sexualidade-jovensideiais1

sexualidade-jovensideiais1A adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição da infância para a idade adulta e é caracterizada por mudanças a diversos níveis: alterações do corpo, dos pensamentos, dos ideais, um período de descoberta de si próprio e dos outros que o rodeia, momentos onde as expectativas que recaem sobre cada um dos jovens se tornam maiores e onde, na realidade, palavras como “responsabilidade” e “independência” se tornam presentes no dia-a-dia.

De uma forma optimista, poderíamos cair na tentação de sentir que é uma fase fácil, onde tudo acontece da melhor forma, onde se começa a ter mais liberdade, existindo a hipótese de fazer o que se quer e onde as palavras do adulto não fazem muitas vezes sentido. Na realidade, toda a liberdade acarreta consequências, escolhas, responsabilidades, e deste modo, esta fase de desafios é por si só complexa e delicada.

A descoberta de si próprio, o lidar com as alterações do corpo, o descobrir o interesse no sexo oposto, o lidar com opiniões diferentes das nossas, o vivenciar situações em que nos sentimos diferentes dos outros e por vezes mesmo rejeitados, torna esta conquista da adolescência uma etapa árdua e em diversas ocasiões bastante dolorosa.

Se dedicarmos um pouco da nossa atenção aos meios de comunicação, constatamos que desde as revistas às telenovelas, toda esta vivência da adolescência é quase como que representada diariamente. Os jovens tomam contacto com temas como a droga, o álcool, o sexo, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez na adolescência, etc.. Esse contacto é feito muitas vezes de uma forma quase que leviana, e sem se aperceberem da importância de cada um deles, das suas consequências e principalmente da forma como se podem proteger e avançar para novas experiências de uma forma segura.

Conhecendo as mudanças que estão presentes neste período das nossas vidas, e sabendo que muitas das vezes se fazem coisas para as quais ainda não se está preparado, torna-se também difícil para os pais lidar com os filhos adolescentes. Como se sentem os pais quando os filhos pedem para ir a uma festa na próxima 6ª feira à noite? Mil pensamentos lhes ocorrem e a realidade de que não os podem proteger para sempre é assustadora. No entanto, proibir ou tentar esconder o jovem destes contextos revela-se muitas vezes ineficaz e prejudicial.

É durante a adolescência que os jovens dão o primeiro beijo, têm o primeiro namoro, iniciam a sua vida sexual. E desenganem-se se ainda pensam que até então é algo que os jovens nunca pensaram nem nunca se questionaram, simplesmente a vontade de ser a vez deles de começar tornou-se presente.

É a altura de se sentirem apaixonados, atraídos pelo outro, de sentirem vontade de estar com o elemento do sexo oposto, de se sentirem aceites, de dar significado às sensações físicas que passaram a sentir e de iniciar realmente a sua vida sexual. É nesta descoberta do outro, nas brincadeiras de ambos, nas “curtes” que cada jovem se sente mais seguro, mais aceite, mais confiante de si e que percebe quais as suas capacidades. Começa a entender que é algo que se partilha a dois, e principalmente que tem a oportunidade de ver que a vontade própria, por si só, já não é suficiente.

É uma fase com duas caras! Quando as coisas correm bem, sentem-se amados e valorizados, começando a criar uma auto-imagem segura e confiante. Se por outro lado, estas coisas correm menos bem e se sentem desvalorizados, iniciam também as dúvidas sobre si próprio, tendem a sentir-se rejeitados, inferiores e a desenvolver mesmo uma imagem errada de deles mesmos acompanhada por uma baixa auto-estima.

Mas se toda esta experiência da sexualidade é algo recheada de coisas boas e más, se é algo que faz parte da auto-descoberta e do desenvolvimento como pessoas, se é algo que marca o futuro de cada jovem, não só ao nível da própria identidade, mas na forma como se irão relacionar com os pares daí em diante, podemos deixar os nossos jovens sozinhos neste processo? É fundamental existir um apoio para estes jovens, criando-lhes oportunidades de falar/conhecer as mudanças físicas que vão ocorrer, de ouvir experiências de outros pares, de desenvolver conceitos, como sendo, o da paixão, o do amor, e de enraizar questões como amizade, respeito, relação e compromisso.

