phda

Convidamos  a Drª. Ana Rodrigues para partilhar connosco o seu conhecimento e experiência numa formação sobre a  intervenção na Hiperactividade, e convidamo-lo(a) a estar também connosco.

Algumas crianças estão sempre fora de controle  Agem sem pensar, são hiperativos, e têm dificuldade para se concentrar. Os professores e pais da criança hiperativa devem saber lidar com a falta de atenção, impulsividade, instabilidade emocional  da criança.

Iremos reunir-nos no dia 4 de Junho pelas 14h onde teremos um momento informal e descontraido de partilha mútua entre a Drª. Ana Rodrigues e todos os que quiserem juntar-se a nós neste momento. Falaremos sobre a hiperactividade mas sobretudo nos diferentes tipos de acção e respectivas estratégia na intervenção para pais e profissionais que lidam com crianças hiperactivas.

Este encontro tem um custo de 25€ com materiais, certificados já incluídos.

O Local será no auditório da Pousada da Juventude no Porto, no dia 4 de Junho com inicio pelas 14h e término pelas 17h.

Ana Rodrigues possui Doutoramento em Motricidade Humana na especialidade de Educação Especial e Reabilitação (UTL/FMH), Mestrado em Educação Especial, Licenciatura em Educação Física ramo Educação Especial e Reabilitação. Com uma vasta experiência de intervenção terapeutica em crianças hiperactivas, actualmente exerce no CADIN para além de ser docente na Fac. Motricidade Humana

 

Dreaming about a new house

A ludoterapia pode ser considerada como uma forma de processo terapêutico de intervenção psicológica, onde o brincar surge como meio de comunicação privilegiado entre a criança e o psicólogo. A linguagem do brincar, que serve de palco para a expressão de sentimentos e afectos do mundo infantil, vai ser o veículo principal através da qual a criança apresenta o seu modo de ser, e onde o psicólogo consegue estabelecer uma relação terapêutica que permita intervir nesse mesmo mundo. A maioria das crianças adere facilmente à ludoterapia, que utiliza o brincar enquanto linguagem universal, e adquire em relação ao terapeuta, confiança suficiente para apresentar o seu mundo interno, e assim possibilitar e potenciar a intervenção. Brincar é uma forma de linguagem tão clara para a criança que ela pensa que o seu significado possa ser compreensível também para os outros em seu redor.

No decorrer desta forma de intervenção terapêutica, podemos encontrar conceitos associados a diferentes quadros de referência psicológicos e respectivas metodologias. Por um lado, é possível encontrar conceitos de uma linha mais comportamental, como o caso das contingências de reforço, e ajudar a criança a sistematizar as suas vivências e encaminhá-la num sentido mais adaptativo. Por outro lado, aspectos mais psicodinâmicos como a transferência e a interpretação das suas vivências através da forma como brinca, como lida com os objectos, permitem o acesso a um mundo interno de fantasia e de realidade que dificilmente se expressa de outra forma tão genuína como através do simbólico associado ao brincar. E ainda se podem encontrar aspectos mais fenomenológicos, com base na linguagem e na forma de interagir com o terapeuta.

A ludoterapia destina-se essencialmente a crianças pequenas, com idades que podem variar desde os dois/três anos, até a uma fase mais tardia como a puberdade e entrada na adolescência, como os onze/doze anos de idade, aproximadamente. É mais frequente uma intervenção de carácter individual mas também pode ser utilizada num contexto de grupo, dependendo da abordagem adoptada, bem como das problemáticas a serem tratadas.

Para se iniciar este processo, é importante conhecer o contexto familiar, mecanismos de interacção, estilos parentais, contexto social, cultural, etc. Deste modo, pode começar-se através de uma entrevista com a família (em que os elementos que vão estar presentes durante estes primeiros contactos podem ou não ser escolhidos pelo terapeuta), e nesse contacto, é possível observar e avaliar um pouco os estilos de interacção existentes no dia-a-dia desta família e, consequentemente, os seus padrões relacionais.

Nesta terapia, a capacidade de observação do terapeuta é fundamental, assim como, o tipo de intervenção que é feita. Quer isto dizer que é necessário ir aceitando a criança e compreendendo as suas escolhas, sem a inquirir com os “porquês” mais típicos dos adultos em seu redor, ou reagir a brincadeiras de forma correctiva, por exemplo. Mais do que um adulto, o terapeuta tem de se destacar como um adulto diferente, com uma relação privilegiada, onde a criança se sente segura para manifestar emoções várias que podem ir desde a agressividade, à angústia, ansiedade, culpa, raiva, tristeza, entusiasmo, alegria, entre outros sentimentos variados.

