estudante

1. De que forma deve ser planeado o estudo?

Um estudo de qualidade e que seja proveitoso deve ter várias preocupações. O planeamento do mesmo é das prevenções mais importantes e influentes para um bom estudo. Neste aspecto os alunos devem ter em conta o seu horário, o seu tempo livre, os seus interesses, as suas dificuldades, os seus ritmos e fazer um plano realista, que possa ser cumprido, que tenha maleabilidade para imprevistos e preveja um estudo atempado.

O aluno deve tentar que o seu horário seja equilibrado, ou seja, que não tenha dias com maior “folga” e outros mais atarefados. É preferível estudar uma hora por dia em dois dias que duas horas num dia só!

Devem dedicar-se mais às disciplinas ou temáticas que têm mais dificuldade. Contudo não devem iniciar o seu estudo por essas. Devem começar pelas de dificuldade intermédia, seguidamente passam para as matérias mais difíceis e terminam com as mais simples em que não necessitam de tanto esforço.

É importante que esse planeamento esteja assente num horário para maior facilidade de visualização temporal, que também inclua os tempos de ocupação desportiva e das rotinas extra escola. Devem incluir pelo menos dois tempos de estudo, espaçados na semana, para cada disciplina. É muito importante que não se resumam a apenas um tempo de estudo regular por semana ou que seja mais incidente nas épocas dos testes com um reforço horário

O planeamento atempado e a rotina prevêem e antecipam situações de ansiedade, atribuem para uma melhor preparação, dá tempo para esclarecimento de dúvidas mas sobretudo realiza reforços temporais mais curtos e que produzem maior eficiência de compreensão e memorização.

 


2. Que tipo de postura deve o estudante ter na sala de aula, de modo a rentabilizar o que lhe é ensinado poupando, assim, mais horas de estudo em casa?

Um bom aluno é um aluno assíduo, pontual e que possui o material para trabalhar nas aulas. Parece um cliché mas é deveras importante para conseguir resultados mais significativos. São pormenores que fazem a diferença.

O aluno na escola deve estar atento, registar as informações mais importantes da aula, mesmo que as mesmas estejam incluídas no livro. O seu modo de o registar revela a forma como o aluno interpreta a informação. Será uma mais valia para quando estiver a rever, em casa sozinho, algo que foi escrito pelo próprio, que lhe faz sentido.

O aluno nunca deve ter dúvidas durante um tempo prolongado. As dúvidas devem ser esclarecidas se possível logo quando surgem, e muitas vezes surgem nas aulas. É nesse momento que devem questionar o professor. Pedir-lhe uma segunda, terceira,…, as explicações que forem necessárias. Não devem levar a dúvida para esclarecer em casa ou com o explicador. Este hábito enraíza uma rotina que é prejudicial ao rendimento escolar. Se as dúvidas surgirem em casa, a estudar devem ser transpostas para a aula e esclarecidas lá, com o seu professor.

Se o aluno for participativo, ou seja activo no seu processo de aprendizagem, atribui maior significância e sentido ao que está a aprender. As temáticas fazem maior sentido não sendo necessário um esforço de compreensão em casa, mas sim de reforço.
3. Quais as piores práticas de estudo?

Diria que a prior prática de estudo é a ausência dele. Mas o que acontece muitas vezes e causa piores resultados é o estudo monótono, realizado sempre da mesma maneira. É mais eficiente e muito mais divertido, capando maior atenção e motivação, se os processos de estudo forem sendo diferentes. Umas vezes sozinho, outras com amigos, outras em processos de recolha de informação, outros em situações de resolução de exercícios e simulação de momentos de avaliação.

Em vez da prior prática gosto mais de divulgar a que mais considero útil e com maior benefício. A melhor estratégia para aprender é ensinar. Ninguém consegue ensinar nada que não saiba. Para ensinar o aluno tem de perceber, de se envolver, de se preparar para dúvidas e relacionar as informações. Os pais podem incutir facilmente esta estratégia programando momentos de aprendizagem com o seu filho em que este os ensina o que aprendeu. Em que os pais fazem perguntas, colocam dúvidas, pedem exemplos,… Nesta actividade o aluno tem uma forte componente activa e os resultados são mais eficientes. Experimentem!

4. E como devem gerir o tempo?

Os alunos devem encarar o tempo como dos seus bens mais preciosos. Não se compra, não se vende, não se recupera! Devem organizar-se para que possam ter tempo para as suas obrigações mas também situações de lazer, intimidade, amizade,…

A existência de um horário e de um planeamento mensal permite que os alunos possam visualizar  e organizar no tempo todas as suas tarefas. Devem ser o mais exaustivos possível para que tenham uma maior percepção do tempo útil / tempo livre.

É importante terem momentos exclusivos a si, sem tarefas obrigatórias. Pode ser uma tarde na semana ou um dia de fim de semana. Devem ter a preocupação da vantagem do fim de semana. Este permite uma maior liberdade, mas também uma maior possibilidade de poder estar com mais à vontade para rever as temáticas que tem maior dificuldade.

5. No que diz respeito aos apontamentos, o que há a ter em conta na sua elaboração?

Os apontamentos devem ser pessoais, feitos por cada aluno. Não há apontamentos perfeitos, mas há tipologias de apontamentos que produzem mais resultados.