Quando abordamos o tema da sexualidade não é apenas falar da parte biológica, falamos do início do contacto com os outros, falamos também de expectativas que cada um cria sobre si próprio, sobre a forma como vai ser aceite, como vai ser capaz de conquistar o que pretende. Pensamos ainda na pressão sentida relativa ao desempenho, à desilusão se algo corre mal, ou simplesmente ao sentimento de rejeição quando não se é correspondido.

Estes aspectos acabam muitas vezes por passar mais despercebidos, pois falar sobre os contraceptivos já vai sendo algo mais casual, falar dos receios e preocupações do momento, falar da experiência menos boa, do que sentimos quando o outro não nos escolhe, é algo mais complicado. É assim importante, ajudar os adolescentes a aprenderem a lidar com as próprias emoções, a perceber o que estas lhes dizem, levando-os a falar sobre as mesmas. Uma ideia importante a passar-lhes é que, quando iniciamos uma etapa nova, quando nos deparamos com algo que queremos muito, ou apenas quando algo é importante para nós, é natural sentirmos ansiedade. É também frequente as coisas acontecerem diferente do desejado sendo comum por vezes fecharmo-nos dentro de nós porque tudo aconteceu de forma “errada”.

A adolescência é caracterizada por sentimentos ambíguos, por dúvidas, por medos, por expectativas… nem sempre quando se é adolescente, temos aquele corpo que desejamos, ou não temos aquele à vontade para conquistar o grupo, nem sempre conseguimos despertar a atenção do outro como gostaríamos… por isso, é importante manter a calma se de repente tudo parece correr mal, provavelmente, o amigo que se encontra ali ao lado, sente precisamente o mesmo, apenas também não consegue falar sobre isso.

Assim, a adolescência e toda a descoberta que é feita por cada um, tanto ao nível da sexualidade, como ao nível da pessoa que se quer tornar, não tem de ser algo tão difícil, nem tem de ser um percurso solitário. Os amigos sentem o mesmo! E podem sempre encontrar alguém com quem falar sobre o assunto.

online

“Os catraios de agora só querem jogar no computador e estar na internet”, é uma expressão cada vez mais frequente nos adultos actualmente. Pais e avós que estranham esta diferença para com o seu tempo de criança, nas memórias da sua infância não era nada assim! Jogava-se e brincava-se com os irmãos em casa, ou na rua com os amigos e muitas vezes até tarde!

Se hoje os mais velhos estranham esta postura das crianças, estranhamos agora também, que os miúdos de há poucas décadas brincassem livremente nas ruas deste país. Não era perigoso? Ainda para mais, numa altura em que as crianças não tinham telemóvel para tranquilização celestial dos pais em saberem onde estavam os seus filhos.

Em ambas as situações se percepcionam condicionantes menos positivas, mas também se caracterizam vivências, aprendizagens e conhecimentos muito significativos para a vida. Se por um lado brincar com os amigos e com eles socializar é saudável, estar online a conversar com amigos, a navegar ou estar a jogar computador também o é! Assim comprovam os estudos efectuados em ambas as áreas.

O ar livre, o contacto com natureza, a socialização presencial com as outras crianças, a estimulação da destreza psico-motora são desde há muito evocados no desenvolvimento harmonioso da criança e adolescente. Contudo, estar online e jogar computador também é preciso e é, comprovadamente, benéfico.

Os mais recentes estudos realizados nesta área têm refutado a ideia de que os jovens que passam muito tempo no computador, não adquirem competências de socialização e se tornam mais isolados. Estar online não é sinonimo de estar isolado. Muito pelo contrário!São cada vez mais as possibilidades de uma criança e adolescente estar no seu computador a falar com os seus colegas da rua, mas também com os da aldeia dos avós, com os primos da França ou os amigos que fizeram nas últimas férias! É também um excelente meio das crianças mais acanhadas e reservadas poderem estimular a sua competência comunicacional e interpessoal que presencialmente poderia estar a ser comprometida.

