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A tecnologia fascina os adolescentes. Gadjets, jogos, aplicações, tablets, telemóveis computadores e internet fazem parte do seu quotidiano de forma muito consistente.
A utilização da internet tornou-se, actualmente, uma realidade banal e quotidiana para os jovens. O recurso a motores de busca, sites de vídeos, de jogos, redes sociais, entre outros são uma constante no dia-a-dia das crianças e adolescentes.
A internet tem muitos aspectos positivos em termos académicos mas também acarreta algumas situações a ter em consideração. São facilmente perceptíveis as vantagens da internet: é rápida, económica, acessível, com informação que parece não ter fim, sendo por isso considerada a maior biblioteca do mundo. Costuma dizer-se que se existe está no Google e se aconteceu está no youtube e a realidade não será assim tão distante. É realmente possível encontrar quase tudo na internet.
A maior preocupação sobre a utilização indiscriminada da Internet reside no facto de que nem tudo que vem na internet é correcto ou cientificamente validado. Os alunos têm a convicção de que toda a informação que encontram é verdadeira e que a podem utilizar mas de facto existem muitos sites com informação errada e mesmo perigosa.
Desde que entramos na era da internet de segunda geração, como é chamada, qualquer pessoa pode facilmente colocar a informação que quiser na internet, e publicá-la numa questão de segundos, sem ter qualquer dificuldade ou necessidade de conhecimentos informáticos avançados. Qualquer pessoa poderá colocar a informação que o sol é um cubo de gelo ou que Portugal é uma província do Tibete! Não será repreendido nem interpelado por isso e essa informação será pública para quem pretender aceder.
Isto invoca problemas porque grande parte dos adolescentes que usam a internet como meio de pesquisa de informação, não comparam informações provenientes dos diferentes sites, ou mesmo com livros. Consideram as informações que encontram verdades absolutas, e colocam-nas nos seus trabalhos como certezas garantidas.
A informação disponível está dispersa, desorganizada e muitas vezes desactualizada e efémera. Temos assistido a inúmeros episódios caricatos neste domínio com informações absolutamente hilariantes e altamente erradas ou distorcidas. É importante ter o cuidado de ensinar a realizar uma boa pesquisa, a confirmar as fontes de informação, a procurar sites mais fidedignos.

 

Se o seu filho tem por hábito recorrer à pesquisa de informação na internet faça-lhes as seguintes recomendações:
• Pesquise em sites institucionais
• Confirme a informação noutros sites e em livros
• Não realize pesquisa exclusivamente na internet, complemente-a com consultas a manuais, livros ou enciclopédias
• Não copie textos integrais da internet
• Recolha a informação da fonte de informação para colocar em bibliografia consultada
Uma das principais queixas dos professores relativamente ao uso da internet pelos seus alunos é a cópia integral de textos. Num simples copiar e colar a informação, passa a ser propriedade do aluno e é usada como se de sua autoria fosse. Para além de falacioso e manipulador, não credibiliza o aluno. O tipo de linguagem utilizada é na maioria das vezes diferente, muitas vezes com erros de escrita pois estão em português do Brasil. A transcrição de uma frase ou ideia não terá influência mas de textos integrais irá denegrir a reputação do aluno perante o seu professor, para além do que revela pouco da sua capacidade de selecção de informação.
Um outro aspecto a ter em conta no uso da internet prende-se com a imensidaaaaãoooo de informação nela contida. É relativamente fácil qualquer pessoa perder-se entre tanta informação se não for criterioso. As interligações entre informações conduzem por vezes os alunos a sites pouco recomendáveis, ou mesmo iniciam um caminho de ligações entre sites que dispersam o seu conteúdo inicial e para o qual recorreram à internet. A perda de tempo na consulta de sites recomendados e ligações sugeridas é uma realidade perturbadora neste contexto.
Outro aspecto a ter em conta é que em ambiente virtual podemos fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo. Os alunos poderão estar a pesquisar, a jogar e a conversar de forma simultânea. A multitarefa não será sinónima de elevada rentabilidade. A dispersão da atenção entre as diferentes situações em que estão simultaneamente envolvidos é uma preocupação a ter em conta.
Ainda é um problema parental a partilha da vida virtual dos seus filhos. Num estudo recente envolvendo realidades de países como os Estados Unidos, Canadá, China, Inglaterra, Alemanha, França, Itália, Suécia, Japão, Índia, Austrália e Brasil, constatou-se que os pais estão mais preparados para falar de sexo com as crianças e adolescentes (72%) do que para falar da sua vida virtual (66%). Outro aspecto curioso deste estudo é que 66% dos pais sentem que os seus filhos passam muito tempo na internet e que não conseguem perceber o que andam a fazer. Não necessita de ser um grande “expert” mas esteja atento e peça que os seus filhos lhe expliquem o que estão a fazer e como o fazem.