Podem ser diversas as razões que motivam os pais a procurarem um psicólogo que privilegie a intervenção pela ludoterapia para seus filhos. As mais frequentes são os distúrbios comportamentais, tais como a agressividade ou isolamento social, passsando até pelas dificuldades de aprendizagem. Situações que remetem para problemáticas de relacionamento com professores, colegas ou familiares, dificuldade em obedecer a regras e normas escolares e familiares, instabilidade emocional (agressividade, isolamento, inibição, etc.), birras, impulsividade, problemas afectivos e emocionais (dificuldades em lidar com perdas, ciúmes, frustrações, separações, etc.), medos, traumas, enurese e encoprese, baixa auto-estima e pequenos delitos como as mentiras, as fugas ou furtos, são áreas onde o psicólogo poderá intervir, quando se transformam em comportamentos que comprometem a capacidade de uma adaptação bem sucedida da criança ao seu meio envolvente.

Ao iniciar o contacto com a criança, é fundamental dar a esta a oportunidade de escolher o que quer fazer, como e com o que é que quer brincar. Mesmo quando se manifestam algumas resistências, é importante irmos propondo actividades várias, de forma a que a própria criança possa sugerir actividades do seu interesse. Não escolher pode também ser considerada uma opção, e esta noção é igualmente transmitida, falada e interpretada neste contexto de intervenção.

Ao longo das actividades, das escolhas, é importante ir percebendo com a criança como é que ela age no seu contexto do dia-a-dia, partindo assim para o concreto do seu mundo. O ludoterapeuta deve criar condições, através das actividades lúdicas, que podem ir desde as brincadeiras menos estruturadas, a jogos altamente complexos e estruturado, dependendo da criança e, principalmente da sua faixa etária, para que esta seja capaz de manifestar as suas dificuldades, projectar as suas zangas, os seus medos, os seus receios, assim como as suas capacidades, potencialidades, que permitem ao terapeuta ter um acesso a um todo que permita estruturar a intervenção.

Tal como em qualquer processo terapêutico, seja com um adulto ou com uma criança, é fundamental não descurar da relação que se vai construindo. Esta relação deve primar por ser de confiança e de aceitação. É neste contexto que permitimos à criança que temos à nossa frente que possa aprender a conhecer-se, aprender a lidar com situações menos confortáveis, a aceitar e a conhecer as suas próprias emoções, e principalmente, ajudá-la a encontrar ferramentas e outras soluções, para além das que já utiliza para cada situação.

Neste sentido, a ludoterapia é considerada como um meio por excelência de intervenção psicológica com crianças. Através do brincar, actividade simbólica que se expressa com base em brincadeiras várias como o próprio jogo, é dada à criança a possibilidade de comunicar e expressar-se de forma informal e próxima das suas vivências enquanto criança. Assim, através daquilo em que eles são melhores e se sentem mais confortáveis como os jogos, o contar de histórias, o pintar, o encenar, o desenhar, o agir perante os objectos, etc., têm a possibilidade de expor as suas dificuldades e o que sentem.

O tempo de duração da intervenção é variável, ocorrendo um primeiro período de observação clínica, nas primeiras semanas de contacto com a criança e respectiva família, podendo em casos mais simples levar-se a cabo uma intervenção mais breve e localizada no tempo, sendo que a mesma pode alongar-se por um ou mais anos, quando se tratam de dificuldades estruturais ou mais complexas. Também aqui, no que concerne ao tempo e espaço de duração da intervenção, é necessário respeitar as necessidades da criança, para que este tipo de abordagem seja bem sucedida e permita devolver à criança uma melhor forma de estar e de ser consigo e com o mundo em seu redor.

dislexia

O estudo das dificuldades de leitura e escrita, em geral, e da dislexia e disortografia, em particular, vem suscitando desde há muito tempo o interesse de diversos profissionais como psicólogos, professores, neurologistas e outros interessados na investigação dos factores implicados no sucesso e/ou insucesso educativo. Proveniente do grego dus = difícil, dificuldade; lexis = palavra, a Dislexia tem sido uma das dificuldades de aprendizagem mais encontradas nas escolas portuguesas. Pesquisas realizadas em vários países mostram que cerca de 10 a 15% da população mundial é disléxica.

Num artigo de 2004 a Drª Paula Teles refere que a linguagem existe há cerca de 100 mil anos e que faz parte do nosso património genético. Aprende-se a falar naturalmente sem necessidade de ensino explícito. Os sistemas de escrita, sendo produtos da evolução histórica e cultural, são relativamente recentes na história da humanidade: existem apenas há cerca de 5 mil anos.

Saber ler é uma das aprendizagens mais importantes, porque é a chave que permite o acesso a todos os outros saberes. A leitura e a escrita são formas do processamento linguístico em que, aprender a ler, embora seja uma competência complexa, é relativamente simples para a maioria das pessoas. No entanto, um significativo número de pessoas, embora possuindo um nível de inteligência médio ou superior, manifesta dificuldades na sua aprendizagem. Até há poucos anos a origem desta dificuldade era desconhecida, sendo considerada uma incapacidade invisível, um mistério, que gerou mitos e preconceitos estigmatizando as crianças, os jovens e os adultos que a não conseguiam ultrapassar.

