humoreducacao

humoreducacao«Schhhhiuuuu! Silêncio meninos, que eu quero começar a aula. O recreio já foi. Agora é para aprender.» «Ai, lá vai começar a seca…»

O tema do humor da educação  é ainda muito apelativo e inovador. Desta vez foi a revista Família Cristã que veio à Clínica  da Educação falar com Renato Paiva sobre o assunto. Aqui deixamos o link do artigo pala leitura na íntegra.

Consulte aqui o artigo completo

avos

Nos tempos que correm, viver com os avós é uma realidade bem presente. Os motivos podem ser vários: questões económicas, viuvez, doença, etc., podem ser os dois ou apenas um dos avós, mas no final, a forma como se vive com eles passa por um processo de aprendizagem de todos os elementos e de grande adaptação.

Se por um lado, existem várias vantagens de se viver com os avós, não só pela ajuda que estes dão aos filhos no cuidar das crianças, na lida da casa, no apoio das rotinas das crianças, no equilibrio emocional presente na vida das crianças, também tem algumas desvantagens.

As desvantagens têm a ver não só com a educação das crianças, quando os valores que regem pais e avós não são os mesmos, como tem implicações directas na vida do casal. Para um dos elementos será sempre sogro ou sogra, e isto pode causar algumas discussões quando existem diferenças de pensamento e de comportamento.

Se pensarmos nos avós como elementos activos na dinâmica da casa e da família, temos de equacionar que esta convivência tem de ser regida por regras, onde prevalece sempre os ideais dos pais, e onde a troca de opiniões sobre a educação das crianças tem de ser tida longe das crianças e onde a concordância nos comportamentos tem de existir sempre perante a criança.

Tal como na situação em que os avós não vivem com os netos, o papel do avô é sempre mais de mimar e cuidar do que de educar, do que estabelecer as regras e os limites. Esta realidade não é fácil de gerir pois, quando de baixo do mesmo tecto existe duas linhas de cuidar diferentes, uma de regras e colo, e outra de mimo e alguma fuga às regras, é um bom alimentador de situações de conflito, de jogo emocional entre pais e avós, e as crianças rapidamente aprendem a lidar conforme lhes é mais benéfico.

Mais do que nunca, os avós têm de ter um papel mais neutro perante as regras impostas em casa, e os pais têm de se manter fieis às rotinas e regras que impõem. Ao mesmo tempo, o mimo e o colo tem de existir sem que isso implique fugir ao que está estabelecido. Existe tempo para tudo, é uma questão de se conseguir conciliar esse tempo e nunca se deixar entrar nos jogos de pressão psicológica do “eu gosto mais do avô do que de ti…” ou “vou pedir à avó porque ela deixa…”.

Conseguindo este equilibrio, viver com os avós tem as tais vantagens que já referi em cima. Possibilita uma maior diversidade de brincadeiras, maiores situações de lazer para as crianças, enquanto os pais estão a trabalhar, permite um contacto mais próximo e constante com os avós, com os seus ensinamentos. É muito bom para avós e netos, que acabam por ter tempo priveligiado para a sua relação e troca de aprendizagens e mimos.

Para os pais, quando os avós são um apoio, também se torna muito vantajoso, pois têm hipótese de gerir os seus tempos de forma diferente, com mais duas ou quatro mãos a cuidar dos seus pequenos, permitindo dedicar-se mais tempo ao casal, que muitas vezes se perde ou se torna esquecido na azáfama do dia-a-dia.

Contudo, se a situação que leva os avós a viverem com filhos e neto é a doença, este quadro pode ser mais complicado. As regras para a convivência são as mesmas, no entanto, muitas vezes, os avós nesta situação não têm a capacidade de dar o apoio necessário aos filhos no cuidar dos netos, e por outro lado, sentem-se numa pressão emocional muito grande, entre o gerir a frustração de estarem dependentes dos filhos e serem um “peso” para estes, e o quererem ajudar e não conseguirem.

Nestas situações, os níveis de conflito e a tensão emocional pode aumentar, e o desgaste psicológico dos filhos pode ser maior. Entre o cuidar dos seus próprios pais e dos seus filhos, fica pouco tempo para cuidar de si. A tolerância vai diminuindo e as discussões podem-se tornar mais presentes. O ambiente fica mais pesado e por vezes mais negativo.