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É na primeira infância que as crianças adquirem as competências base das suas aprendizagens futuras, nomeadamente no que toca à gestão dos seus afetos e ao estabelecimento das suas relações interpessoais.

A capacidade de criar laços e de estabelecer ligações com os outros começa desde muito cedo, do contato com as pessoas do círculo familiar mais intimo, que são a base das primeiras relações e que são essenciais ao desenvolvimento psicológico e social de cada individuo. No entanto também a entrada para o jardim-de-infância é um marco muito importante no desenvolvimento emocional, uma vez que é neste contexto que a maioria das crianças começa o seu processo de socialização fora do ambiente familiar – é aqui que começam a construir as primeiras relações com o seu grupo de pares.

Estas amizades com meninos e meninas da mesma idade são fundamentais para o desenvolvimento saudável e equilibrado de cada um, uma vez que permitem que as regras sociais sejam adquiridas através da brincadeira, de uma forma lúdica e inconsciente, em interação com os outros. È através dos jogos com os “amiguinhos” que cada criança vai aprendendo ou consolidando a noção de ganhar e perder, decerto e errado e que vai desenvolvendo a capacidade de compreender e aceitar o ponto de vista dos outros. É também neste contexto que vão construindo a sua autonomia pessoal e que vão aprendendo a importância de partilhar e de compartilhar brinquedos, experiências e a atenção da educadora.

Desta forma, em interação com o grupo de pares, a criança começa a estabelecer os limites do seu próprio comportamento e aprende a relacionar-se de uma forma positiva e construtiva com eles. È também em contexto relacional que aprende a lutar pelas coisas de uma forma ajustada, a tolerar a frustração e a desenvolver estratégias de comunicação verbal e não- verbal.

Estas várias aprendizagens dão-se ao longo do tempo, e deve dar-se espaço à criança para que possa aprender a encontrar o equilíbrio das suas relações gradualmente, muitas vezes, por tentativa e erro, até que encontre o seu lugar no grupo e defina a forma como interage e como se comporta nas situações sociais – e é desta forma que vai dando inicio à construção da sua personalidade.

A capacidade de estabelecer relações de amizade nas crianças vai mudando ao longo do seu crescimento de acordo com as várias características do seu desenvolvimento. Até aos dois anos a maioria demonstra dificuldade em fazer amigos, principalmente se isso implicar partilhar com estes os seus brinquedos. A partir dos dois/três anos, a criança vai percebendo as vantagens de brincar com outras crianças, começando inicialmente por preferir brincar com uma de cada vez..

As crianças que frequentam o jardim-de-infância demonstram maior facilidade em assimilar as regras sociais e afetivas e adquirem as noções de respeito pelas necessidades e direitos dos outros mais rapidamente.

 

O IMPACTO DOS PAIS NAS NOVAS RELAÇÔES

 

Os pais são os primeiros modelos relacionais dos filhos uma vez que são as pessoas que as crianças observam e imitam desde pequeninos. É com os pais que as crianças aprendem a fazer amigos e a integrarem-se nos meios sociais à sua volta: crianças cujos pais têm um circulo de amigos alargado e com o qual despendem bastante tempo tendem a procurar fazer amigos com vais vontade do que crianças que vêm de famílias com um grupo de amigos mais restrito.

Para além da aprendizagem pelo exemplo, os pais assumem um papel importante na forma como incentivam os seus filhos a interagir com as outras crianças não só através da procura de atividades nas quais lhes permitam o contacto com o seu grupo de pares como também na forma como supervisionam e acompanham as brincadeiras dos seus filhos. Os pais têm um papel fundamental na aquisição das regras sociais e no estabelecimento de limites aos comportamentos dos seus educandos.

Os pais devem ainda fomentar e dar exemplos de brincadeiras construtivas que possam ser feitas em grupo, com outras crianças, e que permitam o estabelecimento de laços de afeto entre elas. O tempo de qualidade que os pais têm junto dos filhos é de extrema importância enquanto momento de partilha de experiências e de transmissão de exemplos construtivos, positivos e ajustados.