Já a escrita utiliza um código gráfico que necessita de ser ensinado explicitamente. Para decifrar o código escrito é necessário tornar consciente e explícito, o que na linguagem oral era um processo mental implícito. Com efeito, os processos cognitivos envolvidos na produção e compreensão da linguagem falada diferem significativamente dos processos cognitivos envolvidos na leitura e na escrita.

 

As competências de leitura e escrita são consideradas como objectivos fundamentais em qualquer sistema educativo, pois constituem aprendizagens de base e funcionam como uma mola propulsora para todas as restantes aprendizagens. Deste modo, a criança com dificuldade nestas áreas apresentará lacunas em todas as restantes matérias, o que provoca um desinteresse cada vez mais marcado pelas restantes aprendizagens escolares e uma diminuição da sua auto-estima.

Existem actualmente várias definições referentes à dislexia, o Dr. Vítor da Fonseca define a dislexia como uma dificuldade duradoura da aprendizagem da leitura e aquisição do seu mecanismo, em crianças inteligentes, escolarizadas, sem quaisquer perturbação sensorial e psíquica já existente. A World Federation of Neurology caracteriza-a como uma perturbação que se manifesta pela dificuldade na aprendizagem da leitura, apesar de uma educação convencional, uma adequada inteligência e oportunidades sócio-culturais.

Fortemente associada à dislexia, a disortografia também marca uma forte presença nas dificuldades educativas actuais. A disortografia centra-se na organização, estruturação e composição de textos escritos em que a construção frásica é pobre, geralmente curta e observa-se a presença de múltiplos erros ortográficos e uma má qualidade gráfica.

A detecção precoce de sinais de alerta que possam indicar um distúrbio de dislexia, devem ser sempre tidos em conta. É importante que mesmo na idade pré escolar se olhe com particular atenção se a criança apresenta uma tendência para a dispersão, fraco desenvolvimento da atenção, dificuldade com quebra cabeças, falta de interesse por livros impressos e se também manifesta um atraso ao nível da linguagem ( dificuldade de aprender canções e rimas por exemplo) e com dificuldades na coordenação motora. Apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja disléxica; há outros factores a serem observados, mas  este será um quadro em que devamos ter uma maior atenção.

Os profissionais educativos não devem aguardar pelo aumento da idade para ver se as dificuldades de leitura, ortografia, lateralidade, visuo-espaciais, hierarquização, fraco índice vocabular, pouco reconhecimento de letras e números, troca sistemática de letras na leitura e escrita (as trocas mais comuns são o V/F, P/B, D/Q), uma leitura muito silabada com muitas pausas, pouca ou mesmo nenhuma compreensão do que leu,…

Estes sinais de alerta são indicadores que de uma dificuldade que quanto mais atempada for diagnosticada, mais rápida e simples será a sua intervenção. Mesmo com intervenção terapêutica ninguém deixa de ser disléxico. Aprende é estratégias de auto-regulação e controlo que lhe permitem que a interferência desta dificuldade seja invisível ou pouco significativa para um quotidiano normal.

São comuns, infelizmente, casos que apenas são detectados numa fase já mais tardia, 2º, 3º ciclos ou mesmo secundário, em que tanto pais como profissionais ignoram sistematicamente sinais de dificuldade de leitura e escrita, muitas vezes com o argumento de que se diluirá com a idade e com muito trabalho (geralmente mais do mesmo; mais cópias, mais exercícios, mais ditados, mais…). Com esta postura para além de enraizar rotinas em processos cognitivos erróneos, alimenta também na criança um sentimento e incompetência, uma auto-estima muito baixa em que as dificuldades ultrapassam a cognição para a relação, postura, atitude,… É necessário detectar indicadores de desmotivação e desinteresse dos alunos a tempo de se poderem empreender estratégias de prevenção e de promoção do interesse dos alunos.

Certamente que conhece muitos disléxicos sem que saiba que o são. A dislexia não é o fim do mundo! É necessário estar atento e fazer um diagnóstico nos primeiros sinais de alerta para que a intervenção seja mais eficaz. Esteja atento, faça uma avaliação neuropsicológica para que possa ter uma percepção generalista da envolvência da própria dificuldade onde se caracterizem áreas fortes e áreas débeis, que serão úteis para a delineação da própria intervenção.

Os pais podem também fazer algum trabalho com os seus filhos que apresentem dificuldades de leitura e escrita, mesmo não sendo disléxicos. Jogar com palavras, com letras, com sílabas, com rimas, letras móveis, com construção de textos de ficção onde a imaginação é o limite…

Envolver as crianças com actividades que envolvam leitura e escrita em que os desafios para além da leitura e da escrita sejam o jogo, a motivação do ganhar, envolvam a criança com as suas dificuldades e desta forma sejam trabalhadas de uma forma lúdica. O uso do computador, em que possamos espaçar mais as linhas, colocar um tamanho de letra maior, comunicar através da escrita com outras pessoas são também estratégias úteis para um trabalho parental nestas situações.