Desta forma, é importante ter muita atenção e perceber que é possível sentir cansaço, que nem todos os dias se vai conseguir chegar a todos, mas que o mais importante é o tentar encontrar um equilibrio de cuidado entre todos. Perceber que mesmo com limitações, os avós podem e devem ter um papel na rotina diária da família, que os netos podem e devem ajudar no cuidar dos avós, e que os filhos também têm dias que estão mais cansados e com menos paciência. Os conflitos vão existir, e é necessário aceitar esta realidade. É fundamental é encará-la não como a definição da relação familiar, mas sim como apenas um momento, e que a seguir é possível voltar a sorrir e a existir entre-ajuda.

Os tempos têm mudado, e cada vez mais os avós ainda são activos profissionalmente, e aquela ideia das crianças passarem sempre as férias com os avós, de existir sempre muita disponibilidade para as aventuras com estes, começa a deixar de ser uma realidade. A pressão profissional e social é muita, sendo muito fácil entrar em rotinas onde estes laços emocionais, estes momentos ficam para segundo plano. O tempo torna-se pouco e a sua gestão difícil para chegar a todo o lado, ficando muitas vezes estes momentos em família para depois, e é um depois que tarda sempre a chegar.

Assim, e se as condições de vida levam a que três gerações partilhem o mesmo tecto: avós, filhos e netos, então vamos tentar aproveitar o melhor que se pode desta realidade, sendo este um espaço onde os laços familiares vão sendo fortalecidos, onde as experiências de vida, a história familiar é enriquecida a cada dia que passa e no fim, onde é possível educar as crianças num seio familiar harmonioso, com abertura ao diálogo, onde existem regras, rotinas, e muito respeito e amor.

 

pais

Educar os filhos é uma tarefa dos pais. O papel dos Infantários e das escolas na educação das crianças

 

Constatamos que nos últimos tempos, o investimento por parte da mulher portuguesa na sua formação e actividade profissional tem sido cada vez maior. Constatamos também que a taxa de emprego materna em Portugal é uma das mais altas da União Europeia, condição particularmente visível em mães com bebés entre os 0 e os 2 anos. Adicionalmente, observa-se um aumento de famílias monoparentais, em que as crianças vivem com apenas um dos progenitores, geralmente a mãe. Com estes cenários em que os pais, condicionados com a sua actividade profissional, ficam com tempo mais reduzido para acompanhar os seus filhos nos seus primeiros anos de vida, tem-se verificado um delegar na escola e nos jardins-de-infância parte dos trabalhos educativos que são pertença da família.

Comummente, usamos 3 palavras que geralmente causam dúvidas e alguma confusão. Educar, instruir e ensinar. Educar uma criança, instruir uma criança e ensinar uma criança serão a mesma coisa? Parece-me pertinente clarificar: Quando estamos a desenvolver as destrezas físicas de alguém, estamos a instruí-lo; quando estamos a desenvolver as faculdades intelectuais de alguém, estamos a ensiná-lo. Só quando estamos a desenvolver as capacidades morais de alguém é que estamos a educá-lo.

O que poderemos considerar por ensinar? Normalmente, quando se fala em ensinar, a escola entra logo nos planos! O professor a ensinar os alunos a ler, a ensinar a fazer contas, a ensinar que foi D. Dinis que mandou plantar o pinhal de Leiria, os ossos do corpo humano, e por aí em diante. Então o que se aprende na escola? Á priori serão os conteúdos programáticos, os saberes temáticos e teóricos, dos quais constam as disciplinas de Matemática, de História, de Língua Portuguesa, de Geografia, de… Neste sentido, assumem-se as principais figuras desta interacção o aluno e o professor, decerto. Quando denomino aluno e professor, não quero que se fique com a sensação que o ensino apenas se dá entre aluno e professor. Um pai pode muito bem ensinar ao seu filho de cinco ou seis anos como se fazem contas de somar, e isso não o cognomina com o grau de professor. Mas o que gostaria de salientar aqui é que, o que se ensina são saberes teóricos, e é isso que distingue o ensinar do educar e o instruir. Assim sendo, o local privilegiado onde se dá este ensino será, sem dúvida, a escola.

 

Instruir assume-se como um saber fazer, uma destreza corporal, que o instrutor tenta passar ao aprendiz. No ensino, os conteúdos são saberes temáticos e teóricos, enquanto na instrução são saberes-fazer e destrezas corporais (o savoir-faire dos franceses ou o know-how dos ingleses). Nesta perspectiva, a grande diferença entre ambos é o tipo de conteúdo transmitido, o saber teórico versus o saber fazer. É a oposição entre a teoria e a prática. E onde se dá esta instrução? Também se dá na escola, primordialmente em locais como o ginásio, a oficina, o atelier de pintura ou na sala de música. Ocorre geralmente nos locais onde os conteúdos que são transmitidos são predominantemente práticos, são sobretudo competências corporais. E, para além do professor, como se designam as figuras que participam nesta mesma actividade? Incluímos aqui o instrutor, que instrui o seu aprendiz (tal como nas marcenarias existem os aprendizes de marceneiro, que aprendem com o instrutor), ou o mestre, que instrui o seu discípulo (tal como o mestre de artes marciais instrui o seu discípulo na arte de combate).