 

 

 

AMIGOS IMAGINÁRIOS

 

É frequente para muitas crianças brincarem e conversarem sozinhas (solilóquio) como se estivessem na companhia de uma amigo, deixando os pais preocupados. Os amigos imaginários podem surgir enquanto amiguinhos invisíveis ou bonecos com os quais as crianças interagem como se fossem humanos, atribuindo-lhes pensamentos, comportamentos e sentimentos, tais como os demais amigos.

Por muito que pareça preocupante, o amigo imaginário incentiva o desenvolvimento criativo, emocional e intelectual uma vez que através das brincadeiras de faz de conta a criança vivencia sua realidade, elabora conflitos, angustias e procura encontrar a solução para as questões com que se depara.

A maioria das crianças vai reconhecendo a diferença entre a fantasia e a realidade sem ser preciso a ajuda dos pais, e estes não se devem preocupar excessivamente desde que este “amigo” não impeça os seus filhos de brincar e de se relacionar com outras crianças reais e desde que este amigo não se mantenha para além da fase da pré-adolescência. Nestes casos pode ser aconselhável procurar a ajuda de um especialista.
Algumas ideias para fomentar as relações de amizade das crianças:

Passe tempo de qualidade com o seu filho, valorizando os comportamentos e as reações sociáveis e ajustadas;

– Procure ensinar através do exemplo, demonstrando ao seu filho como começar e cultivar amizades, valorizando o seu grupo de amigos e os momentos que têm juntos;

– Dê exemplos de comportamentos que envolvam o conceito de amizade para que a criança tendo noção do que pode ou não esperar de um amigo;

– Organize programas de fim-de-semana nos quais o seu filho possa estar com os amigos ou conhecer pessoas novas. È muito importante que não force possíveis relações de amizade do seu filho, mas que lhe dê espaço para poder escolher os seus próprios amigos;

– A não ser que seja mesmo necessário, não interfira nas brincadeiras entre o seu filho e os amigos. È fundamental que este aprenda a resolver os pequenos problemas que vão aparecendo no decorrer das brincadeiras;

– Nos momentos de convívio evite a televisão e opte por atividades de grupo: para além de desenvolverem outras competências como a imaginação e a criatividade, também fortalecem as relações interpessoais.
A forma privilegiada das crianças aprenderem é através das suas brincadeiras, por isso procure atividades lúdicas, que lhes permitam explorar as regras e os limites da convivência com os outros.

Ser sociável desde cedo ajudará o seu filho a ter uma vida social ativa e a desenvolver as suas competências de relação e de comunicação com os outros. Deste modo estará a contribuir para que se torne um adulto mais seguro, com melhor autoestima, e mais preparado para enfrentar situações de interacção/exposição social.

 

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Foi na escola EB23 nº 121 do Campo Grande, que hoje, no âmbito da Semana da Saúde, a nossa Psicóloga Carla Costa conversou com um grupo alargado de crianças do primeiro ciclo, pais, professores e educadores sobre o bullyng.

Focando o tema sobre a importância das relações saudáveis entre as crianças, a confiança e as conversas com pais e professores sobre o dia-a-dia e os problemas que vão surgindo.

O recordar aos pais e professores da importância de estarem atentos aos pequenos pormenores, às crianças que fazem palhaçadas para ser aceites, ou àquelas que ficam sempre sozinhas nos intervalos. Foi interessante ouvir as crianças falarem sobre os receios e sobre as dificuldades por vezes sentidas em falar com os adultos sobre o tema.

Os alunos revelaram empenho e foi interessante verificar as suas crenças, opiniões e partilha das suas próprias vivências.

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Foi numa formação participativa e enriquecedora, que ontem, dia 27 de Fevereiro, que o nosso convidado Dr. Vitor Cruz, da Faculdade de Motricidade Humana, nos presenciou com um momento rico de conteúdo sobre as como se processa a aprendizagem, os diferentes perfis de aprendizagem e as diferentes formas de aprender.

Foram trocadas várias ideias sobre a aprendizagem, sobre a atenção que temos de ter perante as características individuais dos nossos pequenos aprendizes e um olhar sobre diferentes formas de ensinar.

