarde! Virão com o tempo e os filhos apreciarão ainda mais esses aplausos por serem mais permanentes e consistentes. Sentirão que fez parte do seu esforço, do seu empenho, do seu crescimento e do seu mérito. Estar presente nos momentos de aplausos é bom, mas estar ao lado nos momentos de desânimo é ainda melhor. É nesses momentos que os pais podem inferir no que correu menos bem, reflectir em conjunto e educar para melhorar. Dar sugestões, pontos de vista diferentes, indicar estratégias e caminhos possíveis de seguir,… Aprender com o erro, com a experiencia faz-nos vivenciar os caminhos a não seguir e a não repetir. Por mais que os educadores indiquem que não devam ser esses os caminhos, a vivência é um argumento demasiado forte e com o impacto difícil de igualar. Deixe os seus filhos errarem, deixe-os experimentarem, deixe-os conseguirem, promova essa experiencia. Eles aprenderão melhor. Contudo esteja presente nesses momentos para os amparar. Podem cair, mas ajude-os a levantar. O sucesso advirá da experiencia e suportado pelos fracassos, não evitando-os.

aprendizagemexperimentacao

- Que reboliço! Que aconteceu aqui? Madalena que estiveste a fazer? Que revolução aconteceu aqui querida?

– Nada mãe, estive a brincar!

– Brincar? Parece que estiveste a destruir tudo!

– Não mãe, estive só a brincar.

 

Episódios semelhantes em que nos deparamos com um local desarrumado e possivelmente com coisas partidas é comum na realidade de inúmeros pais. Chegar a casa e ter coisas partidas, tralhas no chão, brinquedos feitos em pedaços é um cenário frequente!

A aprendizagem faz-se por experimentação, por aprender fazendo e de facto nem sempre corre bem! Uns miúdos são por si mais cuidadosos e atenciosos com as coisas. Cuidam melhor do que é deles mas também do que não lhes pertence como se deles fosse. Contudo a maioria das crianças vai partindo umas coisas até ter destreza motora e competência de manuseio.

Em crianças mais pequenas é uma realidade mais presente que tende a atenuar com o passar do tempo e com o ganho de experiencia. Distinguir o que é correcto do incorrecto não nos vem nos genes, temos de construir essa aprendizagem pela vivência de situações desafiadoras. Quanto mais desafiadoras, maior envolve correspondência com o risco, também mais significativa é a aprendizagem!

Vivemos numa era que transborda de informação (visual, textual, sonoras e olfactivas). Os estímulos são constantes e é necessária uma correcta focalização da atenção para que as crianças não se dispersem entre tanta coisa possível de ser realizada em seu redor.

Numa etapa de desenvolvimento psico-motor ainda precoce, o domínio e destreza oculo-manual e oculo-pedal ainda não está suficientemente estruturada para permitir à criança dominar eficazmente os seus movimentos. Os suaves passam a ser bruscos num ápice e a probabilidade de ocorrerem acidentes acontece!

Quantas festinhas carinhosas ao pai, mãe, avó ou colega se transformam em pequenas, e por vezes grandes, bofetadas? Medir a força, a distância, o equilíbrio envolve diferentes áreas do cerebelo (área do cérebro responsável pela manutenção do equilíbrio, do tónus muscular e dos movimentos voluntários, assim como pela aprendizagem motora; dependemos do cerebelo para andar, correr, saltar, andar de bicicleta, ou pegar em objectos) Numa fase precoce todos eles deveriam ser classificados de frágeis nas mãos dos nossos queridos terroristas. Por vezes também contra eles próprios! Quantos galos e nódoas negras nas carolas de gente miúda se justificam por um objecto a alta velocidade provocado pelo próprio? De vez em quando lá vai uma carolada! Da próxima vai acontecer, mas já deverá ser com menos força, e depois menos ainda ate que consegue destreza motora para se salvaguardar!

A experiência é algo individual e intransponível. Não se vende, não se dá, proporciona-se! E a mesma experiêcia tem resultados diferentes em diferentes pessoas. Podemos estar 3 pessoas num curso de sushi, a ouvir a mesma explicação, a usar os mesmos alimentos, os mesmos utensílios, e o resultado final não ser igual, por vezes nem sequer parecido! Uns poderão aprender e acomodar as aprendizagens de forma duradoura, outros podem passar pela experiencia e não aprenderem! Depende de cada um. Das motivações, das vontades, do interesse, da utilidade,… mas comum a todos eles está a experimentação. Se ela a aprendizagem de destrezas e competências não se realizam.

Segundo larrosa “a experiencia é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece ou o que toca”. Daí o nosso desafio como educadores. Proporcionar caminhos que sejam favoráveis à experiência.

Aprender com o erro, com a experiência faz-nos vivenciar os caminhos a não seguir e a não repetir. Por mais que os educadores indiquem que não devam ser esses os caminhos, a vivência é um argumento demasiado forte e com o impacto difícil de igualar. Deixe os seus filhos errarem, deixe-os experimentarem, deixe-os conseguirem, promova essa experiência. Eles aprenderão melhor. Contudo, esteja presente nesses momentos para os amparar. Podem cair, mas ajude-os a levantar. O sucesso advirá da experiência e suportado pelos fracassos, não evitando-os.

