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Representados por Renato Paiva no congresso internacional de Dislexia que se realizou no fim de semana, “O segredo do sucesso na escola” foi o tema proposto para uma apresentação repleta de reflexão.

Com boa organização e um público interessado e participativo, ressalvamos as evidências das neurociências para reflectir sobre as condicionantes do sucesso escolar.

 

Pelas redes sociais recebemos alguns comentários que aqui deixamos:

“Há pessoas que nos ensinam, outras que nos inspiram! Embora tenha aprendido já imenso contigo, ouvir-te é sempre um momento de reflexão muito agradável e enriquecedor!”

Renato Paiva já iniciou os trabalhos! Excelente palestra!”

Desejamos ter conseguido captar a atenção e fazer repensar práticas.

 

 

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Ontem foi assim, na escola D. Domingos Jardo em Mira Sintra numa formação de pais sobre dificuldades de aprendizagem. Com sala cheia e um público muito participativo, debatemos e esclarecemos os pais sobre quais são as dificuldades de aprendizagem, que preocupações a ter em conta, e como agir perante as dificuldades.

 

Os profissionais da Clínica da Educação, trabalhando numa vertente multidisciplinar e com forte componente de equipa, pela sua diversidade de formações consegue intervir em várias áreas. Como exemplo poderemos descriminar entre outras:

 

Perturbações alimentares

Perturbações do comportamento alimentar

Bullimia Nervosa

Anorexia

Perturbação da ingestão alimentar compulsiva

Nutrição

 

Liguagem e comunicação

Perturbações da linguagem e da comunicação

Apoio alunos estrangeiros/bilingues

 
Dificuldades de aprendizagem

Discalculia

Dislexia

Disortografia

Disgrafia

Dificuldades de Aprendizagem

 

Coaching

Coaching Alto desemepenho Académico

 
Família ou Competências parentais

Perturbações Familiares

Mediação familiar

Competências Parentais

 
Psicologia

Distúrbios psicológicos

Bullying

Depressão

Perturbações cognitivas

Stress

Saúde Mental

Problemas comportamentais

 

Contacte-nos, poderemos certamente ajudar.

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O estudo das dificuldades de leitura e escrita, em geral, e da dislexia e disortografia, em particular, vem suscitando desde há muito tempo o interesse de diversos profissionais como psicólogos, professores, neurologistas e outros interessados na investigação dos factores implicados no sucesso e/ou insucesso educativo. Proveniente do grego dus = difícil, dificuldade; lexis = palavra, a Dislexia tem sido uma das dificuldades de aprendizagem mais encontradas nas escolas portuguesas. Pesquisas realizadas em vários países mostram que cerca de 10 a 15% da população mundial é disléxica.

Num artigo de 2004 a Drª Paula Teles refere que a linguagem existe há cerca de 100 mil anos e que faz parte do nosso património genético. Aprende-se a falar naturalmente sem necessidade de ensino explícito. Os sistemas de escrita, sendo produtos da evolução histórica e cultural, são relativamente recentes na história da humanidade: existem apenas há cerca de 5 mil anos.

Saber ler é uma das aprendizagens mais importantes, porque é a chave que permite o acesso a todos os outros saberes. A leitura e a escrita são formas do processamento linguístico em que, aprender a ler, embora seja uma competência complexa, é relativamente simples para a maioria das pessoas. No entanto, um significativo número de pessoas, embora possuindo um nível de inteligência médio ou superior, manifesta dificuldades na sua aprendizagem. Até há poucos anos a origem desta dificuldade era desconhecida, sendo considerada uma incapacidade invisível, um mistério, que gerou mitos e preconceitos estigmatizando as crianças, os jovens e os adultos que a não conseguiam ultrapassar.

Já a escrita utiliza um código gráfico que necessita de ser ensinado explicitamente. Para decifrar o código escrito é necessário tornar consciente e explícito, o que na linguagem oral era um processo mental implícito. Com efeito, os processos cognitivos envolvidos na produção e compreensão da linguagem falada diferem significativamente dos processos cognitivos envolvidos na leitura e na escrita.

 

As competências de leitura e escrita são consideradas como objectivos fundamentais em qualquer sistema educativo, pois constituem aprendizagens de base e funcionam como uma mola propulsora para todas as restantes aprendizagens. Deste modo, a criança com dificuldade nestas áreas apresentará lacunas em todas as restantes matérias, o que provoca um desinteresse cada vez mais marcado pelas restantes aprendizagens escolares e uma diminuição da sua auto-estima.