 

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“Os catraios de agora só querem jogar no computador e estar na internet”, é uma expressão cada vez mais frequente nos adultos actualmente. Pais e avós que estranham esta diferença para com o seu tempo de criança, nas memórias da sua infância não era nada assim! Jogava-se e brincava-se com os irmãos em casa, ou na rua com os amigos e muitas vezes até tarde!

Se hoje os mais velhos estranham esta postura das crianças, estranhamos agora também, que os miúdos de há poucas décadas brincassem livremente nas ruas deste país. Não era perigoso? Ainda para mais, numa altura em que as crianças não tinham telemóvel para tranquilização celestial dos pais em saberem onde estavam os seus filhos.

Em ambas as situações se percepcionam condicionantes menos positivas, mas também se caracterizam vivências, aprendizagens e conhecimentos muito significativos para a vida. Se por um lado brincar com os amigos e com eles socializar é saudável, estar online a conversar com amigos, a navegar ou estar a jogar computador também o é! Assim comprovam os estudos efectuados em ambas as áreas.

O ar livre, o contacto com natureza, a socialização presencial com as outras crianças, a estimulação da destreza psico-motora são desde há muito evocados no desenvolvimento harmonioso da criança e adolescente. Contudo, estar online e jogar computador também é preciso e é, comprovadamente, benéfico.

Os mais recentes estudos realizados nesta área têm refutado a ideia de que os jovens que passam muito tempo no computador, não adquirem competências de socialização e se tornam mais isolados. Estar online não é sinonimo de estar isolado. Muito pelo contrário!São cada vez mais as possibilidades de uma criança e adolescente estar no seu computador a falar com os seus colegas da rua, mas também com os da aldeia dos avós, com os primos da França ou os amigos que fizeram nas últimas férias! É também um excelente meio das crianças mais acanhadas e reservadas poderem estimular a sua competência comunicacional e interpessoal que presencialmente poderia estar a ser comprometida.

As aplicações informáticas tendem a estar mais próximo das realidades dos jovens, mas também dos mais velhos como pais e avós. São cada vez mais as crianças e adolescentes que comunicam com os seus familiares através de aplicações na internet. Seja pela rapidez ou ausência de custos associados, seja pela vantagem em poder comunicar como alguém que está distante. Muitos dos nossos jovens comunicam também com os seus familiares que possam estar emigrados a trabalhar, matando saudades e aferindo das mútuas novidades. É uma realidade crescente que tem ajudado a manter contacto e superar as nostalgias de muitos familiares. Neste âmbito, os avós são geralmente os exemplos mais comuns. Falar através de vídeo-conferência é já uma actividade igualmente frequente entre avós e netos.

Estar online não é só sinónimo de estar na “conversa”. A internet apresenta-nos uma galáxia de oportunidades de informação em que o difícil é parar de escolher. Seja qual for o tema que desperte a curiosidade de quem está online, encontrará certamente muita informação sobre o tema. Poderá pesquisar, ver imagens, querer saber mais, saciar o seu desejo de conhecimento assim como também treinará competências de leitura e de triagem e selecção de informação no meio de tanto emaranhado de conhecimento.

Ficar online significa também jogar online. Os jogos de rede são cada vez mais populares entre os miúdos. Estes jogos, muitas vezes colaborativos, promovem a interacção e o trabalho de equipa, mas, estimulam e desenvolvem sobretudo a memória de trabalho. Neste âmbito as gerações mais recentes têm uma grande vantagem competitiva em relação às gerações anteriores. A estimulação deste tipo de memória verifica-se de extrema utilidade para o desenvolvimento de competências profissionais futuras. O desafio lógico e o desenvolvimento do raciocínio lógico-dedutivo é hoje mais presente e constante através dos inúmeros jogos disponíveis.

Actualmente, permanecer online não significa estar em frente ao computador. Encontrar-se online é estar ligado ao mudo, onde ele igualmente acontece, através do telemóvel, do smartphone ou do tablet. Numa sociedade digital, mas também numa sociedade de conhecimento, ter competências informáticas é fulcral para os profissionais do futuro. Desenvolver essa competência desde cedo tornar-se-á uma vantagem competitiva.