 


 

cm

“Quando tiver um filho gostava que fosse como o da Cláudia. É tão bem comportado, porta-se tão bem!”, “A Madalena é um doce de menina, já viste que os pais dela podem ir para todo lado sem problema que ela porta-se sempre bem?”, são expressões deste tipo que frequentemente escutamos aqui ou ali. Elogios de comportamentos exemplares que fazem inveja a quem tem crianças mais reguilas, mais activas e por vezes inconvenientes.

 

As crianças são naturalmente curiosas, brincalhonas, invasivas, questionadoras, avarentas, descuidadas,…, mas são crianças! Estão no seu processo natural de socialização, de percepção da sua adequação comportamental, de poder experimentar, fazer asneiras, errar e aprender com isso.

 

As crianças diferem no seu comportamento e modo de reagir naturalmente. Importa conhecê-las para antecipar comportamentos que sejam inadequados. Contudo, o comportamento adequado num local poderá ser completamente desajustado noutro. Na praia posso ter um comportamento que não devo replicar num consultório por exemplo. Para as crianças esta distinção não é fácil de perceber. Devem ser os adultos a conversar e reflectir com elas, para as orientar no comportamento que devam ter nas diferentes situações que vão vivenciando.

As crianças que reconhecemos como modelos e que se comportam lindamente não o fazem por acaso. Há um grande trabalho educativo inerente. Explicar à criança o que se espera dela em determinado contexto baliza e orienta o seu comportamento, fazendo com que tenha conhecimento de como deverá reagir. Essa atitude de prevenção faz toda a diferença, fazendo com que a criança já saiba o que esperam dela.

 

Conversar com o filho antes de ir ao supermercado dizendo-lhe antecipadamente se pode ou não comprar-lhe alguma coisa, ou conversar antes de ir a uma festa em casa dos seus amigos sobre como se comportar irá prevenir comportamentos desajustados, birras e chatices maioritariamente desnecessárias! Certo que só conversar com os filhos não chega, há que lhes dar a experiência, vivenciando para perceberem, do que devem ou não fazer e do que lhes é permitido ou não. Isso causa alguma angústia e dissabores aos pais, nem sempre as coisas correm bem, mas a educação é isso mesmo, um percurso de aprendizagem.

Certamente, que as crianças que reconhece como bem comportadas, não foram nem são sempre assim. São igualmente garotos que fazem os seus disparates, que gostam de brincar, de saltar, de imaginar, de fazer de conta, de se sujar e fazer as suas tropelias. Mas a experiência educativa permite-lhes percepcionar em que contextos podem ou não ter determinada conduta comportamental. Por isso, por vezes, são pequenas damas e cavalheiros, e outras vezes são traquinas!

Também não foram sempre assim, fizeram o seu percurso até reconhecerem que, em determinadas situações e enquadramentos o seu comportamento deve ser este ou aquele. Tiveram as suas aprendizagens, com percalços, com as suas dificuldades.

Este percurso de aprendizagem envolve activamente os pais! Desistir é sempre mais simples e fácil! O meu filho não se sabe comportar no supermercado, não vai! Faz birras nas festas e nos jantares dos amigos, não vai! A sua vida não deve ser uma privação, mas sim uma experiencia! Se o seu filho ainda não consegue comportar-se bem num supermercado, experimente ir a um mini-mercado. Se não sabe estar num jantar, opte por um lanche menos demorado! Treine o comportamento do seu filho pela reflexão do que espera dele, mas também pela vivência de situações que possam exemplificar ao seu filho o comportamento mais adequado a determinada situação.

Conhecer o temperamento do seu filho e o seu grau de desenvolvimento são igualmente aspectos a ter em conta. A fasquia e a exigência comportamental é diferente aos 2, 3, 4, 5 ou 10 anos de idade. As crianças são crianças, não são pequenos adultos.

Não deveremos ter a preocupação que a nossa criança seja perfeita e seja permanentemente feliz! É uma busca inglória, não existe! Todas as crianças, felizmente, passam por momentos de angústia, de frustração, de sofrimento que os fazem crescer. O papel dos pais e educadores é amparar e ajudar a superar esses momentos, educando-as a lidar com as situações, e não evitando-as. Serão adultos mais felizes se aprenderem a lidar com as suas fraquezas, com as suas angústias e com as suas frustrações. As crianças podem querer tudo, mas também podem aceitar bem que não podem ter tudo o que desejam. Não há mal em estabelecer limites, muito pelo contrário, as crianças precisam deles para se sentirem seguras.

Muitos pais têm igualmente uma preocupação inquietante. Providenciar um conjunto alargado de actividades extra-curriculares que deixam pouco espaço para os garotos brincarem e serem crianças! Os pais acreditam que ao preencher as horas livres dos filhos com compromissos estão a dar-lhes a infância perfeita e a transforma-los em super adultos.

