disortografia

Afirmações como estas não são novidade para quem trabalha ou convive com pais de crianças com disortografia: “O meu filho escreve com muitos erros”; “O meu filho esquece-se de escrever letras e noutras alturas acrescenta letras que não existem numa palavra”; “O meu filho nunca está com atenção, frequentemente troca sílabas quando escreve palavras do dia a dia”…

Pela definição, Disortografia é “o conjunto de erros da escrita que afectam a palavra mas não o seu traçado ou grafia” (Vidal, 1989). Resultam na incapacidade de estruturar gramaticalmente a linguagem, podendo manifestar-se no desconhecimento ou negligência das regras gramaticais, confusão nos artículos e pequenas palavras e, em formas mais banais, na troca de plurais, falta de acentos ou erros de ortografia em palavras correntes ou na correspondência incorrecta entre o som e o símbolo escrito (omissões, adições, substituições, etc.).

Por sua vez, Moura (2000), diz-nos que Disortografia é uma perturbação que afecta as aptidões da escrita, e que se traduz por dificuldades persistentes e recorrentes na capacidade da criança em compor textos escritos. Estas dificuldades centram-se na organização, estruturação e composição de textos escritos, sendo que a construção frásica é pobre e geralmente curta, observando-se a presença de muitos erros ortográficos.

 

Avaliação/Diagnóstico:

Tal como na dislexia é da máxima importância fazer atempadamente a avaliação, para posteriormente se poder intervir. Infelizmente, nem sempre o diagnóstico de uma criança com disortografia é realizado logo no início da sua escolaridade, permitindo uma intervenção mais precoce e mais célere. Existem testes e avaliações formais, que devem ser aplicados por técnicos específicos.

Cabe não só aos professores mas também aos pais, que passam mais tempo com a criança, aperceberem-se de alguns sinais que possam revelar uma possível dificuldade na aprendizagem da escrita.

Alguns sinais indicadores:

- substituição de letras com sons semelhantes;

- omissões (chocolate-chocoate) e adições (ambulância-ambunlância);

- uniões (na casa-nacasa) e separações (automóvel-auto móvel);

- omissão e/ou adição de “h“ (hotel-otel;)

- dificuldade na percepção dos sinais gráficos (parágrafos, pontuação e acentuação);

- escrita de “n“ em vez de “m“ antes de “p“ ou “b“;

- substituição de “r“ por “rr“;

- trocas (SS – S; S – Ç; CH – X);

- confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia semelhante: a-o; e-c; f-t; h-n; i-j; m-n; v-u etc;

- confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço: b-d; b-p; d-b; d-p; d-q; n-u; a-e;

- confusão entre letras que possuem um ponto de articulação comum, e, cujos sons são acusticamente próximos: d-t; j-x;c-g;m-b-p; v-f;

- inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras: me-em; sol-los; som-mos; escola-secola.

Devido a estes “erros e trocas”, é frequente a criança com disortografia apresentar textos muito reduzidos e ler devagar por causa das suas dificuldades; poderá ser algo desorganizada, bem como distraída ou esquecida, independentemente do quanto se esforce; outra característica comum é ter alguma dificuldade em seguir uma sequência de instruções.

Após o diagnóstico, deve então passar à fase de reeducação e reintegração sócio-escolar das crianças com disortografia. Assim, a intervenção não deve centrar-se apenas na correcção dos erros ortográficos, mas actuar também ao nível da percepção auditiva, visual e espacio-temporal, memória auditiva e visual, vocabulário e outros. Estas lacunas e dificuldades ao nível da escrita, estão relacionadas com um défice nos processos fundamentais para a aprendizagem, pelo que deverá ser neste âmbito que a intervenção deve incidir prioritariamente:

Percepção:

- memória visual e auditiva, fundamental para a memorização dos esquemas gráficos ou para discriminação dos fonemas;

- estruturação espacio-temporal, essencial para a discriminação de grafemas com traços semelhantes e adequado acompanhamento da sequência e ritmo da cadeia falada;

- atenção: se esta é instável ou frágil, não permite a fixação dos grafemas ou dos fonemas correctamente.

Linguística:

- problemas de linguagem – dificuldades na articulação (dislalias/disartrias);

- fraco conhecimento e utilização do vocabulário.

Afectivo-emocional

- baixo nível de motivação.

Pedagogia:

- métodos de ensino não adequados à problemática, não se ajustando às necessidades individuais e não respeitando o ritmo de aprendizagem de cada aluno.

 

O que fazer se o meu filho tiver disortografia:

As crianças com disortografia têm uma maior necessidade de acompanhamento constante, não só dos pais, mas também dos professores que a acompanham e que são responsáveis pela sua aprendizagem. Partindo do princípio de que não existe uma receita para “curar” a disortografia, ficam algumas sugestões de trabalho que poderão ajudar e que são facilmente aplicáveis:

- encoraje todas as tentativas de escrita, mostre interesse pelos trabalhos escritos e elogie o seu filho;

- incite a criança a elaborar os seus próprios postais e convites, a escrever o seu diário no final do dia como rotina;

- chame a atenção da criança para as situações diárias em que é necessária a utilização da escrita;

- incite a criança a ajudá-la na elaboração de uma carta ou uma lista de compras;

- não valorize demasiado os erros ortográficos, uma vez que estes já são frequentemente motivo de repreensão e frustração;