Estar online implica também, para além do domínio de competências informáticas, o domínio de competências linguísticas. Para além de ser possível com relativa facilidade aprender com cursos de línguas através da internet, as pesquisas a realizar, geralmente geram mais e melhores resultados se forem efectuadas em inglês, castelhano ou francês. São frequentes as crianças e adolescentes efectuarem pesquisas noutras línguas. A diversidade de conteúdos é maior, uma vez que existe uma maior comunidade online com esse idioma. Muitos deles utilizam também uma ferramenta que é o tradutor para efectuar a conversão para a língua portuguesa. Este sistema nem sempre funciona na perfeição e fornece resultados de tradução estranhos, que implicam que o cibernauta não confie na totalidade nos resultados da tradução, mas que se empenhe em ele próprio realizar o acompanhamento textual para aferir erros e compreender o que está a ler.

Socializar, brincar, praticar desporto, passear, conviver, fotografar, viajar, cair, trepar, correr, atirar, esconder, saltar, rebolar, descobrir, conversar, dormitar, mergulhar, ginasticar, voluntariar,… é preciso tudo isto para termos crianças felizes e saudáveis. É preciso estar online, mas brincar muito também! Boas brincadeiras…

 

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Hoje em dia, as crianças desenvolvem-se numa sociedade letrada, com meios tecnológicos muito atrativos, que despertam a sua curiosidade e a sua vontade de decifrar letras, desde tenra idade.

 

As crianças estão em constante crescimento, interagindo com o mundo que as rodeia em busca de novas aprendizagens, desafiadas pela sua curiosidade e pela ânsia de conhecer o contexto do qual fazem parte.

Desde muito novas que o mundo que as circunda está repleto de letras, palavras e frases, fazendo com que convivam com a literacia continuamente, desde o seu nascimento. Paralelamente, a sociedade tecnológica e os brinquedos lúdico-didáticos cada vez mais informatizados, facilitam e incentivam a alfabetização fora da escola, nomeadamente apresentando letras e palavras no decorrer das instruções de funcionamento/de jogo e das atividades a desempenhar. A par com a sua assiduidade e relevância no dia-a-dia, a aquisição do domínio sobre estas duas competências é fundamental dado que se tratam de ferramentas imprescindíveis para que as crianças ampliem as suas possibilidades de entender a realidade e para que conheçam os seus contextos, já que a maioria da informação com que irão contactar lhes será apresentada por escrito.

As crianças vão aprendendo letras e palavras antes mesmo da sua entrada no primeiro ciclo, sendo comum começar a distinguir marcas e a ler pequenas palavras com que se relacionam mais frequentemente. Esta proximidade tem levado as escolas a refletir sobre a idade ideal para a introdução da alfabetização e sobre o tipo de atividades de pré-leitura e pré-escrita que deverão ser desenvolvidas para estimularem e motivarem a aprendizagem destes domínios. Durante este período, mais do que refletir sobre a idade ideal para dar início ao seu processo de alfabetização, é fundamental analisar e cultivar a motivação em interagir com as letras e palavras e procurando decifrá-las sem obrigar as crianças a aprender. Desta forma, é tão contraproducente forçar crianças até aos cinco a ler e escrever como impedir as que estão motivadas de explorar as bases da leitura com receio de que se possa vir a desmotivar mais tardiamente – mais importante do que a idade é a vontade de cada criança de se alfabetizar.

A alfabetização exige um determinado estádio de maturação neuropsicológica e não convém força-las a adquirir uma habilidade para a qual não estão ainda preparadas. Nestes casos o mais adequado será estimulá-las recorrendo a atividades lúdico-didáticas, que as envolvam e as motivem para a aprendizagem destas competências. A leitura e a escrita requerem a maturação de estruturas cerebrais distintas, que implicam ver os símbolos, interpretar as letras, ouvir o seu som correspondente, decifrar o seu significado e organizar a forma como são pronunciadas e que têm de funcionar de forma coordenada. É em idades mais precoces, dada a plasticidade cerebral e o potencial de aprendizagem de cada criança, que se deve dar início ao processo de alfabetização, estimulando de forma lúdica e divertida as competência de pré-leitura e pré-escrita, recorrendo a atividades cuidadosamente pensadas e adequadas, que fomentem o desenvolvimento do vocabulário, da consciência fonológica e do conhecimento das letras.