Educar. Quando reflectimos sobre esta palavra, lembramo-nos de várias coisas! Eu posso ter imaginado uma mãe a insistir que a sua filha diga se faz favor quando pede algo, e você ter pensado num pai a dar um raspanete no filho, por este se ter portado mal. Então quais serão os conteúdos da educação? Por certo serão os valores, regras de conduta, normas, atitudes, costumes e comportamentos sociais. E quem serão principais figuras deste processo? Por um lado, quem está a aprender, o educado. Por outro, quem educa. Educar ocorre sempre, e sem local definido. Não decorre num sítio tão circunscrito como aquele inerente ao ensinar e instruir. A educação concretiza-se no quotidiano, nos locais mais recônditos pelos quais nós passamos.

Estamos a educar e a ser educados em casa, na rua quando o pai cede a passagem a quem está na passadeira, ao ver televisão e a ouvir rádio, a ouvir o raspanete do senhor da padaria por termos furado a fila e não termos respeitado a vez de sermos atendidos, entre tantas outras situações. Assim, tal como esta educação pode tomar lugar nos sítios mais variados, também os responsáveis pela mesma são muito variados. Os pais e os familiares mais próximos são os principais mentores educativos, mas também o vizinho do lado, o amigo ou o professor estão permanentemente a educar quem com eles interage.

É no seio familiar que se constroem os alicerces de educação das crianças. São os pais os principais educadores de valores em que acreditam e que querem igualmente passar aos seus filhos. Contudo por inerência da interacção e da convivência social, a escola também assume um papel importante. Quando educamos para o respeito, a tolerância, para a gratidão, a amizade, entre tantas outras situações, a escola assume igualmente um papel relevante. Claramente não apenas educacional, mas também! É no contexto social que os valores se manifestam, se põe á prova, se aplicam e se reforçam e o jardim-de-infância é um primeiro contexto social onde a criança se insere. Onde aprende, onde partilha, onde convive e socializa.

No jardim-de-infância onde se ensina, onde se instrui, mas igualmente onde se educa, este contexto assume um papel essencial em paralelo com a família como um condutor de comportamentos sociais fulcrais ao desenvolvimento da criança.

 

cartazfinalsite2

Com o tema “(Re)Agir na Indisciplina”, este encontro visa debater as tendências e desafios dos problemas comportamentais.
Este encontro reúne especialistas conceituados que irão realizar diferentes comunicações temáticas partilhando a sua experiência, conhecimento, investigação e reflexão que irá contribuir para um enriquecimento da comunicação e discussão com todos os participantes.
Ao participar neste encontro certamente encontrará uma comunidade de trabalho e partilha sobre o tema, que lhe permitirá expandir e aprofundar o seu conhecimento. Desfrutará de um congresso promovendo a partilha, o debate, a comunicação entre pares, onde os conteúdos formais serão tratados de forma mais próxima e informal.
É recomendado a:
§  Educadores de Infância,
§  Professores do Ensino Regular,
§  Professores de NEE,
§  Psicólogos,
§  Pais e Encarregados de Educação,
§  Profissionais de Saúde,
§  Técnicos de Educação

Encontrará um encontro de qualidade que oferece aos participantes uma óptima oportunidade de actualização, partilha e esclarecimento de dúvidas, uma oportunidade de conhecer os investigadores de referência em Portugal.
A participação neste encontro contribuirá certamente para um reforço no seu currículo académico com o registo de participação deste congresso.

 
Informações e inscrições em http://reagirnaindisciplina.blogspot.pt/

poster

Os avanços da tecnologia e o advento da internet trouxeram impactos inimagináveis para a sociedade. Estamos perante de uma sociedade online, com e-mails, telemóveis, tablets, chats, motores de busca, milhões de sites, comunidades online, sms, messenger, skype entre outras ferramentas que até à relativamente pouco tempo não faziam parte de nossa rotina diária de trabalho e lazer.