As aplicações informáticas tendem a estar mais próximo das realidades dos jovens, mas também dos mais velhos como pais e avós. São cada vez mais as crianças e adolescentes que comunicam com os seus familiares através de aplicações na internet. Seja pela rapidez ou ausência de custos associados, seja pela vantagem em poder comunicar como alguém que está distante. Muitos dos nossos jovens comunicam também com os seus familiares que possam estar emigrados a trabalhar, matando saudades e aferindo das mútuas novidades. É uma realidade crescente que tem ajudado a manter contacto e superar as nostalgias de muitos familiares. Neste âmbito, os avós são geralmente os exemplos mais comuns. Falar através de vídeo-conferência é já uma actividade igualmente frequente entre avós e netos.

Estar online não é só sinónimo de estar na “conversa”. A internet apresenta-nos uma galáxia de oportunidades de informação em que o difícil é parar de escolher. Seja qual for o tema que desperte a curiosidade de quem está online, encontrará certamente muita informação sobre o tema. Poderá pesquisar, ver imagens, querer saber mais, saciar o seu desejo de conhecimento assim como também treinará competências de leitura e de triagem e selecção de informação no meio de tanto emaranhado de conhecimento.

Ficar online significa também jogar online. Os jogos de rede são cada vez mais populares entre os miúdos. Estes jogos, muitas vezes colaborativos, promovem a interacção e o trabalho de equipa, mas, estimulam e desenvolvem sobretudo a memória de trabalho. Neste âmbito as gerações mais recentes têm uma grande vantagem competitiva em relação às gerações anteriores. A estimulação deste tipo de memória verifica-se de extrema utilidade para o desenvolvimento de competências profissionais futuras. O desafio lógico e o desenvolvimento do raciocínio lógico-dedutivo é hoje mais presente e constante através dos inúmeros jogos disponíveis.

Actualmente, permanecer online não significa estar em frente ao computador. Encontrar-se online é estar ligado ao mudo, onde ele igualmente acontece, através do telemóvel, do smartphone ou do tablet. Numa sociedade digital, mas também numa sociedade de conhecimento, ter competências informáticas é fulcral para os profissionais do futuro. Desenvolver essa competência desde cedo tornar-se-á uma vantagem competitiva.

Estar online implica também, para além do domínio de competências informáticas, o domínio de competências linguísticas. Para além de ser possível com relativa facilidade aprender com cursos de línguas através da internet, as pesquisas a realizar, geralmente geram mais e melhores resultados se forem efectuadas em inglês, castelhano ou francês. São frequentes as crianças e adolescentes efectuarem pesquisas noutras línguas. A diversidade de conteúdos é maior, uma vez que existe uma maior comunidade online com esse idioma. Muitos deles utilizam também uma ferramenta que é o tradutor para efectuar a conversão para a língua portuguesa. Este sistema nem sempre funciona na perfeição e fornece resultados de tradução estranhos, que implicam que o cibernauta não confie na totalidade nos resultados da tradução, mas que se empenhe em ele próprio realizar o acompanhamento textual para aferir erros e compreender o que está a ler.

Socializar, brincar, praticar desporto, passear, conviver, fotografar, viajar, cair, trepar, correr, atirar, esconder, saltar, rebolar, descobrir, conversar, dormitar, mergulhar, ginasticar, voluntariar,… é preciso tudo isto para termos crianças felizes e saudáveis. É preciso estar online, mas brincar muito também! Boas brincadeiras…

 

relacoesfamiliars

Se encararmos a família como um organismo vivo, em que as crianças aprendem através de atividades básicas, valores como o amor, o respeito, a partilha e a solidariedade, constatamos que  é  a família que faz a mediação da relação entre a criança e os meios em que ela se vai inserir socialmente. E podemos dizer, como Maurício Knobel, que “o lar é a escola da vida!”

De facto é na família que a criança experiencia o amor incondicional, na medida em que é no seio desta que ela é acolhida e amada sem condições prévias. É na família e através dos seus valores, orientações e critérios de conduta, que a criança define o seu próprio projeto e dá significado à sua existência.

É na família que a criança desenvolve e aprende as suas primeiras competências de relacionamento interpessoal. É aqui que ela se confronta, em primeira mão, com a diferença, seja esta, sexual, de idade,  de temperamento,  de ideias,  de comportamentos….e é através da teia relacional familiar, que ela própria, vai desenvolvendo as suas competências relacionais  e as transporta para outros contextos. Aqui lida com as suas primeiras frustrações, aprende que diferentes pessoas podem ter diferentes limites, que diferentes contextos exigem diferentes comportamentos. Na família experiencia a sua primeira rede de solidariedade, desenvolve as suas primeiras competências ao nível da autonomia, segurança, sentimento de pertença. Em família aprende como lidar com o conflito e  com outros desafios com que se vai confrontar na vida exterior ao contexto familiar.