A leitura é também uma das ferramentas que mais condiciona o seu sucesso uma vez que é a competência base para todos os seus anos escolares – é ao longo dos primeiros anos, a partir das experiências que vivenciam, que as crianças desenvolvem e estruturam as capacidades que usarão como base das suas aprendizagens futuras, nomeadamente no que toca à construção de um percurso escolar de sucesso. Aprender a ler permite à criança aprender a decifrar todos os carateres que vêm impressos nos manuais académicos e, consequentemente, conhecer o mundo e formar-se profissionalmente. Um estudo internacional sobre literacia em crianças e jovens, levado a cabo pela OCDE, evidenciou que Portugal se encontra abaixo das médias europeias dos países desenvolvidos, estando latente no estudo que os conhecimentos e competências neste domínio aquando da entrada para a escolaridade básica são, em muitos dos casos, insuficientes. Segundo o mesmo estudo, estes resultados culminam em elevadas taxas de insucesso e de abandono escolar que poderiam ser minimizados com o desenvolvimento de programas de literacia no jardim-de-infância (mais do que ensinar a ler é fundamental ensinar a gostar de ler). De acordo com o mesmo estudo, as crianças que possuem mais conhecimentos sobre as regras do texto escrito tendem a obter melhores resultados a nível do vocabulário, da consciência fonológica e da identificação de letras, sendo possível estabelecer uma associação positiva entre a qualidade da estimulação pré-escolar e o desenvolvimento de algumas competências de literacia.

Independentemente dos métodos usados na escola, a atuação dos pais é decisiva para as crianças – pais que apreciam ler e escrever e incentivam os seus filhos a gostar estão a contribuir para que estes se tornem leitores de sucesso.

A aprendizagem precoce das primeiras letras tem suscitado alguns mitos relacionados com o tema. O mais frequente prende-se com a possibilidade da criança vir a desmotivar-se no primeiro ano, por já saber ler. Embora isto possa acontecer uma vez que a criança já domina alguns dos conteúdos que estão a ser explorados, é mais desmotivante não conseguir acompanhar as novas aprendizagens e não experimentar a sensação de sucesso (fundamental para a construção da sua autoestima e autoconceito). Cabe ao professor gerir as aprendizagens de cada aluno em ambiente de sala (esta criança pode ficar como tutora de um colega com mais dificuldades, por exemplo) e aos pais continuarem a estimular e a desafiar a criança nesta área específica (através de atividades para realizarem fora do ambiente escolar). Um outro mito prende-se com a possibilidade da criança vir a desenvolver problemas de leitura, no entanto a probabilidade de isto poder vir a acontecer é muito maior em alunos que não tenham adquirido as competências de pré-leitura ao longo dos anos que antecedem a sua entrada no primeiro ciclo.

 

Estratégias para estimular a aprendizagem da leitura

– Fomentar o gosto pela leitura, lendo histórias com a criança, em situações diversificadas e usando diferentes materiais (livros de histórias, jornais, revistas, embalagens, textos da internet, bandas desenhadas, sequências de imagens);

– Criar a hora da leitura em família, em que cada um dos elementos dedica algum tempo a ler (seja um livro, uma revista ou o jornal) – a aprendizagem pelo exemplo é a mais significativa;

– Demonstrar a importância das palavras no dia-a-dia, dirigindo a atenção da criança para a observação de situações de escrita no mundo real;

– Estimular a criação de histórias a partir de imagens ou de frases que lhe são ditas;

– Potenciar a consciência fonológica através de jogos de palavras, nomeadamente, pedindo à criança que descubra palavras que comecem ou terminem com o mesmo som, que reproduza lenga-lengas e rimas ou que complete poemas.

 

A alfabetização é um processo que se inicia desde tenra idade e que se encontra em constante desenvolvimento e construção. É fundamental estimular a criança a contactar com letras e palavras e promover a leitura e a escrita de forma a potenciar o seu gosto pela temática e desenvolver a sua motivação para novas aprendizagens. Por contraponto, se a criança for forçada a aprender, tal facto poderá desmotivá-la e despoletar uma barreira face à escola.

Para ser um leitor bem-sucedido é importante que a criança domine varias convenções, nomeadamente dos conceitos sobre escrita, da consciência fonológica e da identificação de letras, cujo conhecimento parece ser produto de múltiplas experiencias de literacia.

 

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É quase impossível não perder de vista uma criança por breves instantes que seja. Em todas as famílias já aconteceu algum episódio onde, por breves momentos, deixaram de saber onde está a sua criança, seja no supermercado, na rua, na praia… Geralmente, é uma ocorrência de segundos ou breves minutos mas para os pais estes momentos parecem uma eternidade! O mais importante é tentar prevenir estas situações e preparar-nos para lidar com elas quando acontecem.