Neste novo cenário de mudanças tecnológicas deparamo-nos com novos desafios e com novas formas de relacionamento que afetam o comportamento humano e consequentemente todos os aspectos que envolvem o desenvolvimento de uma sociedade, inclusive a EDUCAÇÃO.

Nesse sentido convidamos o Dr Fernando Albuquerque Costa para connosco partilhar o seu conhecimento e experiência numa formação com os seguintes objectivos:
* Conhecer as estratégias potenciadoras de trabalho pedagógico

* Reflectir sobre as tecnologias no ensino

* Identificar os principais desafios de ensinar com tecnologia

 

Esta Formação destina-se a todos os interessados na temática: Pais, Professores, Educadores, Psicólogos,…

Esta acção ocorrerá no dia 20 de MArço entre as18h e as 20h,  num momento informal e descontraído de partilha mútua entre com o Dr. Fernando Albuquerque Costa e todos os que quiserem juntar-se a nós neste momento no auditório do Metropolitano de Lisboa (dentro da estação do metro do alto dos moinhos).

 

 

O Formador é o Dr Fernando Albuquerque Costa, licenciado em Psicologia e doutorado em Ciências da Educação pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, onde é professor desde 1988. Desenvolve actividade docente e de investigação, desde 1996, no domínio das Tecnologias Educativas. Coordenou diferentes projectos europeus neste domínio a nível nacional, nomeadamente os projectos PEDACTICE, sobre avaliação de software multimédia educativo e IPETCCO, sobre inovação das práticas pedagógicas. Tem várias dezenas de artigos publicados sobre aprender e ensinar com tecnologias, tendo participado recentemente na organização da obra “A utilização das TIC em Portugal. Concepções e Práticas” (2008) e na coordenação do “Estudo de implementação do ‘Projecto Competências TIC” do Plano Tecnológico da Educação (2008).
Participa na direcção de três revistas científicas: sub-director da Revista Educação, Formação e Tecnologias (http://eft.educom.pt), editada pela EDUCOM em Portugal; Associate Editor da Interactive Educational Multimedia, editada pela Universidad de Barcelona (http://www.ub.es/multimedia/iem/); Membro do Conselho Editorial da Revista SÍSIFO – Revista de Ciências da Educação da Unidade de I&D de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa (http://sisifo.fpce.ul.pt/).

 

Convidamo-lo(a) a estar também connosco. a participação nesta acção tem um custo de 20€ (valor sem iva).

Formulário de inscrição aqui

 

 

bracopartido

É frequente entrar numa escola e verificar casos de crianças e adolescentes com braço partido. Devidamente engessado e orgulhosamente ao peito com dedicatórias, assinaturas e até desenhos artísticos.

Os acidentes acontecem e podem ser ainda mais comuns em crianças e adolescentes. Estes têm uma vida agitada, praticam desporto, brincam, arriscam e esquecem-se muitas vezes dos perigos que os mesmos proporcionam.

Em tempo lectivo o mesmo também se passa pois não partimos braços apenas nas férias. Inclusive  nas aulas de educação física, onde os movimentos corporais aumentam e exigem maiores destrezas, equilíbrio, força e agilidade, podendo causar quedas bruscas e, consequentemente, fracturas ou traumas. Além disso, podem acontecer as luxações, torções musculares que impedem os movimentos correctos das partes afetadas.

 

Para o aluno é chato e aborrecido mas também complicado por ficar tanto tempo imobilizado. É difícil fazer as tarefas de casa, as anotações das aulas, os trabalhos escolares e mesmo os testes, podendo ficar com as notas um pouco prejudicadas.

Os pais procurar entrar em contacto com a escola, levar os respectivos atestados médicos, justificar as faltas do aluno, mas sobretudo conversar sobre a melhor forma de solucionar a dificuldade das atividades que não poderão ser feitas nesse período ou feitas de forma limitada. Devem tentar articular-se e proporcionar soluções eficientes para que o aluno não fique ainda mais prejudicado como: copiar diariamente os apontamentos da matéria do caderno de outro aluno todos; aceitar os trabalhos de casa escritos por outras pessoas, como os próprios pais do aluno, irmãos ou amigos; proporcionar testes e provas orais ou aplicá-los quando o aluno já estiver em condições de escrever; promover avaliação de outras formas evitando as provas escritas.

De uma forma articulada, pais e professores poderão mais facilmente superar a adversidade e a limitação motora, revelando ao aluno que, mesmo estando em um período de dificuldades, não é impedimento de um trabalho diário e eficiente. Demonstra preocupação, atenção promovendo um maior envolvimento do aluno sem que este se sinta prejudicado, mas sim apoiado e inserido activamente nas suas normais actividades.