Assim, um ambiente familiar saudável será naturalmente potenciador de um crescimento saudável, na medida em que ajuda a criança a desenvolver competências de relação intra e interpessoal que a ajudarão a enfrentar os desafios do crescimento.

Quando falamos em relação familiar saudável, falamos de um lugar de emoções, de um espaço onde têm lugar amores e desamores, entendimentos e desentendimentos,  frustrações e  alegrias.

Uma família saudável é aquela que tem capacidade, pela comunicação existente entre os seus membros, de reparar os afetos negativos, através do entendimento e do perdão. Para esta comunicação acontecer de forma saudável, os limites e os papéis devem estar claramente definidos. Sabendo cada elemento, o lugar que ocupa na constelação familiar e quais os seus direitos e os seus deveres.

Os membros da família poderão, em momentos distintos, estabelecer alianças distintas, no entanto, os pais devem manter-se uma frente unida e a criança deve perceber isto.

Um ambiente familiar saudável em que os elementos comunicam de forma adequada, isto é; ouvem, confiam, responsabilizam, mostram interesse e compreensão pelo outro é naturalmente um espaço de crescimento não só para as crianças, mas também para os pais.

A partir do momento que somos pais, aceitamos o desafio de educar um ser humano com características únicas. Mas para o fazer temos, de nos confrontar, a cada etapa do crescimento dos nossos filhos, com as nossas próprias angústias, medos, desejos e aspirações.

Hoje, existem famílias muito diferentes do passado, na medida em que há um maior número de famílias em que a maternidade acontece mais tarde, a mulher trabalha fora de casa, há famílias monoparentais, famílias em que os pais se separaram e constituíram posteriormente outros núcleos familiares. Sendo estes apenas alguns dos exemplos.

Futuramente estes modelos familiares manterão a tendência para se alterar, uma vez que a esperança média de vida continuará a aumentar, os desafios sociais e de trabalho são outros, e os modelos de família evoluirão em paralelo com as mudanças sociais.

Mais importante do que pertencer uma família tradicional ou outra, a influência que os pais têm nos comportamentos dos seus filhos, prende-se essencialmente com o estilo relacional que desenvolvem entre eles e para com os seus filhos.

Uma relação baseada no respeito pelo outro (seja este outro adulto ou criança), é fundamental para equilibrar o crescimento. Este respeito é a capacidade de ler no outro as suas motivações, necessidades, competências e desejos e de forma racional, mudar o que pode ser mudado de forma a equilibrar o sistema familiar.

Se queremos ajudar as crianças a ser autónomas, seguras, responsáveis e felizes teremos que no seio da nossa família passar todos estes valores através da relação.

É fundamental compreender a criança na sua individualidade e, ao mesmo tempo, passar-lhe a segurança de quem lidera o processo. Os pais são aqueles que primeiro dirigem e orientam a ação da criança. Mais tarde, apoiam-na nos seus desafios na relação com o mundo (os amigos, a escola….) e finalmente confiam nas suas escolhas e deixando-as enquanto jovens  experimentar o seu projeto de vida.

Esta segurança e convicção que os pais passam para os seus filhos, tem um profundo impacto na auto estima dos mesmos.

 

A qualidade das relações familiares têm grande influência no crescimento das crianças. O equilíbrio do sistema familiar, seja este de que natureza for, vai influenciar a forma como a criança cresce e se relaciona com o mundo.

Se a criança vive com diálogo, respeito, tolerância, encorajamento, aceitação, reconhecimento, honestidade, justiça, segurança e amizade, aprende a ouvir, a respeitar,  ser paciente, gostar de si, ter objetivos, a confiar no que a rodeia e a viver segura, arriscando ser feliz.

 

facebook

 

O Facebook tem cada vez mais adeptos de todas as idades. Com mais de 500 Milhões de utilizadores se fosse um país seria o 3º mais populoso do mundo. É uma rede social online que promove a comunicação e interacção social em ambiente virtual e é gratuita o que a torna ainda mais atractiva, sobretudo para um público mais jovem.