As crianças são estimuladas constantemente, principalmente quando estão em locais onde tudo é novo e parece interessante para explorar e conhecer melhor. É muito fácil para a criança se entusiasmar, acabando por ir atrás de algo que viu perdendo a noção do tempo, da segurança parental e da distância, acabando por se perder.

Estas situações ocorrem em situações de segundos, basta uma distracção, um olhar mais prolongado numa estante de supermercado, ou no saco da praia enquanto se procura o protector solar.

As crianças necessitam de uma atenção quase a 100%, o que muitas vezes é difícil de conseguir. Desta forma existem várias estratégias para tentar lidar com estas situações. Temos por exemplo os localizadores, que podem ser uma solução, mas também as conversas prévias e a responsabilização das crianças são um mecanismo fundamental antes de sair com as crianças à rua.

É importante conversar com a criança em casa e explicar-lhe os comportamentos que deve ter, explicar as como deve lidar caso aconteça sentir-se perdida. É importante dizer à criança que não se deve afastar dos pais, que pode perder-se e que se fica triste caso algo lhe aconteça. Depois, é fundamental explicar que, caso não encontre o pai ou a mãe, deve procurar algum polícia, algum funcionário da loja ou o nadador salvador, consoante esteja na rua, na praia ou num centro comercial por exemplo.

Este trabalho de prevenção deve ser feito desde logo, pois as crianças conseguem interiorizar estas regras e aprender a responsabilizar-se, tornando mais fácil as saídas e os passeios com elas.

Mas não existem só aspectos referentes às crianças. Os pais e familiares, para além de uma atenção constante devem também  aprender algumas estratégias para conseguir manter a calma e lidar com a situação de forma a ser um “desaparecimento” rápido.

Assim, é importante ter em conta algumas orientações:

– Primeiro tentar manter a calma e respirar fundo.

– Olhar em volta e tentar perceber quais os sítios que seriam mais interessantes para a sua criança.

– Fazer o percurso inverso e tentar aferir se a criança não ficou retida com alguma distracção no caminho

– Se estiver dentro de um estabelecimento, dirigir-se aos vigilantes ou aos funcionários e pedir apoio, de forma a chamarem pelo altifalante ou tentarem ajudar na procura.

– Geralmente, quando a criança percebe que está perdida, pára e chora. Por isso, tentar encontrar pessoas que ajudem na procura, separando-se por diferentes direcções.

– Quando encontrar a criança é importante dar-lhe segurança e conforto em vez de se zangar. A criança está angustiada e ansiosa, é fundamental recuperar a estabilidade emocional.

– Posteriormente, em casa ou num sítio acolhedor e de forma tranquila deve explicar à criança que também ficou preocupado e que é importante não se afastar para que não volte a acontecer. Consoante a idade, é importante explicar os perigos mais ou menos pormenorizados. Por um lado, referindo que nem todas as pessoas são de confiança, mas ao mesmo tempo, as figuras de autoridade são uma boa fonte de apoio.

Outros aspectos a ter em consideração são por exemplo, ter a criança identificada com o nome e um contacto dos pais (pode ser na etiqueta da roupa por exemplo), sempre que possível ter a criança pela mão, na praia ter brinquedos por perto para manter a criança entretida, ter roupa colorida ou que se destaque quando está no meio das outras crianças ou em situações de grande confusão.

É nas férias que acaba por se perder mais crianças. Isto prende-se bastante com o facto de as crianças estarem em locais que não conhecem, as rotinas são diferentes, existem mais estímulos que atraem as crianças e as fazem dispersar, mas é também a altura de “férias” para os pais onde estes ficam mais descontraídos.

A realidade de que as crianças se perdem é irredutível, assim como muitas se encontram nos minutos seguintes a um valente susto. Assim, o fundamental é conseguir trabalhar com as crianças possíveis situações bem como estratégias de como actuarem, e tentar estar sempre atenta e preparado para agir com alguma tranquilidade, caso aconteça.

Se por um lado, os localizadores permitem uma segurança, pois é possível encontrar a criança através de um sistema de GPS, a qualquer hora em qualquer momento, por outro lado, não devem ser vistos como solução única pois podem tornar-se demasiado invasivos não dando a possibilidade à criança de, uma forma mais autónoma, aprenderem a lidar com os imprevistos e a responsabilizarem-se pelos seus comportamentos. Este carácter mais positivo dos localizadores, que descansam os pais, podem, à medida que a criança vai crescendo, ser visto por ela como uma punição ou ausência de confiança neles próprios.