 

avos

O papel dos avós na educação dos netos é muitas vezes complexo e complicado visto muitas vezes gerar conflitos entre pais e filhos. Por outro lado, é um papel rico e essencial para o crescimento das crianças.

Apesar do conceito família ter vindo a sofrer alterações, ao longo dos tempos o papel dos avós na vida dos netos não tem sido alterado.
Os avós assumem o papel de cuidar, de transmitir valores, crenças, tradições e rituais familiares, assim como “substituir” os pais quando estes estão ausentes. Com os avós, encontra-se o espaço para ouvir histórias de encantar, lendas e as peripécias infantis dos seus pais. Encontra-se tempo para aprender a andar de bicicleta, jogar às damas ou a saltar à corda. São os avós que encontram muitas vezes o tempo para nos ouvir, para brincar, cozinhar, passear… Para simplesmente estar com os netos e os “mimar”.
Os tempos mudaram e hoje em dia, a probabilidade dos avós ainda trabalharem e terem uma vida muito activa é uma realidade bastante diferente de antigamente. Neste sentido, é fundamental não esquecer que os avós não têm de assumir papel de pais, mas que estão lá para apoiar e têm todo o gosto de estar com as crianças e de as ajudar a crescer. Para isto, será sempre importante perceber qual a disponibilidade dos avós e quando se está a implicar com as rotinas e obrigações desta classe, de forma a conseguir disponibilizar momentos de lazer e prazer com os avós, em vez de momentos de mau-estar e obrigação. O estar com os avós, para as crianças, deve ser visto como algo positivo e um momento mágico.

Com a vida profissional tão activa e a falta de tempo de ambos os pais, por vezes, a opção das crianças passarem períodos de tempos mais largos com os avós, por estes estarem mais perto dos infantários, estando menos tempo com os pais é inevitável. Aparentemente esta situação não tem nada de negativo, contudo pode tornar-se perigosa, visto que os avós acabam por substituir os pais no papel de educadores, e quando posteriormente, na adolescência voltam para casa dos pais, a relação estabelecida é diferente, e pode levantar grandes dificuldades na adaptação a novas regras bem como alguns problemas de adaptação ao nível da escolaridade.
Os avós são as figuras que transmitem confiança e segurança, são o cantinho onde as crianças colocam os seus medos e anseios… são muitas vezes as pessoas a quem, na adolescência, contam os seus segredo e com quem partilham muitas das suas experiências.
Os mimos e o cuidado de uma criança são imprescindíveis no crescer saudável de uma criança, no desenvolvimento de uma auto-estima forte e de um bem-estar interior. Contudo, estes mimos passam por tratar com respeito e afecto em vez de ter uma postura de total permissividade, pois, desta forma, as crianças correm o risco de ler o amor e o cuidado como dependentes da realização imediata dos seus desejos, não vendo meios para atingir os fins. Esta dificuldade irá prolongar-se e tornar a adaptação aos pares e à frustração algo mais complicado de gerir, podendo comprometer o desenvolvimento ao nível do crescimento social.

O papel de educadores pertence em primazia aos pais dando espaço aos avós para, por vezes, fecharem os olhos quando as crianças fogem às regras ou simplesmente, para lhes permitirem quebrar ligeiramente a “rigidez” da rotina. Contudo, o diálogo entre pais e avós relativos às regras e aos aspectos fundamentais da educação das crianças é obrigatório na medida em que,não devem impor regras diferentes nem permitir alguma permissividade nos aspectos que são cruciais para os pais.
Quando a articulação de regras e a sua definição não está clara, é muitas vezes o motivo deconflito entre estas duas gerações (pais e avós), podendo levar a roturas no seio da família, seja entre os casais ou entre pais e filhos. Os avós têm mais experiência mas não podem optar por ter uma postura de “experts”, optando por apenas dar a opinião quando existe espaço para isso. Por outro lado, os pais devem optar por tentar conciliar os conselhos que recebem e os valores que os sustentam. No fim, tem de ser claro para avós, pais e crianças, que a última palavra é a dos pais.

Assim, os avós têm um papel importante na educação dos netos, permitindo-lhes um espaço diferente onde descobrem novos mundos, onde se podem refugiar sem críticas, onde podem encontrar o mimo constante para crescerem saudáveis e fortalecidos emocionalmente. Os avós vão assim complementar o espaço de educação parental cujas regras e limites estãomarcados de forma mais rígida, embora sempre com a mesma estrutura e valores.