- ao invés de corrigir simplesmente os erros, tente procurar a solução juntamente com a criança (ex.: “qual a outra letra que podemos usar para fazer esse som?”);

- utilize cadernos de actividades que sejam do agrado do seu filho (que existem no mercado) e que permitam à criança trabalhar os vários casos de ortografia;

- estabeleça uma boa relação com os professores do seu filho, assegurando-se de que eles têm consciência das suas necessidades, e articule com eles um trabalho conjunto de apoio ao seu filho;

- na escola, sente o aluno próximo do professor, para que possa captar-lhe a atenção e ajudá-lo nas suas dificuldades;

- elimine possíveis focos de distracção (materiais desnecessários, janelas abertas, barulhos…);

- ajude o aluno a organizar o material de trabalho (dossier, pasta de trabalhos realizados…);

- tente marcar menos trabalhos de casa de forma a possibilitar que o aluno os termine com sucesso;

- quando possível, aceite respostas orais;

- a nível gramatical, sublinhe o que está certo em vez do que está errado;

- não insista demasiado em cópias e ditados.

 

Acima de tudo, não sobrecarregue a criança com trabalhos e fichas que a cansem demasiado e a levem a ver as actividades académicas como desagradáveis. Tem que haver tempo para trabalhar mas também muito para brincar!!!

 

Sara Louro

 

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Escrever é…

No passado dia 25 de Outubro realizamos uma formação onde pais e profissionais tiveram o privilégio de trabalhar este tema com a Drª Anabela Malpique. Num workshop com uma vincada vertente prática, analisamos as diferentes fases da escrita, das dificuldades a ela associadas, com e sem comorbilidades. Abordamos também diversos aspectos práticos a ter em conta na promoção de uma escrita eficiente com diversas estratégias de forma a poder dar tempo, qualidade e prática da nobre tarefa que é escrever.

Escrever envolve diversas tarefas do dia a dia, com diversos tipos de escrita, com diversos emissores e receptores, com diferentes tipos de mensagens. Adequar a escrita em função do contexto não é fácil, envolve sacrifício, treino, persistência, mas também muito prazer.

poster

Escrever é…

No passado dia 25 de Outubro realizamos uma formação onde pais e profissionais tiveram o privilégio de trabalhar este tema com a Drª Anabela Malpique. Num workshop com uma vincada vertente prática, analisamos as diferentes fases da escrita, das dificuldades a ela associadas, com e sem comorbilidades. Abordamos também diversos aspectos práticos a ter em conta na promoção de uma escrita eficiente com diversas estratégias de forma a poder dar tempo, qualidade e prática da nobre tarefa que é escrever.

Escrever envolve diversas tarefas do dia a dia, com diversos tipos de escrita, com diversos emissores e receptores, com diferentes tipos de mensagens. Adequar a escrita em função do contexto não é fácil, envolve sacrifício, treino, persistência, mas também muito prazer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Saber escrever é um dos desafios e das enormes

ansiedades das crianças quando entram para a escola. O mundo da escrita é algo que fascina as crianças e que desde cedo despoleta o gosto por aprender. Aprender a poder transmitir os seus pensamentos, as suas ideias, as suas histórias, tal como ouvem pela leitura atenta dos livros que lhes proporcionam.

Aprender a escrever é um desafio para a criança mas também para os professores a quem cabe essa enorme responsabilidade e também para os pais que desejam que o processo de aprendizagem decorra com normalidade. Nem sempre é assim e algumas crianças manifestam dificuldades de escrita.

Esta formação foi programada para pais e professores tendo em vista o domínio da criança no seu processo de escrita, favorecendo o sucesso escolar.

Tem como objectivos:

* Identificar e conhecer as dificuldades de escrita

* conhecer estratégias de trabalho

* apresentar propostas e instrumentos de intervenção

 

Esta acção ocorrerá no dia 25 de Outubro entre as18h e as 20h,  num momento informal e descontraído de partilha mútua entre com a Dr.ª Anabela Malpique  e todos os que quiserem juntar-se a nós neste momentono auditório do Metropolitano de Lisboa (dentro da estação do metro do alto dos moinhos).

 

A formadora é a Drª Anabela Malpique, professora do ensino básico e secundário desde 1999, ganha experiência profissional no ensino da Língua Portuguesa e da Língua Inglesa em Portugal, tendo trabalhado em diversos níveis de ensino, do ensino diurno ao recorrente e incluindo o ensino profissional. Em 2006, estabelece residência no Reino Unido, onde conhece o sistema de ensino inglês exercendo funções de docente em diferentes contextos e níveis educativos: do ensino primário ao ensino secundário, exercendo funções como docente/tutora de Português como Segunda Língua no ensino universitário, na Universidade de Leeds, no West Yorkshire. Em 2009, termina com Distinção nessa universidade o Mestrado (MA) em Necessidades Educativas Especiais. Atualmente, é doutoranda na Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, desenvolvendo trabalho na área das Estratégias de Auto Regulação para a Escrita em contexto escolar. Formadora certificada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua, tem realizado diversas ações de formação em diferentes áreas educativas, incluindo em Desordem por Défice de Atenção com Hiperatividade (DDAH) e em Dificuldade de Aprendizagem na Escrita.

 

Convidamo-lo(a) a estar também connosco. a participação nesta acção tem um custo de 20€ (valor sem iva).

Inscrições aqui