Das actividades mais comuns entre utilizadores do facebook é a procura de amigos e pessoas com determinados perfis. O envio de pedidos de amizade e tentativas de estabelecer algum tipo de contactos é bastante frequente o que comporta alguns riscos que surge como necessário entender e prevenir.

Os adolescentes utilizam o facebook para várias coisas:

– socializar com os amigos, maioritariamente da escola e do desporto;

– receber noticias dos amigos;

– conversar com amigos;

-descobrir áreas de interesse;

– participar em causas às quais são sensíveis

– para trabalhos escolares

– para aprendizagem informal

-…

A idade mínima para ter conta no facebook é de 13 anos e os menores de idade não aparecem nos resultados de pesquisa. Sabendo deste facto muitas crianças e adolescentes falseiam os seus dados de conta para contornar esta situação.

Se tem um filho com conta no facebook são diversos os conselhos que lhe sugerimos como orientação e precaução:

– Esteja também no facebook para melhor conhecer o sistema e seja amigo do seu filho, desta forma poderá ter conhecimento dos amigos online do seu filho.

– Publique em segurança pois nem tudo o que se coloca na internet é seguro. Fotografias e vídeos quando colocados online nã desaparecem. Mesmo que as tennte apagar é provável que outros utilizadores as possam ter guardado ou partilhado na rede e a propagação poderá já não ser contida.

– não aceite qualquer pedido de amizade, principalmente de desconhecidos. Antes de aceitar veja a página da pessoa, leia o seu mural, e se tiver dúvidas não aceite o convite.

– Pense bem antes de publicar qualquer comentário, fotografia, vídeo,…, mas sobretudo publicar dados que o possam tornar localizável.

– Defina bem as suas opções de privacidade, utilize a opção “apenas amigos” para que só os amigos que tem na sua lista possam ver os seus dados, fotos,…

-defina uma palavra-chave segura, cada vez mais casos são conhecidos de roubos de identidades online pela atribuição de palavras-chave pouco seguras.

 

Fale com os seus filhos sobre a utilização das redes sociais, acompanhe-os sem lhes invadir a privacidade, mas esteja atento.

 

sexualidade

A adolescência é a fase do desenvolvimento humano que marca a transição da infância para a idade adulta e é caracterizada por mudanças a diversos níveis: alterações do corpo, dos pensamentos, dos ideais, um período de descoberta de si próprio e dos outros que o rodeia, momentos onde as expectativas que recaem sobre cada um dos jovens se tornam maiores e onde, na realidade, palavras como “responsabilidade” e “independência” se tornam presentes no dia-a-dia.

 

De uma forma optimista, poderíamos cair na tentação de sentir que é uma fase fácil, onde tudo acontece da melhor forma, onde se começa a ter mais liberdade, existindo a hipótese de fazer o que se quer e onde as palavras do adulto não fazem muitas vezes sentido. Na realidade, toda a liberdade acarreta consequências, escolhas, responsabilidades, e deste modo, esta fase de desafios é por si só complexa e delicada.

 

A descoberta de si próprio, o lidar com as alterações do corpo, o descobrir o interesse no sexo oposto, o lidar com opiniões diferentes das nossas, o vivenciar situações em que nos sentimos diferentes dos outros e por vezes mesmo rejeitados, torna esta conquista da adolescência uma etapa árdua e em diversas ocasiões bastante dolorosa.

 

Se dedicarmos um pouco da nossa atenção aos meios de comunicação, constatamos que desde as revistas às telenovelas, toda esta vivência da adolescência é quase como que representada diariamente. Os jovens tomam contacto com temas como a droga, o álcool, o sexo, as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez na adolescência, etc.. Esse contacto é feito muitas vezes de uma forma quase que leviana, e sem se aperceberem da importância de cada um deles, das suas consequências e principalmente da forma como se podem proteger e avançar para novas experiências de uma forma segura.

 

Conhecendo as mudanças que estão presentes neste período das nossas vidas, e sabendo que muitas das vezes se fazem coisas para as quais ainda não se está preparado, torna-se também difícil para os pais lidar com os filhos adolescentes. Como se sentem os pais quando os filhos pedem para ir a uma festa na próxima 6ª feira à noite? Mil pensamentos lhes ocorrem e a realidade de que não os podem proteger para sempre é assustadora. No entanto, proibir ou tentar esconder o jovem destes contextos revela-se muitas vezes ineficaz e prejudicial.