Para serem eficientes, os apontamentos devem ser iniciados em aula e posteriormente aperfeiçoados e complementados em casa. Isto permite relembrar o trabalho de aula e seguir uma linha de raciocínio. Devem ser realizados num caderno ou dossier diferente do utilizado nas aulas. Isto permite de forma fácil compilar e juntar, pela percepção de cada aluno, toda a matéria do inicio ao fim do ano. Em qualquer tese que tenha abordada matéria anterior que já foi dada á mais tempo, o aluno tem assim a possibilidade de rapidamente rever as temáticas com os seus apontamentos, com os seus exemplos, com o que lhe faz sentido.

Os apontamentos devem ser diversificados. Não devem incluir apenas os resumos. Devem ter esquemas, exemplos, exercícios modelo, ilustrações, anotações para complementar informações nas páginas x ou y do manual, da enciclopédia ou da internet.

Os apontamentos devem ser práticos de consultar. É importante que não se perca muito tempo a localizar a informação. Em cada temática deve ter uma abordagem inicial geral e só depois a respectiva exploração. A utilização de cores diferenciadas para dar realçar aspectos mais importantes e captar a atenção do aluno mais rapidamente.

6. Como é que um professor pode transmitir métodos de estudo aos seus alunos?

A forma mais imediata é dar uma aula sobre “como estudar na minha disciplina”. No entanto o principal para além da estratégia individual de cada aluno é o desenvolver o seu trabalho individual e a sua autonomia.

O professor pode e deve incutir a necessidade do trabalho autónomo dos seus alunos. Cada disciplina tem especificidades um pouco diferentes o professor deve dedicar atenção a este aspecto e incluir a temática numa das suas aulas. A sua estratégia pode incluir a valorização do trabalho autónomo na avaliação do aluno. Atribuir com regularidade trabalhos de casa que procurem não ser repetitivos e mais do mesmo que fazem nas aulas. A prática é boa mas a reflexão também é importante. Os trabalhos de grupo também são um modo de colocar os alunos a trabalhar em casa. Uma estratégia interessante é pedir que os alunos participem a “dar as aulas” com eles ou mesmo sozinhos com supervisão do professor. Deste modo está a contribuir para uma coisa também importante. Não só dedicarmos esforço no reforço do que já vimos e trabalhamos, mas no que ainda estará para vir. É importante um aluno saber que na próxima aula se vai trabalhar aquela temática. Este poderá em casa abordar o assunto com a família, investigar um pouco mais para que na aula, o encadeamento lógico das temáticas seja mais facilitado (não é a primeira vez que aborda aquele assunto) como também lhe permite ser mais participativo.

criancas

Nos tempos que decorrem, rara é acriança que não é aluno a “tempo inteiro”. Raros os que não frequentam pelo menos um tipo de
actividade extra-curricular; quer seja no espaço da escola ou fora dela.
Há já alguns estudos efectuados acerca das actividades extra-curriculares. Estes evidenciam que as crianças frequentadoras deste tipo de actividades, apresentam um melhor desempenho académico (Barber, Eccles, Stone & Hunt, 2003) e uma maior auto-estima e auto-conceito (House, 2000; Marsh, 1992). No entanto salvaguardam que o exagero no tempo e diversidade das actividades conturba esses mesmos benefícios. É necessário deixar a criança “respirar”, viver a sua infância.
A maior parte das famílias encontram-se sobrecarregadas com empregos e tarefas que lhes ocupam o dia inteiro e que terminam muito depois do final dos horários curriculares. Na maioria dos casos, são escassas ou inexistentes as alternativas para que estejam com os seus filhos quando estes terminam o período das aulas, optando por lhes proporcionar actividades extra, de forma a preencher estes tempos livres. São também frequentes os pais que estão tão obcecados com o melhor para os filhos que os inscrevem em tudo pois acham que tudo é importante: a música, o natação, o teatro, inglês, a dança, o futebol, a equitação…
Será que a criança se sente feliz ao passar cerca de 5 horas na sala de aula, mais algumas horas no ATL, mais 1 hora na natação, mais 1 hora na música…? Que tempo lhe sobra para ser simplesmente criança?
Se as actividades extra-curriculares foram seleccionadas tendo em conta o gosto pessoal da criança e os seus interesses, nesse caso os objectivos são obviamente positivos. No entanto, quando a criança é “obrigada” a participar numa actividade que não tem a ver com o seu leque de interesses, será que os benefícios que daí advêm são assim tão positivos?
Muitas vezes são os pais que escolhem as actividades que a criança vai frequentar, tendo em conta o seu próprio gosto, percurso de vida ou comodidade entre a oferta mais próxima. Outras vezes querem que eles possam vivenciar tudo aquilo que eles não puderam, o que, inconscientemente, vai sobrecarregar a criança. Nestes casos, as actividades extra-curriculares podem trazer mais transtornos do que benefícios.
Para terminar, de uma forma geral, as actividades extra-curriculares trazem benefícios desde que seja salvaguardado o tempo de ser criança para brincar e divertir-se. As actividades promovem a troca de experiências entre pares, a autonomia, criatividade e iniciativa, o trabalho de grupo e cooperação, a aprendizagem e o gosto por áreas de aprendizagem distintas, desde que sejam seleccionadas de acordo com os gostos da criança, e desde que sejam doseadas com conta, peso e medida!
Um outro aspecto a ter em preocupação é a gestão dos tempos das actividades. Organize-se para que o seu filho não tenha de vivenciar todas as actividades durante a semana. Que de 2ªa a 6ª tenha tempos livres que possam ser aproveitados para descansar e estudar. Deixe alguma para o fim de semana. Mesmo que isso lhe retire tempo para o seu descanso será garantidamente mais proveitoso para o seu príncipe ou princesa.

 

Renato Paiva

Sara Louro