Deixe o seu filho ser criança, não faça dele(a) um pequeno adulto altamente eficiente! Será melhor para ele, e menos angustiante para si. Prefira ser um pai/mãe modelo a ter uma criança permanentemente exemplar!

 

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Ser responsável é um desafio de vida! Todos nós ambicionamos ser autónomos, tomar as nossas decisões, escolher o que fazer, com quem estar, o que vestir,…, assim como queremos que os filhos o sejam.

É um longo caminho que com o tempo fomos aprendendo, através de sucessos e alegrias por termos tomado as opções mais acertadas, mas também com tristezas e frustrações de nem sempre termos tomado as melhores opções.

Aprendemos com todas as experiencias. Tanto pelas positivas como pelas negativas. Assim como todas foram importantes no nosso crescimento e responsabilização. Os sucessos e erros dos outros também nos tocam, mas com o que vivenciamos aprendemos certamente mais, de forma mais eficiente e mais significativa. Por isso mesmo é importante que as nossas crianças desde cedo possam vivenciar a experiencia da responsabilidade. Ao proporcionarmos á criança a possibilidade de que participe nas tomadas de decisão, estaremos a contribuir para uma melhoria da sua auto-estima, da valorização e aceitação das suas opiniões, para a construção dum eu mais autónomo e responsável.

É nas idades mais precoces que devemos dar a essa oportunidade de crescimento e aprendizagem às crianças. A responsabilidade aprende-se, assim como se aprende a matemática, as cores ou o valor da amizade.

Bons pais usam a criatividade para descer ao nível dos filhos! Não podemos exigir à criança que entenda códigos de adultos. A responsabilidade é uma “coisa” de adultos. Devemos sim, exigir aos adultos que criem, em si, a capacidade de regredir ao que já foram. Porque todo o adulto já foi criança, mas numa criança já foi adulta.

Para além do trabalho do professor na escola e do educador no jardim-de-infância, as famílias são as principais autoras desta obra permanente, que deve ser presente e persistente, desde sempre. Uma vez que será possível um maior acompanhamento e de forma mais próxima, pelo maior tempo que podemos dedicar às nossas crianças, as férias poderão tornar-se uma excelente oportunidade de podermos ser mais incisivos na estimulação da responsabilidade.

O vestir, a alimentação, as actividades a realizar, as tarefas domésticas, os jogos com que brincar, os amigos com quem estar,…, são inúmeras as possibilidades que podemos utilizar para dar voz às crianças. Oiçamo-las, respeitamo-las e educamo-las!

Certamente, como adultos responsáveis, não acataremos de igual modo todas as suas ideias, opiniões e vontades, mas respeitando, sabendo ouvir e proporcionando muitas delas que não ponham em perigo a criança, estamos no sentido certo.

A responsabilidade adquire-se ao longo do tempo, erra-se e aprende-se. Iniciemos por coisas simples como as tarefas domésticas. Uma estratégia interessante é a utilização de mapas de tarefas domésticas que todos possam depender e disfrutar do esforço comum. Se um mete a mesa, o outro pode limpar o pó, arrumar o quarto, tratar do lixo ou cuidar do cão.

Desde cedo os mais pequenos podem contribuir e ajudar nas lides lá de casa. Ajudar a por ou levantar a mesa pode ser uma delas! Que mal tem em partir um prato ou um copo? Ou que os talheres de vez em quando fiquem ao contrário? Ou que falte um guardanapo? Vamos aprendendo, e as crianças também.

Ter voz na escolha da roupa pode ser também uma tarefa simples onde possamos incutir a responsabilidade da própria escolha. Se a escolha não foi a mais feliz, o que é que realmente é mais importante, a combinação perfeita ou promovermos aprendizagem? Haverá algum inconveniente em ter meias de pares diferentes ou que a camisa não condiga com as calças? Também penso que na esmagadora maioria das vezes não! Em situações de cerimónia teremos mais cuidado, mas no comum dia a dia não será preocupante e os benefícios serão certamente muito compensadores

Educar para a responsabilidade exige sensibilidade para as mudanças que ocorrem em função do tempo. A educação é, assim, simultaneamente, causa e consequência das transformações a que chamamos crescimento.

Aprender, saber e saber fazer são as solicitações mais prementes das vidas sociais dos filhos. Promovam condutas pró-sociais, o respeito pelo outro, a recompensa afectiva da virtude e do reforço negativo do mau comportamento. Evitem a recompensa com meios materiais porque o amor, a amizade, o respeito e a responsabilidade não se compram. Por isso não deixem os vossos filhos sem resposta. Respondam às suas questões. Aos seus porquês. Por mais difíceis ou repetitivas que sejam as respostas. Dir-lhes-á mil vezes o porquê da importância de ir bem vestido, de arrumar o quarto, de cumprir com as suas obrigações, de ter que ajudar em tarefas domésticas,…; Nunca lhes respondam porque não ou porque sim! Dêem-lhes respostas com justificações que lhes permitam testar os seus próprios pensamentos em relação á realidade que os rodeia. As crianças necessitam de modelos, de referências e de regras para se sentirem seguros.

O caminho faz-se caminhando, com tempo, sabedoria e muita paciência.