 

É durante a adolescência que os jovens dão o primeiro beijo, têm o primeiro namoro, que iniciam a sua vida sexual. E desenganem-se se ainda pensam que até então é algo que os jovens nunca pensaram nem nunca se questionaram, simplesmente a vontade de ser a vez deles de começar tornou-se presente.

 

É a altura de se sentirem apaixonados, atraídos pelo outro, de sentirem vontade de estar com o elemento do sexo oposto, de se sentirem aceites, de dar significado às sensações físicas que passaram a sentir e de iniciar realmente a sua vida sexual. É nesta descoberta do outro, nas brincadeiras de ambos, nas “curtes” que cada jovem se sente mais seguro, mais aceite, mais confiante de si e que percebe quais as suas capacidades. Começa a entender que é algo que se partilha a dois, e principalmente que tem a oportunidade de ver que a vontade própria, por si só, já não é suficiente.

 

É uma fase com duas caras! Quando as coisas correm bem, sentem-se amados e valorizados, começando a criar uma auto-imagem segura e confiante. Se por outro lado, estas coisas correm menos bem e se sentem desvalorizados, iniciam também as dúvidas sobre si próprio, tendem a sentir-se rejeitados, inferiores e a desenvolver mesmo uma imagem errada de deles mesmos acompanhada por uma baixa auto-estima.

 

Mas se toda esta experiência da sexualidade é algo recheada de coisas boas e más, se é algo que faz parte da auto-descoberta e do desenvolvimento como pessoas, se é algo que marca o futuro de cada jovem, não só ao nível da própria identidade, mas na forma como se irão relacionar com os pares daí em diante, podemos deixar os nossos jovens sozinhos neste processo? É fundamental existir um apoio para estes jovens, criando-lhes oportunidades de falar/conhecer as mudanças físicas que vão ocorrer, de ouvir experiências de outros pares, de desenvolver conceitos, como sendo, o da paixão, o do amor, e de enraizar questões como amizade, respeito, relação e compromisso.

 

Quando abordamos o tema da sexualidade não é apenas falar da parte biológica, falamos do início do contacto com os outros, falamos também de expectativas que cada um cria sobre si próprio, sobre a forma como vai ser aceite, como vai ser capaz de conquistar o que pretende. Pensamos ainda na pressão sentida relativa ao desempenho, à desilusão se algo corre mal, ou simplesmente ao sentimento de rejeição quando não se é correspondido.

 

Estes aspectos acabam muitas vezes por passar mais despercebidos, pois falar sobre os contraceptivos já vai sendo algo mais casual, falar dos receios e preocupações do momento, falar da experiência menos boa, do que sentimos quando o outro não nos escolhe, é algo mais complicado. É assim importante, ajudar os adolescentes a aprenderem a lidar com as próprias emoções, a perceber o que estas lhes dizem, levando-os a falar sobre as mesmas. Uma ideia importante a passar-lhes é que, quando iniciamos uma etapa nova, quando nos deparamos com algo que queremos muito, ou apenas quando algo é importante para nós, é natural sentirmos ansiedade. É também frequente as coisas acontecerem diferente do desejado sendo comum por vezes fecharmo-nos dentro de nós porque tudo aconteceu de forma “errada”.

 

A adolescência é caracterizada por sentimentos ambíguos, por dúvidas, por medos, por expectativas… nem sempre quando se é adolescente, temos aquele corpo que desejamos, ou não temos aquele à vontade para conquistar o grupo, nem sempre conseguimos despertar a atenção do outro como gostaríamos… por isso, é importante manter a calma se de repente tudo parece correr mal, provavelmente, o amigo que se encontra ali ao lado, sente precisamente o mesmo, apenas também não consegue falar sobre isso.

 

Assim, a adolescência e toda a descoberta que é feita por cada um, tanto ao nível da sexualidade, como ao nível da pessoa que se quer tornar, não tem de ser algo tão difícil, nem tem de ser um percurso solitário. Os amigos sentem o mesmo! E podem sempre encontrar alguém com quem falar sobre o assunto.