Existem actualmente várias definições referentes à dislexia, o Dr. Vítor da Fonseca define a dislexia como uma dificuldade duradoura da aprendizagem da leitura e aquisição do seu mecanismo, em crianças inteligentes, escolarizadas, sem quaisquer perturbação sensorial e psíquica já existente. A World Federation of Neurology caracteriza-a como uma perturbação que se manifesta pela dificuldade na aprendizagem da leitura, apesar de uma educação convencional, uma adequada inteligência e oportunidades sócio-culturais.

Fortemente associada à dislexia, a disortografia também marca uma forte presença nas dificuldades educativas actuais. A disortografia centra-se na organização, estruturação e composição de textos escritos em que a construção frásica é pobre, geralmente curta e observa-se a presença de múltiplos erros ortográficos e uma má qualidade gráfica.

A detecção precoce de sinais de alerta que possam indicar um distúrbio de dislexia, devem ser sempre tidos em conta. É importante que mesmo na idade pré escolar se olhe com particular atenção se a criança apresenta uma tendência para a dispersão, fraco desenvolvimento da atenção, dificuldade com quebra cabeças, falta de interesse por livros impressos e se também manifesta um atraso ao nível da linguagem ( dificuldade de aprender canções e rimas por exemplo) e com dificuldades na coordenação motora. Apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente que ela seja disléxica; há outros factores a serem observados, mas  este será um quadro em que devamos ter uma maior atenção.

Os profissionais educativos não devem aguardar pelo aumento da idade para ver se as dificuldades de leitura, ortografia, lateralidade, visuo-espaciais, hierarquização, fraco índice vocabular, pouco reconhecimento de letras e números, troca sistemática de letras na leitura e escrita (as trocas mais comuns são o V/F, P/B, D/Q), uma leitura muito silabada com muitas pausas, pouca ou mesmo nenhuma compreensão do que leu,…

Estes sinais de alerta são indicadores que de uma dificuldade que quanto mais atempada for diagnosticada, mais rápida e simples será a sua intervenção. Mesmo com intervenção terapêutica ninguém deixa de ser disléxico. Aprende é estratégias de auto-regulação e controlo que lhe permitem que a interferência desta dificuldade seja invisível ou pouco significativa para um quotidiano normal.

São comuns, infelizmente, casos que apenas são detectados numa fase já mais tardia, 2º, 3º ciclos ou mesmo secundário, em que tanto pais como profissionais ignoram sistematicamente sinais de dificuldade de leitura e escrita, muitas vezes com o argumento de que se diluirá com a idade e com muito trabalho (geralmente mais do mesmo; mais cópias, mais exercícios, mais ditados, mais…). Com esta postura para além de enraizar rotinas em processos cognitivos erróneos, alimenta também na criança um sentimento e incompetência, uma auto-estima muito baixa em que as dificuldades ultrapassam a cognição para a relação, postura, atitude,… É necessário detectar indicadores de desmotivação e desinteresse dos alunos a tempo de se poderem empreender estratégias de prevenção e de promoção do interesse dos alunos.

Certamente que conhece muitos disléxicos sem que saiba que o são. A dislexia não é o fim do mundo! É necessário estar atento e fazer um diagnóstico nos primeiros sinais de alerta para que a intervenção seja mais eficaz. Esteja atento, faça uma avaliação neuropsicológica para que possa ter uma percepção generalista da envolvência da própria dificuldade onde se caracterizem áreas fortes e áreas débeis, que serão úteis para a delineação da própria intervenção.

Os pais podem também fazer algum trabalho com os seus filhos que apresentem dificuldades de leitura e escrita, mesmo não sendo disléxicos. Jogar com palavras, com letras, com sílabas, com rimas, letras móveis, com construção de textos de ficção onde a imaginação é o limite…

Envolver as crianças com actividades que envolvam leitura e escrita em que os desafios para além da leitura e da escrita sejam o jogo, a motivação do ganhar, envolvam a criança com as suas dificuldades e desta forma sejam trabalhadas de uma forma lúdica. O uso do computador, em que possamos espaçar mais as linhas, colocar um tamanho de letra maior, comunicar através da escrita com outras pessoas são também estratégias úteis para um trabalho parental nestas situações.